Luciana Mello e Jair Oliveira gravam “O Samba me Cantou”
February 9, 2009 by Mari Valadares
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No dia 08 de fevereiro, domingo, os irmãos Luciana Mello e Jair Oliveira gravaram o dvd “O Samba Me Cantou, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. O projeto contou com a participação de Jair Rodrigues, Cláudio Lins, Skowa, Mariene de Castro e Anna Luiza.
No show foram reunidos clássicos do samba, como Desde que o Samba é Samba (Caetano Veloso), Ninguém Tem que Achar Ruim (Ismael Silva), Rosa (Pixinguinha e Otavio de Souza). Além dos clássicos, a dupla cantou sambas mais novos, como o Samba da Doca, de autoria de Jair Oliveira em parceria com o cantor Seu Jorge.
Vejam alguns momentos da gravação:
As imagens pertencem ao site Poucas e Boas da Mari. Proibida a cópia sem autorização
Luciana Mello e Jair Oliveira no Tom Jazz
September 7, 2007 by Mari Valadares
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“O Samba me Cantou”. Esse foi o nome do show que os irmãos Luciana Mello e Jair Oliveira apresentaram no dia 07 de setembro, no Tom Jazz, em São Paulo. No show, um projeto de samba, Luciana e Jair interpretaram várias gerações de “compositores e bambas”, para mostrar que “o samba não morreu e nunca morrerá”. Além de composições de Jair Oliveira, os irmãos cantaram músicas de Ismael Silva, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Clara Nunes, Pixinguinha, Seu Jorge, entre outros. O PBM foi lá conferir. Assistiu a uma apresentação cheia de afinidade e beleza. E comprovou, que “quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”.
Veja alguns momentos do show “O Samba me Cantou”, com Luciana Mello e Jair Oliveira:
- Mari V. LM, Dê Fujimoto e Jair
Fotos: Mari Valadares, Dê Fujimoto, Ike Levy
1 ano: Entrevista de aniversário com o cantor Jair Rodrigues
October 21, 2006 by Mari Valadares
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“Antes de começar a entrevista, eu quero parabenizar você por esse um ano de blog, por esse um ano de trabalho, continue assim.”
Obrigada!
01. Jair, vamos fazer uma viagem no tempo. Voltaremos a 1966, 40 anos atrás, em que a música “Disparada” de Geraldo Vandré e interpretada por você, ganhou junto com a música “A Banda”, de Chico Buarque, o II Festival da MPB da TV Record. Esse empate marcou a história dos Festivais. Havia um boato que o verdadeiro resultado dava a vitória para “A Banda” e que Chico tinha se negado a receber o primeiro lugar sozinho. Fale um pouco sobre isso.
Gozado, viu Mariana? Na época eu não fiquei sabendo disso quando estava lá. Só me chamaram e falaram: “fica aí, que você foi para a final” e chamaram o Chico e falaram a mesma coisa. Aí apresentaram o quinto, o quarto, o terceiro lugar, que fui eu também, né? Eu estava defendendo duas músicas, “Canção para Maria” (Paulinho da Viola e Capinan) e Disparada (Geraldo Vandré e Théo de Barros).
Foi aquele empate, aquela coisa maravilhosa. Achei super legal, foi a mãe dele, foi a minha mãe, eu abracei o Chico, todo mundo se abraçou e foi bom pra todos. E agora, mais recente, eu li o livro, acho que do Zuza Homem de Mello e ele comenta sobre isso, que o Chico falou que não entraria no palco para receber o prêmio sozinho, que aquilo ia dar merda. Os jurados queriam a vitória da música “A Banda” e o povão queria a “Disparada”.
Para a minha felicidade, eu tenho um amigo que se chama Rubinho, um dos componentes dos “Originais do Samba”, que me deu uma fita de vídeo daquele tempo dos festivais. Quando vi, não sei, me confundiu mesmo, não sei se o Chico falou aquilo, lá na fita não está isso não. Lá na fita está o Randall Juliano dizendo: “E agora vamos chamar o primeiro lugar, o Jair Rodrigues, que defenderá a ‘Disparada’ e o Chico Buarque, que defenderá ‘A Banda’, as duas em primeiro lugar.” É isso aí.
02. Entrevistá-lo e não falar de Elis Regina é impossível. Foram anos de convivência.
Eu gosto, porque Elis e Jair e Jair e Elis, nós fizemos na época o programa O Fino da Bossa e acho que uns dois meses antes do programa, a gente fez um show juntos, eu, ela e o Jongo Trio, no teatro Paramount dia 8, 10 e 11 de abril de 1965. Daquilo foi transformado em disco, que vendeu para mais de 1 milhão de cópias. Então, tem quem falar mesmo. Acredito que enquanto ela vida teve, também era muito difícil falar de Elis e não falar de Jair.
Como citado, vocês apresentaram o famoso programa musical “ O Fino da Bossa” (65), na TV Record, que durou quase três anos e lançaram os discos intitulados “2 na Bossa”. Mas vocês tinham medo dessa parceria virar dupla, pois tinham a necessidade de seguir suas carreiras solos. Esse foi o maior motivo para o “fim” da parceria?
