A Tragédia De Romeu e Julieta está em São Paulo

July 1, 2009 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Cultural

Informações: Ass. de Imprensa

Os atores Raoni Carneiro e Maria Laura Nogueira retornam aos palcos com o espetáculo A Tragédia De Romeu e Julieta, em cartaz no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo. Com direção de Marcelo Lazzaratto, a peça será apresentada em todos os espaços, usando o salão, o bar, o coreto e o mini-circo, dando a possibilidade da platéia interagir com a peça de maneira única . Uma banda executa a trilha sonora ao vivo.

Serviço
Local:
Centro Cultural Rio Verde
Endereço: Rua Belmiro Braga, 119  – Vila Madalena – Zona Oeste – São Paulo 
Temporada:
Julho: 17, 18 e 19; 24, 25 e 26.
Agosto: 21, 22 e 23; 28, 29 e 30.
Dias e Horários: Sexta e sábado, 20h; domingo, 19h.
Classificação: 12 anos
Ingressos: Sáb R$ 40,00 | Sex e Dom R$ 30,00
Reservas: reservas@atragediaderomeuejulieta.com.br
Mais informações: http://www.atragediaderomeuejulieta.com.br/

Entrevista com a atriz e diretora Bárbara Bruno

December 1, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

01. Bárbara, analisando sua carreira, observa-se uma tendência para os trabalhos teatrais. O que a encanta no teatro para fazer dele um de seus principais ofícios?

Paixão e o fato de ser ao vivo. Isso é fascinante! Te dá a possibilidade do risco, a possibilidade de mergulho sem rede protetora. Eu gosto disso, sempre gostei. Não é que eu não goste de outras linguagens, são fascinantes também, têm seus encantos sem dúvida nenhuma, mas o teatro está na mão do ator. Você cria uma coisa, quase que um vício. (rs)

02. Você está em cartaz com duas peças: como atriz em “Motel Paradiso”*, texto originalmente escrito por Juca de Oliveira e como diretora de “O Santo Parto”, texto de Lauro César Muniz. As duas peças discutem valores. A primeira discute os valores éticos e morais na sociedade contemporânea e a segunda, os dogmas da Igreja Católica.  A intenção das peças é impor alguma verdade absoluta sobre os temas abordados?

Claro que não! Aliás sou absolutamente contra a qualquer verdade absoluta (rs). Uma das funções do teatro é exatamente levantar questionamentos, é colocar que não existem verdades absolutas. Você tem que questionar, pesquisar, você pode mudar de opinião. Tem uma frase que eu gosto que diz assim: “Penso, logo mudo de opinião” (rs). Então, faz parte do processo teatral levantar essas questões e fazer com que um maior número de pessoas possível comece a pensar, discutir, a defender seus pontos de vista. Eu sou radicalmente contra a verdade absoluta (rs). Não estamos preparadas para ela.

A temporada da peça “Motel Paradiso” terminou no dia 02\12\2007

03. Dirigir ou ser dirigida?

Os dois. Não ao mesmo tempo, não gosto de dirigir quando atuo. Depois de estreada, se tiver que substituir, tudo bem, mas meu processo de criação enquanto diretora bate de frente com meu processo de atriz.

Então a Bárbara diretora é diferente da Bárbara atriz.

Bem diferente, apesar de uma ajudar a outra, sem dúvida nenhuma. Antes de assumir a direção sozinha, eu fiz durante muitos anos assistência de direção. Tive grandes mestres, foi maravilhoso, entre eles Antônio Abujamra, Roberto Lage, Antônio Mercado, Marcelo Marchioro… Meu Deus do céu vai faltar gente! (rs). Enfim, foram grandes mestres e quando você passa para o outro lado, te enriquece muito. Você passa a ter outro ponto de vista. Meu trabalho como atriz cresceu bastante depois que mergulhei na direção.

04. Escrita em 2003, a peça “O Santo Parto” já teve uma montagem no Rio de Janeiro. Você ficou receosa com as comparações quando estreou a peça em São Paulo?

Não, pelo contrário. O bom texto teatral é bom por isso, porque ele te dá abertura para “n” leituras, “n” montagens. E como disse o grande Nelson Rodrigues: “a unanimidade é burra”, eu quero mais é criar polêmica mesmo. O importante é criar polêmica e não agradar a todos… Também não desagradar a todos (rs), não é? Não tenho medo de comparação, não. E acho absolutamente normal quando você expõe um trabalho e têm pessoas que gostam mais de uma montagem, outras que gostam mais da outra e outras que gostam das duas ou que não gostam de nenhuma. Faz parte do trabalho da gente. No começo nós falamos do desafio, do mergulho sem rede protetora, isso faz parte do processo e é fascinante, temos que estar preparados para ouvir as criticas e repensar. Aí sim chegar em uma conclusão se a pessoa tem razão ou não.