Quando a gente entrou para apresentar o programa, a gente entrou de cabeça. Era Jair e Elis, Jongo Trio e mais convidados: Jorge Ben Jor, Wilson Simonal, Peri Ribeiro, Claudete Soares, Cláudia, Maria Odete. Era um programa feito em prol da música popular brasileira. De repente alguém sentiu que a gente estava virando dupla e os empresários… A Elis tinha o dela, o Marcos Lázaro, e eu tinha os meus, a dupla já falecida Venâncio e Corumba, depois o Venâncio não agüentou as tantas viagens e ficou só o Corumba. Os empresários conversaram, porque nós tínhamos nossa carreira solo. Muito antes do Fino da Bossa, muito antes de Elis, muito antes de Disparada, eu vinha de um sucesso estrondoso de 1964 e até hoje, se eu não falar e depois cantar essa música, não fiz o show, que é “Deixa que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá…”, de Alberto Paz e Edson Menezes. Elis estava vindo de um festival de 1965, com a música de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, “Arrastão”. E aquilo começou a atrapalhar os empresários a vender nossos shows separados, os caras não aceitavam Jair sem Elis e vice-versa. Quem estava sendo prejudicado eram os empresários. E a gente por um lado também, porque de qualquer forma tínhamos nossas contas para pagar e só aquele dinheiro do contrato do Fino da Bossa, no fim da TV Record, não dava.
Esse negócio de dupla foi ficando chato, mas também não foi a gota d`água. A gota d`água é que a gente começou a viajar lá para fora, tivemos em outros paises, como Portugal, a gente foi fazer um show no “Casino Estoril”, África – Luanda e Angola. Quando a gente chegava ao Brasil, tinham outras duplas apresentando O Fino da Bossa. Então, o público começou a não ir, pois queriam ver Elis e Jair. Quando um programa é feito com uma pessoa, duas ou um monte, o pessoal acostuma e o povo estava acostumado, queriam ver Elis e Jair, Jair e Elis. E o programa foi decaindo na audiência, não de qualidade, porque lá era um caldeirão de qualidade.
Começou a concorrer com o programa do Roberto Carlos, né? O Programa da Jovem Guarda.
É, tinham essas concorrências. Houve outros programas, ficou dividido e isso não foi bom para o Fino, que começou a ter quedas de audiência, quedas de 70, 80%. 
Você acha que hoje um programa do estilo do “O Fino da Bossa” daria certo na programação da televisão brasileira?
Tenho certeza absoluta que daria, porque tem uma nova geração sem espaço para mostrar o trabalho. Cito os meus filhos, o Jairzinho e a Luciana que estão sem espaço. Você quase não os vê na televisão. Só tem aquela programação de fofoca, uma programação horrível. E as músicas deles que tocam no rádio, AM e FM? Tem pouquíssimas, a maioria toca na madrugada, horário que ninguém ouve e durante a programação diária só fofoca, violência, baboseira. Por isso, não só do tipo do Fino da Bossa, mas um tipo de programa democracia geral musicalmente. Já me convidaram tantas e tantas vezes para fazer um programa especifico: um só de samba, ou um só sertanejo, ou só… Graças a Deus, eu tenho uma linhagem de discos assim de todas vertentes da música brasileira. Eu digo que não quero fazer programas específicos. Democracia geral! Todo mundo! É a música, né? Vem lá do norte, vem lá do sul, vem lá de fora, canta isso, canta aquilo, fica tudo bem. Então, está precisando realmente desses musicais, para que esse pessoal do rádio pense mais um pouquinho, porque não é possível dizer: “o público gosta disso…” Gosta “coisíssima” nenhuma! Eles querem empurrar essas porcariadas no ouvido do pessoal.
03. Já que você falou de suas vertentes… Sua carreira como cantor vai do samba a bossa nova, da seresta ao chorinho, do samba enredo a músicas de festivais, do sertanejo ao rap. Você incorporou ao seu trabalho quase todos os estilos musicais que a música brasileira tem. De onde vem essa versatilidade? E qual estilo que te deixa mais à vontade?
Essa versatilidade veio da noite. Eu não surgi de uma hora para outra, antes de gravar o primeiro disco, antes de aparecer na televisão, no rádio, eu cantava na noite, fui crooner. Na noite você canta com orquestra, você canta com violão e voz, com piano e voz, canta só com quarteto, trio, de todo jeito. E você está cantando, vêm pessoas lá e fazem pedidos de músicas que te deixam de cabelo em pé. Não é o meu caso, né? (rs) Eu não tenho cabelo em pé. (rs) Mas eu fazia o seguinte: quando um freguês pedia uma música que eu não sabia, eu dizia: “Você volta aqui amanhã, que eu canto essa música para você, não quer ouvir outra?”. Aí ele dizia outra que eu conhecia e se ele dissesse alguma que não conhecia de novo, dizia que ia aprender também. Então, é isso. Eu vim dessa forma. Cantei tudo, tudo. Eu não sabia nem inglês, mas a gente ficava olhando no papel e cantava (rs). Aquele “portuinglês”.(rs)
E o ritmo que mais me deixa feliz… Fico feliz com todos, mas o que está mais dentro de mim é o ritmo de samba. As primeiras vezes que eu fui ao exterior, notei que o samba, aquele samba rasgado, tipo “Aquarela do Brasil”, “Tristeza” e “Boi da Cara Preta”, aquele sambão, tipo sambas enredo… A gente tem vários estilos de samba: samba estilizado, samba bossa nova, samba sambão, samba médio, samba puro, feito de cavaco, surdo, pandeiro, tamborim, enfim… Sempre que fui para o exterior, que a gente começava a cantar, via que já aparecia à brasilidade. Bandeiras do Brasil, gente vindo de todos os lados cantando. E não só por isso, mas também, quando eu cantava na noite o ritmo que mais cantava era o samba mesmo.
Comparando o Brasil com países do exterior, você sente diferença na aceitação da música popular brasileira?
Olha, voltei do exterior há quase um mês (teatro do Châtelet, em Paris). Estive com 57 artistas, entre músicos, bailarinas, capoeiristas, cantores: Elza Soares, Alaíde Costa, um cantor muito bom do Rio, Marquinho Santana, sob a regência, direção e produção de um grande, chamado Cláudio Segovia e fomos mostrar a música brasileira na sua essência, desde 1920, até antes um pouco. Notávamos que o pessoal está acostumado com “auê”, mulatas, desculpe, de bumbum de fora, de peitão caído (rs), fazendo a graça do gringo. Tinha gente que levava confete e serpentina, achando que aquilo seria um “bundalelê” e quando entrávamos no palco, eles viam que não era isso.
Então, a gente percebe, que a música que acontece lá fora, não é axé, não é pagode, não são essas que estão tocando agora. Não! Ainda tinha Alaíde Costa para cantar bossa nova, como “Chega Saudade”, a Elza, eu cantando os meus sambas.
Essas músicas dos “tempos do Zagaia” quem as plantou lá foi Carmen Miranda, João Gilberto com a bossa, Agostinho dos Santos, meu ídolo eterno e muitos outros. Sempre notei que são essas músicas que pode se cantar tranqüilamente lá fora. Não se trata de saudosismo, se trata das qualidades, que essa nova geração está fazendo e o que falta é esse espaço, para que outras músicas possam acontecer lá fora. Por enquanto, nada acontece.
04. Você já trabalhou com seu filho; o músico, compositor e cantor Jair Oliveira. Ele fez composições e produções para seus trabalhos. Mas essa parceria não fica só com o filho. Você gravou também com sua filha, a cantora Luciana Mello, no cd Alma Negra (2005) uma faixa que leva o mesmo nome. A relação “pai e filhos” é esquecida durante a produção dos trabalhos?
Antes de eu ter trabalhado com os dois, os dois já trabalharam comigo. De repente Deus deu esse talento para os dois, o dom de cantar. Às vezes o cara tem a mania de dizer: “eu não canto, mas quando vou aprender cantar…”. Cantar não se aprende, se desenvolve. Tem um negócio de entrar em escola para aprender a cantar. Que isso? Aprende-se como dizer, como respirar, mas se você não tiver voz, não tiver “queda” não adianta. Escola não adianta nada. Você aprende música, né? Música você aprende na escola e de repente Deus esse dom pra mim e para eles.
Primeira vez que o Jairzinho gravou foi uma música chamada “Deus Salvador”, nos anos 80. A primeira vez que a Luciana gravou foi uma música chamada “Filho do Seu Menino”, também nos anos 80.
Quem cuidou deles foi praticamente a Clodine, do nascimento até uns 2 anos. Agradeço a Deus todo momento da minha vida, porque é uma coisa muito difícil quando você não pode estar sempre junto com os filhos. Quem viaja muito, como é meu caso, fica difícil. Aí, quando eles começaram a falar, a gente saia junto, viajava juntos, eles começaram a cantar e eu pude dar um pouco de educação também, conselhos. Pedia para os dois, meninos ainda, me anunciar e eles diziam: “Senhoras e senhores, boa noite, com vocês o meu pai, Jair Rodrigues”. Maravilha, né? Hoje, nada atrapalha, eles têm a carreira deles. O Jairzinho não teve aquela queda de fazer as mesmas coisas que eu faço, a Luciana faz diferente do Jairzinho. Eles têm voz própria. Onde quer nesse mundo de Deus que você ouvir a voz da Luciana, você sabe que é ela. Ela teve a felicidade de se livrar da presença de outras cantoras na voz dela e o Jairzinho também. Ficamos um determinado tempo sem fazer nada juntos e às vezes eles faziam shows e me convidavam. Eu fui deixando de lado isso para não ficar aquele negócio: “Só a família”. Deixa-os fazerem o trabalho deles, cada um faz a tua carreira. Agora a gente canta e faz show juntos, porque não vai ter aquilo: “Filhos do Jair Rodrigues”. Cada qual com o seu talento. Tem gente que fala: “Luciana Mello é sua filha?” eu pergunto o porquê e eles dizem: “Porque é diferente, ela assina como Luciana Mello, não usa Rodrigues” e eu falo que Mello vem da mãe, a Clodine.