Como foi a preparação da peça para a temporada paulista?

Eu trabalhei com uma equipe maravilhosa. Maravilhosa! Tive atores fantásticos, tivemos uma química muito boa. Os atores entendiam exatamente o que eu falava e vice-versa. Além da equipe cênica, dos oito atores, minha equipe técnica também é excelente. Ivam Cabral, que fez assistência de direção para mim, nos demos muito bem, excelente profissional. O Márcio, que criou os cenários e os figurinos, entrou depois, quer dizer, ele entrou com o processo já em andamento e foi um profissional fantástico. O maestro Marcelo Amalfi que conheci neste trabalho, não o conhecia antes e foi um encontro muito legal, que a gente já repetiu em outros trabalhos. Ele realmente é muito talentoso. A Lenise Pinheiro, que fez a luz e as fotos… Teatro é difícil acontecer isso e com esse espetáculo aconteceu. Trabalhei exatamente com as pessoas que eu queria trabalhar. É muito bom e difícil de acontecer. Tenho um carinho enorme por esse espetáculo, porque foi um encontro de pessoas certas, na hora certa.

E em Motel Paraíso?

É uma delícia também, aqui eu sou só atriz, porque lá em O Santo Parto, eu produzo também. Aqui sou só atriz, eu ainda brinco: “Vocês ainda vão me pagar?” (rs). Eu só tenho que ir lá e fazer a peça. É um grupo maravilhoso. O Ben-Hur, que é o produtor, que eu já conhecia há muitos anos, fazia tempo que a gente não trabalhava junto e os atores e a equipe, que são uma delícia. O Mauro de Almeida, que eu também conheço há muitos anos, fazia tempo também que a gente não trabalhava junto.

Isso ajuda muito na química.Ajuda muito, muito. Porque aquele tal negócio, né? Como é ao vivo, então a coxia passa para o espetáculo, conseqüentemente para o espectador. O prazer que a gente tem de fazer o trabalho, de realizar o trabalho, o respeito ao palco, tudo isso passa. E quando a gente tem a felicidade, a sorte de trabalhar com um grupo que fala a mesma língua, é extremamente prazeroso.

05. Vamos falar agora de televisão. Depois de um tempo longe da telinha, você participou das novelas Cidadão Brasileiro (Record) e Maria Esperança (SBT). Como foi esse retorno?

Foi muito gostoso, muito agradável, porque fazia tempo que eu não fazia televisão. Fazia tempo que eu não fazia televisão, assim, novela.

Sei.

Porque do veículo eu não fiquei tão afastada. Sempre fazendo vídeos, vídeos internos, convenções e mesmo em televisão, programas…

[o ator Gerardo Franco canta no camarim]

(rs) Coxia é assim mesmo… programas como Sítio do Pica-Pau Amarelo, Angélica…

… Zorra Total…

… Zorra Total, enfim, fiquei muito tempo afastada foi de novela mesmo. Foi uma opção. Assumi o Teatro Paiol em São Paulo e era um trabalho enorme que eu tinha que fazer aqui. Naquela época e até um pouco tempo atrás, tudo acontecia só no Rio de Janeiro, aí tinha que largar aqui…

… ir para lá…

Não dava. São opções que a gente tem que fazer na vida, que fiz com maior prazer, foi ótimo. E esse retorno também, extremamente agradável. Fazia tempo que eu não exercia esse tipo de trabalho, é muito gostoso também, essa linguagem, os colegas. Com a gente acontece uma coisa engraçada, às vezes você fica anos, anos, sem encontrar um colega e quando retoma um trabalho, parece que você terminou o trabalho anterior uma semana antes. É uma coisa engraçada isso que acontece com os atores e é fato, acontece mesmo. Você retoma como se o tempo não tivesse passado. Isso é muito bom e essa abertura de mercado foi fundamental para todos nós, inclusive para o público. Fico muito feliz de poder participar dessa retomada. Eu tenho uma frustração que é cinema, nunca fiz longa-metragem.

Eu ia perguntar sobre isso.

Essa é uma frustração que eu pretendo terminar logo com ela (rs).

Nunca houve convite, Bárbara?

Nunca houve convite para longa. Já fiz curta, fiz em 16mm, mas longa nunca fiz. É engraçado esse negócio. Agora eu tenho a impressão que está modificando também, porque o mercado está abrindo, antes eram guetos muito fechados. Por outro lado, eu também tinha meu gueto, não posso falar nada (rs), que era o do teatro. Então, a gente trocava pouca figurinha, aí não lembram mesmo para te convidar, mas pretendo resolver isso rápido (rs).

Espero que aconteça rápido também. (rs)

06. Em Cidadão Brasileiro, você viveu Cleonice.  Já em Maria Esperança, você foi Eugênica Albuquerque. A essência das duas personagens é muito parecida.

Você acha?

Eu achei… O ator Walter Breda, em uma entrevista ao site Poucas e Boas da Mari, disse que a televisão vive de repetições. O que você acha dessa afirmação? A incomodou fazer duas personagens parecidas? Eu digo parecida é porque uma era fútil e deslumbrada, que casou-se por interesse e a outra uma mulher rica no passado e que nos últimos anos viveu para gastar a fortuna que o marido lhe deixou ao morrer.           
                                                     
Bom, neste aspecto sim. Eu li a entrevista do Breda e é claro que ele tem razão no que coloca, porque na televisão, geralmente, rotulam. Você faz um tipo de personagem, aí sempre lembram de você para fazer exatamente aquele tipo e a gente fica tentando variações sobre o mesmo tema.
Nesse aspecto que você falou elas eram muito parecidas, mas tinham essências diferentes. A essência da personagem de Cidadão Brasileiro era uma essência mais dura, tinha problemas mais sérios, ela era muito mais mal resolvida como pessoa. A personagem de Maria Esperança era muito bem resolvida, não tinha problemas com relação a isso, muito pelo contrário, vivia de ilusão, porque vivia através do cinema, né? Pelo sonho do cinema, ela extravasava toda sua frustração, vamos dizer assim. Que não era o caso da Cléo, do Cidadão. De qualquer forma, tinham a mesma essência sim, e eu acho que isso acontece muito de um modo geral na escalação da televisão. Acredito que com essa abertura de mercado isso começa se resolver também, porque quando se começa a ter concorrência, isso obriga a ter mais qualidade. O fato de ter mais qualidade, obriga a prestar mais atenção. É um processo um pouco lento, demora um “pocadinho”. A gente acaba chegando lá, porque a essência graças a Deus, continua sendo a arte e a arte vive da qualidade. Por mais que a indústria queira engolir, a arte vive da qualidade, se não deixa de ser arte. De duas, uma: ou isso realmente acontece, a arte se impõe ou então termina a arte e vira indústria pura e simples. E aí não precisa da gente, aí usa o computador e pronto.

O que você acha dessa guerra de audiência. Você acha que prejudica a qualidade das telenovelas?

Depende de como os responsáveis pelos núcleos lidam com isso, porque na verdade, acho que têm os dois lados: tanto pode ajudar, como pode atrapalhar.

Essa concorrência é maravilhosa, mas quando pensam só na questão audiência…

Então, por isso coloquei que depende das pessoas que estão nestes cargos: diretores de núcleo, diretores de dramaturgia, porque são eles que vão determinar isso. Entender que os números vem em decorrência da qualidade e isso tem um tempo. O número a qualquer preço, a qualquer custo é efêmero, ele acontece, mas ele é curto. Por isso que eu brinquei, aí vai para os computadores (rs) e resolve de uma outra forma, mas não no processo artístico.

07. Já com projetos para 2008?

Sempre! Graças a Deus sempre!

Pode contar quais são esses projetos?

Posso, posso. Estou com dois projetos de teatro para o ano que vem. Não sei exatamente quando será. São dois projetos maravilhosos. Um é como atriz, um Tennessee Williams, que sou apaixonada. Finalmente conseguimos os direitos de “De repente, No Último Verão”. E o outro, como diretora, que também acho uma delícia, estou com o espetáculo todo na cabeça, é um texto da Agatha Christie, que chama “O Hospede Inesperado”. Quero fazer um espetáculo bastante diferenciado. São esses dois projetos para o ano que vem, de teatro. Os outros depende de convite (rs).

08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Não deixem de ir ao teatro. Será sempre uma experiência inesquecível, porque você fica fechado entre quatro paredes, absolutamente cúmplice daquele momento. Então, ele jamais vai se repetir, é um momento único que será vivido naquele instante e só. E mesmo que você não goste, tenha certeza que  jamais se esquecerá.

Muito obrigada, Bárbara!

Obrigada você!