Tanto que o primeiro cd da Lú, ela usava o nome Luciana Rodrigues.
Pra você ver que ela não gostou, não por causa do nome, mas porque foi baseado naquilo que faço e não era bem a praia dela. Achei a Luciana super bacana, porque mesmo as músicas que ela não é muito afim, ela gravou. Hoje, se não é um tipo de música que ela não queira gravar, ela não grava. Ela já foi convidada tantas vezes para gravar coisas mais “popularescas” e ela não aceitou. Tanto ela, quanto o Jairzinho.
Você dá palpite no trabalho deles e vice-versa?
Com certeza! Não é palpite, a gente conversa. A Luciana fala: “Pai, por que você não grava…?” Ela escuta e dá a sugestão para eu gravar. Daí eu falo: “Então, você não sabe, porque eu já gravei.” (rs) Eu tenho 44 discos, né? Aí, ela vai mexer nos meus discos e acha. E eu faço a mesma coisa. Às vezes eu pego uma música antiga, música de outras cantoras e mostro para ela.
05. Em uma entrevista a revista Veja (outubro de 2005), o cantor Fagner elogia a Luciana, quando perguntaram a ele qual filho de artista, que seguiu o mesmo caminho dos pais, que ele admirava. “A filha do Jair Rodrigues é fantástica. Ela canta bem e é linda”, disse.
E não é verdade? E não é verdade? (rs)
Com certeza! (rs)… Anterior a essa pergunta, apesar de dizer que ela é uma gracinha de menina, o cantor critica a cantora Maria Rita, filha de Elis, dizendo que o maior apelo dela é a mãe. Não só Fagner, mas outros críticos dizem a mesma coisa sobre Maria Rita. Qual a sua opinião sobre isso?
Eles mesmos que criaram a Maria Rita desse jeito. Quando a Maria Rita veio aqui em casa a primeira vez, ela nem cantava ainda, disse que estava fazendo jornalismo. Eu até brinquei com ela: “Por que você não canta?” e ela me disse que não queria, para não ser a “filha de…”. Quanto menos espero, ela está se lançando como cantora, eu vou ouvir o disco, tudo parecido com a mãe. Se a mãe estivesse viva gravaria, o mesmo estilo, os mesmos autores. Alguém enfiou aquilo na cabeça dela e acho que imatura, acabou entrando nessa. E eu percebo que ela tem “uns quês” de coisas dela, sem ter que ter ido para o lado da mãe. No show que fui assisti-la cantando, foi no lançamento do primeiro disco.
Eles mesmos criaram, por que tem que criticar? Hoje, eu noto que ela está querendo sair fora de tudo isso, mas está difícil, porque a curiosidade do povo em relação ao primeiro disco foi aquela coisa e os caras iam não para ver a Maria Rita e sim, para ver a filha da Elis. E ela entrou naquela de cantar tudo igual, até o gestual da mãe. Eu fico com pena, porque ela tem um grande potencial de voz e tem tudo para poder sair. É só mudar o repertório, gravar coisas lindas maravilhosas que tem por aí e fazer outro tipo de show. Eu soube que o Lenine estava produzindo o segundo disco, depois que ele viu que estava sendo igual de novo, ele deu uma saída. Mas quiseram que ela fizesse um disco na mesma base do outro, porque vendeu. Vendeu porque havia curiosidade.
Eu gosto da Maria Rita cantando, ela tem muitas qualidades. E ela não é igual à mãe, ela é muito mais tímida, do que era Elis. Elis era uma mulher que não tinha papas na língua não, ela falava mesmo o que ela achava. Só havia um respeito mútuo entre a gente muito grande.
A gravadora quer uma coisa, ela quer outra, está aquele impasse. Acho que a gente não deve criticar, vamos ajudá-la, né? Se ela fizer tudo diferente da mãe, ela não será lembrada como a filha da Elis. Claro que de qualquer forma vai ser lembrada, porque é filha. (rs)
Essa imaturidade com o tempo ela vai perdendo e com o tempo vocês terão uma Maria Rita mais maravilhosa do que já é.
06. Este ano, você foi homenageado na IV edição do Prêmio TIM.
Eeee beleza! (rs)
De acordo com a sua esposa e empresária Clodine foi a primeira vez que você foi lembrado e que ainda não tinha recebido uma homenagem assim. Jair, você acha que homenagens demoraram a chegar?
Quando eu subi ao palco para receber a homenagem, eu me lembrei da música do Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito: “Sei que amanhã quando eu morrer, os meus amigos vão dizer que eu tinha um bom coração, alguns até hão de chorar e querer me homenagear, fazendo de ouro um violão, mas depois que o tempo passar, sei que ninguém vai se lembrar que eu fui embora, por isso é que eu penso assim, se alguém quiser fazer por mim, que faça agora.” (rs) O povão se levantou e aplaudiu. (rs) Eu e Nelson Cavaquinho, sempre que a gente se encontrava, ele dizia: “O cachorrão, quando for fazer homenagem a você, se fizer homenagem, eu não quero homenagem depois que eu morrer não, que faça enquanto a gente está vivo.” E graças a Deus isso aconteceu. Zé Maurício Machline, que é o mentor do Prêmio Tim, ele sempre falava: “Uma hora vou começar a fazer as homenagens aos compositores, os cantores em vida.” Praticamente eu puxei a corda dos cantores e eu fiquei muito feliz. Emoção maior igual aquela vai demorar muito. O interessante é que eu estava na Espanha, eu voltei para receber o prêmio e depois fui à Inglaterra. Uma semana depois lá na Inglaterra, os ingleses olhavam e me davam os parabéns pelo prêmio. Não tem nada melhor que receber uma homenagem em vida, com os filhos presentes e com os amigos. Ninguém arredor o pé da festa. Todos os artistas que foram premiados, todos estavam na platéia. Eu falei que ia receber o prêmio e ficar cantando para poucos, mas me enganei. Quando eu subi no palco, olhei a platéia, o teatro Municipal do Rio estava lotado.
Eu tenho um amigo, Armando Pittigliani, que foi diretor musical, produtor da Phillips, PolyGram, hoje Universal e ele foi lá e disse: “Parabéns e eu vou dizer até uma coisa. Agora eu acredito que esse país tem memória.” Então, tô no céu! (rs)
07. São mais de 40 anos de carreira e mais de 44 discos lançados. O que vem pela frente?
Mais discos, né? A vida da gente é cantar, fazer shows. Eu sei que hoje, por exemplo, eu não dependo de ter músicas tocando ou não. Eu estou em um patamar na carreira, que hoje é só administrar tudo isso.
Tem esse pessoal da nova geração que querem saber coisas sobre mim, como é que eu fiz para me tornar o que sou dentro da música. Faço parte dessa coisa bonita que é a música popular brasileira com muita luta. Hoje só administrar. Mas se a gente tiver disco novo, melhor, né?
08. Uma mensagem para os freqüentadores do blog “Poucas e Boas da Mari”.
“Gente boa do “Poucas e Boas da Mari”, o blog da Mariana, um abraço para vocês. Lêem mesmo esse blog, porque é tão legal quando as pessoas, por exemplo, essa jovem menina bonita está aqui me entrevistando. Falei muita bobagem, mas também falei muita coisa boa, aproveitem tudo isso. Um grande abraço e um beijo em todos vocês. Aaaeeee blog bom!!!”
Fotos: Mari Valadares, Rosângela, Mari Leighton e Reprodução
Jair Rodrigues cantando “Disparada”
Quer ter a entrevista com o cantor Jair Rodrigues em seus arquivos? Clique aqui entrevista-com-jair-rodrigues (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)
Expo-show: Ike Levy e Jair Oliveira
October 17, 2006 by Mari Valadares
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Aconteceu no dia 17 de outubro de 2006, a expo-show do fotógrafo Ike Levy e do cantor Jair Oliveira, na casa de shows NaMata Café, em São Paulo. As fotos expostas foram tiradas por Ike para o cd “Simples” de Jair, o mais novo trabalho do cantor, que logo após a exposição, fez um show simplesmente perfeito, com participação da irmã, a cantora Luciana Mello e do paizão, Jair Rodrigues.
Ike Levy conta ao “Poucas e Boas da Mari” como surgiu a idéia da “expo-show” e o processo de produção das fotos do cd “Simples”, do cantor Jair Oliveira.

Mari com Ike Levy
01. Como surgiu a idéia de fazer o show do cantor Jair Oliveira junto com a exposição das fotos tiradas por você para o novo cd dele, “Simples”?
No ano 2000 eu fiz a exposição “20 beijar” no “Na Mata” que é uma casa muito bacana, tem um ótimo restaurante no primeiro ambiente, uma galeria de fotos em cima do restaurante e um lugar para shows na parte de trás, o “Na Moita”. Um lugar perfeito pra essa expo-show. Falei com o Cliff que é o dono e ele adorou a idéia.
02. Por que as fotos são todas em pb?
Eu, o Jair e a Camilla tivemos um papo sobre uma linguagem para a capa e encarte do cd e optamos pelo pb, além de ser artístico é simples. A Camilla Sola é designer e fez um trabalho impecável. Essa parte é fundamental ser bem feita, porque pode tanto valorizar como estragar totalmente as fotos.
03. Como rolou o convite para produzir as fotos do cd Simples?
Um dia eu estava lá na produtora “S de Samba” e disse pro Jair que queria fazer as fotos desse trabalho. O Jair chega a ser engraçado com essa calma e praticidade em resolver as coisas. Eu acho que ele gostou de outros trabalhos feitos por mim e confiou.
04. New York foi o “cenário” escolhido para a realização desse trabalho. Por quê?
O cenário acabou sendo NY. Não foi combinado. A gente estava lá e resolvemos fazer um teste pra ver se era esse o caminho à seguir. Entreguei as fotos pra ele dar uma olhada e no dia seguinte perguntei o que ele achou… foi aí que ele respondeu: O material está pronto, é isso aí! Como o samba está muito presente nesse CD, fizemos um complemento das fotos aqui no Brasil. Fotografei alguns instrumentos bem brasileiros.