Fotos: Raoni Carneiro

 

 

Quer ter a entrevista com a atriz e diretora Bárbara Bruno em seus arquivos? Clique aqui entrevista-barbara-bruno (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

Entrevista com o ator e cantor Raoni Carneiro

November 1, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

01. Raoni, você decidiu o que queria “ser na vida” aos 13 anos de idade. O que o despertou para a profissão de ator?

Entrei de brincadeira. Falei para um cara, que era de uma grande cia de teatro da minha cidade (Itapetininga): “Se vocês precisarem de um ator profissional, estou à disposição”. Eu tinha 13 anos. Aí ele falou que tinha uma vaga, pois iria ter um teste na cia e que eu podia fazer. Fiz e fiquei apaixonado. A partir desse dia tinha certeza do que queria fazer na minha vida…

… mas você já fazia cursos de teatro?

Não, não… Não fazia nada.

Foi com a cara e com a coragem.

Fui lá de cara de pau. Era uma cia de teatro amador, não era profissionalizada formalmente. E aí foi…

E quando você chegou para seus pais e disse: “Quero ser ator”, qual foi a reação deles?

Eles foram muito legais, porque nesse tempo, quando resolvi ser ator, comecei a vir para São Paulo fazer teste em publicidade, essas coisas… Meus pais me mandaram ir atrás de uma escola, vi o Célia, prestei o exame e falei para meu pai que tinha passado. Ele falou: “Meu, se você quiser ser ator, vai embora para São Paulo, mas vá para ser o melhor e não largue os estudos”. Era a condição dele. Beleza, fui embora, larguei minha família e vim embora para São Paulo. Eu tinha 15 anos.

02. Em seu currículo estão novelas da Rede Globo (Agora É Que São Elas – 2003 e A Lua me Disse – 2005) e do SBT (Seus Olhos – 2004 e Amigas e Rivais – 2007).  Como é a receptividade do público aos seus trabalhos nas novelas da Globo e aos seus trabalhos no SBT? Tem algum diferença?

Tem, muitas. É impressionante! Quando a gente faz novela na Globo a gente sabe, quer dizer, na primeira novela eu não sabia, algumas semanas depois a gente descobre o que é. Realmente em qualquer lugar que você anda, as pessoas te param. Até acostumar com isso demora. O SBT tem outro público. Você acha que não vai dar nada e de repente as pessoas te param. O meu personagem morreu e passou um cara na rua: “Pô, não morreu?” As pessoas assistem muito, só que não tem aquele glamour que a Globo põe, que a Globo badala. A diferença na verdade é nisso, que a Globo te dá um glamour perante a profissão e o SBT surpreende. É muito legal.

03. Além da novela “Amigas e Rivais”, você está em cartaz com duas peças: “O Santo Parto”, texto de Lauro César Muniz, direção de Bárbara Bruno e “Motel Paradiso”, texto de Juca de Oliveira, direção Roberto Lage. Como você se prepara para essa bateria de trabalho, Raoni?

Pois é… é muito legal! (rs) Eu estava gravando novela, ensaiando “O Santo Parto”, apresentando “Motel Paradiso” e tenho uma banda de MPB. Teve um dia em si, que parei e pensei: “Peraí, essa vida que estou levando é a vida que sempre sonhei”. É tão difícil na profissão um ator trabalhar tanto, não posso reclamar. Tenho que matar no peito e me divertir, fazer o máximo que eu posso, hoje eu vivo do meu sonho. Cansativo? É. Exaustivo? É, mas acabo tirando de letra.

Tem confusão com os textos?

Não tem confusão de texto, mas na época do ensaio, eu vinha tanto na inércia, que tinha uma hora no meio do ensaio que falava: “Nossa velho, eu tô aqui já”. Isso, já tinha falado a metade da peça, mas… Nada que uma boa noite de sono, não resolva, né? (rs) 

04. Quase no final da peça “O Santo Parto”, você e o ator Marco Antonio Pâmio contracenam um beijo. No teatro beijo entre pessoas do mesmo sexo não é vista como uma cena ofensiva. Na TV  é diferente. As emissoras vetam esse tipo de cena, pois alegam rejeição do telespectador. Qual é a sua opinião sobre isso?

O teatro ainda é uma alternativa. A partir do momento que as pessoas sabem que tem um beijo, elas assistem sabendo que existe. Elas estão vindo por livre espontânea vontade. A TV é aberta e há no Brasil o hábito de que tudo que a televisão põe na tela as pessoas vão assistir.
Tem um pouco de hipocrisia neste sentido, as pessoas sabem que existe, mas é a sociedade que a gente vive, não tem como fugir. As três ou quatro vezes nestes últimos cinco anos que ameaçaram fazer isso deu no que falar. E no teatro dá o que falar, mas de uma maneira muitas vezes positiva. No teatro, o público vem sabendo, na televisão ele é obrigado e nossa sociedade é machista, moralista.