05. A música, que leva o mesmo nome do cd, fala das coisas difíceis utilizando a palavra simples, como oposição: “É simples, como fazer gols iguais aos de Pelé”. O Jair, durante a viagem, pediu que você tirasse fotos de coisas simples da vida. A intenção era contrapor o “simples” com as citações complexas da música?
O briefing foi: fotos espontâneas do Jair e de coisas simples do nosso dia a dia em pb. Como eu já disse a você em outra entrevista que as minhas melhores fotos são as que tem menos produções, adorei fazer esse trabalho! O Jair consegue ser simples e dizer muito! Mas para entender de verdade esse “Simples…”, tem que ouvir o CD e se quiser uma confirmação ainda mais fiel, só indo ao show.
Valeu Jair Oliveira!
Ike Levy
As imagens pertencem ao site Poucas e Boas da Mari. Proibida a cópia sem autorização
Entrevista com a cantora Luciana Mello
April 10, 2006 by Mari Valadares
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01. Você nasceu no meio musical. Até que ponto ser filha do Jair Rodrigues influenciou na sua escolha profissional?
Eu comecei com ele aos cinco anos de idade. Ele me deu esse “empurrão”. Não digo só meu pai, mas minha mãe também. Meus pais repararam bem nos filhos, no que a gente gostava de fazer. Desde muito cedo eu fui para aula de canto, aula de dança, que era o que mais gostava. A minha primeira gravação foi com o meu pai aos seis anos de idade. Acho que ele viu e falou: “Você quer gravar uma música comigo?”, eu: “Aí, quero, quero”, criança, né? Aí eles viram que eu tinha talento. Apesar da voz de criança, eu não desafinava. Então, foi uma influência dele também, mas não foi por causa dele, senão eu não estaria aqui hoje se não fosse por minha força de vontade.
02. Aos 15 anos, adotando o nome Luciana Rodrigues, você fez sua estréia em disco solo (1995). Em 2000, você lança seu segundo trabalho solo, “Assim Que Se Faz”, com o nome Luciana Mello. A mudança de nome para Luciana Mello foi para desvincular sua carreira da do seu pai e do seu irmão, Jair Oliveira ou o mercado a “forçou” mudar?
Na verdade, foram algumas coisas. Luciana Rodrigues era um nome muito grande eu achava. Enquanto meu irmão escrevia Jair Oliveira rápido, eu demorava uns três autógrafos para escrever o que ele escrevia em um (rs). Também tem essa coisa de não associar muito o nome com o do meu pai, sempre quis ter minha própria carreira, independente se meu pai e meu irmão eram músicos, eu queria mostrar minha musicalidade, o que eu gostava de fazer. Daí eu fiz numerologia para saber e Mello é do meu nome, é o nome da minha mãe. E aí, eu falei: “Vou usar o Mello, já junto o útil ao agradável”. (rs)
03. Esse cd de 1995 (“Luciana Rodrigues”) não é muito comentado pela grande mídia. O que faltou: divulgação? Gravadora forte?
Foi meu primeiro cd. Ele foi independente. È muito engraçado como o mundo dá voltas, porque naquela época era horrível sair independente. Caramba! Era a pior coisa. Hoje é a melhor coisa do mundo você sair, que é o disco que estou fazendo agora vindo de lá pra cá. Na época foi até engraçado, porque nós ensaiamos o show e não conseguimos fazer um show ao vivo. A gente fez todos os programas de televisão, foi até engraçado. A gravadora a gente fez independente, gravamos no Mosh, em São Paulo e depois vendemos para a MoviePlay na época. Mas foi legal, acho que isso faz parte do trabalho. Aquele disco eu adoro, acho que foi um pouco de minhas influências, eu estava meio que fazendo um laboratório. Primeiro disco solo, então você faz meio que um laboratório das coisas que você gosta de fazer. Eu curto muito samba, aquele disco tem um pouco mais de samba de roda, estilo Clara Nunes, mas tem também a soul music, tem a música do Max de Castro, do Ben Jor. Particularmente eu gosto bastante daquele disco. Claro, mudei muito, né? De 11 anos pra cá a voz mudou bastante, o estilo, a roupagem, aí vem toda uma outra tecnologia que você pode usar. Foi mais em função disso mesmo: o que naquela época não funcionava que era o independente, hoje em dia é o que mais funciona.
04. Em 1999, você, Jair Oliveira, Simoninha, Pedro Mariano, Max de Castro e Daniel Carlomagno fizeram um show no Blen Blen, em São Paulo, que ficou conhecido como “Projeto Artistas Reunidos”. Todos são filhos de cantores, menos o Carlomagno. Como se deu essa relação de vocês?
Cara, é muito engraçado, começou assim: na época que eu estava gravando meu cd “Luciana Rodrigues”, o Pedro estava gravando o primeiro cd dele, no mesmo lugar e o João Marcello, que é irmão do Pedro, estava produzindo o disco do Pedro. Daí eu sai para tomar uma água, saímos (ela e o Jair) do estúdio e encontramos com eles. O João falou: “E aí Jair, o que você está fazendo aqui? Você não estava em Boston estudando?”, ele falou: “Tô, tô produzindo o disco da minha irmã”. Daí nos conhecemos assim. Meu irmão já conhecia o Simoninha, por causa dos nossos pais. Uma vez eu lembro, o Simoninha, muito tempo atrás, entrou em contato com meu pai para fazer um show beneficente para o pai dele que estava muito doente na época. O João, Simoninha, Pedro e o Max já se conheciam há muitos anos, a gente entrou naquela época ali, 90 e pouco. Eles jogavam futebol na minha casa todo sábado e o Daniel Carlomagno também fazia parte dos amigos ali. Ele era amigo de escola do João, fizeram uma banda juntos, coisas assim. Começou como num jogo de futebol, não tinha nada a ver com nada. Daí final de jogo, final de tarde…pô, tinha bateria na casa do meu pai, baixo, violão, a gente sempre mostrava alguma coisa um para o outro. Um dia o Simoninha foi fazer um show no Supremo e convidou a gente para participar e disso, a mulher falou assim: “Adorei vocês todos juntos, que tal se a gente fechasse quatro shows aqui no Supremo com todo mundo?” Eu nem fazia parte dos Artistas Reunidos, eu era convidada do dia. Tinha assim: umas cinco pessoas, umas sete da família (rs), estava super vazio. A gente chamava de “família madeira” (rs) – cadeira, mesas, todo mundo ali (rs). Na semana seguinte eu fui para assistir e as poucas pessoas que tinham ido na semana anterior, falaram: “Poxa, chama a Luciana, canta aquela música que vocês cantaram semana passada” e por um acaso foi “Simples Desejo”, uma das músicas que não vou poder nunca deixar de cantar. Daí, fui fazer parte dos Artistas Reunidos, porque fui na outra semana também. O que era para ser quatro shows virou, sei lá, milhares. A gente dobrava às vezes, porque ficava gente para fora, daí o Supremo começou a ficar pequeno. Mudamos para terça-feira no Blen Blen, que era um lugar que cabia 800 pessoas e quando a gente gravou deu 1000 e tantas pessoas na casa. Foi muito bacana, mas foi uma coisa assim, coincidência total, coisa de jogo de futebol, não tinha nada a ver com música e foi vindo a música. Então, foi tudo muito natural. Eu acho até uma injustiça, que a mídia fala que é uma panela, absolutamente nada a ver. Começou com uma outra historia que não tinha nada a ver com “vamos nos juntar para fazer isso”, foi um show que o Simoninha foi fazer e chamou a gente para ir lá.
05. Há uma relação de trabalho entre você e seu irmão super positiva. Jair Oliveira é produtor dos seus discos, você grava composições dele, vocês fazem shows juntos. Você acha que essa parceira só dá certo porque ele é seu irmão? Por que ele te conhece super bem?
Eu e o Jair acho que é um misto de tudo isso. Acho que se a gente fosse irmão e não se desse bem, não ia acontecer nada também: ele não ia conseguir me produzir, a gente ia brigar o dia inteiro, não ia dar certo. Eu e o Jair sempre tivemos uma relação muito boa, desde criança, até as pessoas falam: ”Que irmãos são esses? Não brigam?”. A gente nunca brigou, muito raro, acho que a última vez que a gente brigou eu tinha sete anos de idade. É uma pessoa que eu confio muito, cresceu comigo, obviamente, né? E a gente trocava, sempre, até hoje troca muita figurinha. Quando ele foi para Berkley fazer faculdade, ele me mandava um monte de coisas de lá. Ele me conhece muito bem, conhece meu gosto musical, então assim, fica mais fácil de trabalhar. É óbvio que quando você trabalha com uma pessoa que pelo olhar você já sabe o que a pessoa quer, o negócio flui muito rápido. E nesse negócio de gravadora, as coisas têm que fluir muito rápido, tudo é para “ontem”, tem que fazer tudo com muito urgência. L.M. foi feito em três meses, para um disco é muito curto o tempo. Você tem que fazer a pré – produção, que é a escolha do repertório, que demora pra caramba, tem que fazer a produção, depois a mixagem, a masterização, isso é um processo muito demorado. Acho que se não tivesse sido o Jair e o Otávio de Moraes também, que é um grande produtor que trabalha com a gente desde os Artistas Reunidos, ele era o baterista da banda, não teria saído nada, entendeu? É uma pessoa muito mais fácil de trabalhar e a gente se dá muito bem, ele sabe o que eu gosto. Quando mandam música pra ele, ele sabe que eu não vou gostar, ele me mostra, mas fala que não é a minha praia e o contrário também. A gente trabalha muito bem juntos e eu gosto. Eu falo para ele: “Só vou viver livre de você quando você falar não quero mais, nunca mais”. (rs)