Você acha que vai demorar muito para ter a aceitação?

Nem sei se vai acontecer, nem sei se deve. Cada veículo tem a sua função. A televisão a gente sabe como ela funciona, né?

05. Em 2005, em parceria com o ator Paulinho Vilhena, você estreou como diretor da peça “Quarto de Estudante”, texto de Roberto Freire, com José Trassi e Marauê Carneiro. Conte um pouco dessa experiência.

Eu fiquei apaixonado por dirigir. Eu quero dirigir muito, muito, muito ainda. O mais legal de dirigir é voltar atuar depois. Não é nem você ser ator e dirigir.
A gente fez a direção de um espetáculo na cara e na coragem, não tínhamos formação para ser diretor, não estudamos para isso, a gente foi muito pela intuição e pelo que eu e o Paulinho, cada um na sua história, aprendeu com a vida. Eu como ator, dentro da minha formação, tentei levar isso para os meninos e para a concepção do espetáculo, mas depois que você volta a atuar, depois de ter dirigido um espetáculo, você começa a entender melhor o que é ser ator e o que é ser diretor. Dirigir é muito legal.

Como diretor as preocupações são maiores do que como ator?

É proporcional. Na verdade, quando você está como ator, você mergulha no seu personagem, quando você está como diretor, você mergulha no espetáculo. O ator, em um espetáculo, ele é uma das peças, você vê de outra maneira.

A escolha do texto foi sua ou do Paulinho?

Foi minha.

Por que você escolheu esse texto?

Eu já conhecia esse texto, ia fazê-lo há seis anos, não deu certo. Nasceu de uma brincadeira, como tudo que eu faço na vida. Meu irmão queria fazer um espetáculo, o Zé, que fez a peça, falou: “Vamos fazer, você arranja um texto para dois atores?” Eu falei: “arranjo”. O Paulinho estava morando na minha casa esta época, a gente começou a fazer a leitura, ele me chamou num canto: “Aí velho, vamos fazer juntos?” Eu falei: “Vamô, embora velho”. Eu não tinha a vaidade de querer ser o diretor, a gente queria era trabalhar juntos. Pegamos e montamos, foi isso que fizemos, nada mais. E foi bem, a gente fez São Paulo, fez Rio, valeu muito a pena.

06. Você solta sua voz como vocalista e líder da banda Trupe.

Eu engano na verdade. (rs)

Como surgiu a idéia de montar a banda?

A idéia? De brincadeira (rs). Eu estava fazendo novela, a Lua Me Disse, fui para uma fazenda de uns amigos, que são músicos, compositores e vi uma molecada, bem mais nova que eu, fazendo música. Falei: “Meu, vamos montar uma banda?”, “Vamos”. Duas semanas depois, nós tínhamos um show marcado e fizemos a banda. O show deu certo e tinha um cara que quis comprar uma temporada e eu aceitei. Acabou que surgiu a Trupe e estamos até hoje, há dois anos.

Trocaria a carreira de ator para se dedicar a música? Ou isso é mais uma descontração que um trabalho?

Não existe essa possibilidade. Eu não troco uma pela outra, porque elas são completamente compatíveis, cada vez mais eu descubro isso.

Você canta na peça “O Santo Parto”.

Engano também. (rs)

Tem a ver por que sabiam que você cantava?

Teve. Quando a Bárbara me chamou para fazer a peça, eu tinha um show marcado e ela foi ao show me assistir cantar. Daí ela viu e acho que resolveu encarar. (rs) Eu apanhei um pouco no espetáculo, porque venho há dois anos cantando com microfone, com uma estrutura de banda. Voltar a cantar no teatro é outro estilo de canto. Então, no começo você “sambeia”, mas depois você tira de letra.

07. Tem mais algum projeto ainda para esse ano?

Para esse ano? Chega! (rs)

E para o ano que vem?

Para o ano que vem tenho bastante. Projeto a gente sempre tem.

08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Que bom que vocês acessam o site, que tem uma abertura para esse tipo de profissional. É super legal que as pessoas se interessam por esse tipo de entrevista ou de matéria, acho que nem tudo está perdido, né? Continue sempre com essa iniciativa.

Fotos: Verônica Gentilin

Quer ter a entrevista com o ator Raoni Carneiro em seus arquivos? Clique aqui Entrevista com Raoni Carneiro (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

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