06. Da Trama para gravadora Universal. Por que a mudança?
As pessoas acham que foi tudo muito fácil, mas é tudo com muito trabalho. O “Assim que se faz” só estourou quase um ano depois. Gravei em 1999 e ele estourou em 2000. Ali que as pessoas conheceram a Luciana Mello, então não sabiam, achavam que eu nasci do nada, entendeu? E antes disso tem toda uma história, tem um disco antes, que muita gente não conhece. Faço até questão de colocar isso no meu site para as pessoas saberem que não é assim “nasce do nada”. Lá na Trama em relação ao “Assim que se faz”, seis meses depois, falaram: “Pô Lú, é um disco perdido”. Aquilo me partiu o coração, é como se você tivesse um filho e falassem que você teria que dar, porque não rola. De repente uma rádio, que nem existe mais no Rio (Rio de Janeiro), que era Jovem Rio inclusive, o cara gostou, fez um remix da música e lançou na programação dele, sem jabá, sem nada disso. Ele lançou, porque ele gostou e começaram a gostar, começou tocar pra caramba na rádio e estourou em todas as rádios. Aí, depois não falaram mais que o disco foi perdido (rs). Pô, coisa chata a gente escutar isso! Mas eu não queria mudar de gravadora, na verdade eu queria ficar. Eu fui mudada, eu falo. Eles foram conversar com o pessoal da Universal e quando eu vi eu já fazia parte do casting da Universal. Eu falei: “UAU, ta bom, legal”. E eu sou muito assim, acho que tudo vai dar certo, costumo achar que todas as coisas vão dar certo, então, se eu tenho que falar com outro diretor, eu vou me virar e falar com outro diretor. Não saí brigada de jeito nenhum da Trama, só levei um susto, porque de repente você está em um lugar, que você fala que quer ficar e vem…sabe? “Foi sem querer”. Acho que até as mentiras têm perna curta inclusive. Sem querer eu estava no Rio com um amigo, a passeio e encontro o diretor da Universal: “O que os diretores da Trama tão fazendo aqui, falando de você?”, eu: “De mim?” e ele me disse que os diretores estavam negociando meu contrato. Acho que uma mudança bacana, uma major, uma maior e foi muito legal, porque com “Olha pra Mim”, que foi o primeiro pela Universal a música entrou na novela, “Prazer e Luz” e aí tocou “Olha pra Mim” pra caramba também, daí entrou “Grande Amor”, em uma novela do SBT, trabalhei bastante. Disso aí, saiu trilhas de filmes. Você vai se relacionando com outras pessoas, né? Você sai de uma pequena e vai abrindo seu nicho.
07. Até que ponto você acha que a gravadora atrapalha a carreira do artista?
Cara, hoje em dia, estou achando que o caminho e com todas as pessoas que eu converso, com músicos, com artistas assim, eu vejo que estão indo pelo mesmo caminho. Esse negócio de independente está indo cada vez melhor. Antigamente, eu via, tinha um formato certo, sabe? Aquele negócio: para você fazer sucesso, tocar aqui, você tem que fazer assim. Então você tinha que fazer tudo daquele jeito. Você realmente fazia sucesso. Hoje em dia não tem isso, hoje tem um monte de informação, tem internet, todo mundo tem estúdio em casa. As gravadoras estão investindo em produtos, coisas que dão dinheiro rápido, entendeu? Daqui dois anos a pessoa não existe mais, as pessoas nem lembram desse artista e isso nunca foi o meu objetivo. Pelo contrário, meu objetivo sempre foi construir uma carreira. Acho que a casa você começa construindo devagar até chegar à decoração e hoje em dia eles já querem ir logo partir para o dinheiro. Então, quem topa isso são produtos. Cada vez que eu viajo para fora, eu vejo a diferença que é, porque lá fora, esse negócio de internet é muito bem alinhado, funciona muito bem. Você compra vídeo pela internet, compra tudo e os direitos vão todos para o artista e aqui no Brasil a gente não tem nem lei para isso, ainda. Ainda estão formalizando uma lei, até que saia já piratearam muito aí. Isso é uma pena. Mas eu acho que a gravadora ajuda é no lance de investimento e é claro que a pirataria atrapalha muito. Por exemplo: se eu sou artista A e vendo para caramba, o dinheiro que eles ganham comigo, eles podem investir em outros artistas B, que são os novos, só que se a pirataria vem com tudo, eles não têm nenhum retorno. Então, é complicado também o lado deles, eu entendo o lado da gravadora de querer esse negócio de lançar produto, pois eles precisam de dinheiro. Acho que é assim, é o lance do investimento que eles não estão podendo fazer. Não posso culpá-los e dizer que eles são todos… Não vou dizer isso nunca. A gente tem que entender todos os lados, mas o lado do artista também é fazer o que ele gosta. Eu quero fazer o que eu gosto, fazer com quem eu gosto. Se para isso tem que ser independente, será.
08. Você falou que houve mudanças: voz, estilo, roupagem. Musicalmente falando, qual a diferença dos seus trabalhos?
Eu acho que é igual nossa vida pessoal, que a gente vai amadurecendo, que a gente vai desenvolvendo idéias. Eu acho que em qualquer área de trabalho, você começa estudando muito, se dedica e aí você vai e fala: “eu quero isso” e você vai lapidando, testando qual caminho seguir. Acho que tudo é experiência, né? A nossa vida em si é uma grande experiência, vai testando coisas. È nítido, pelo menos pra mim e outras pessoas também falam, esse amadurecimento dentro do meu trabalho. Cada vez mais eu fico mais envolvida com o meu trabalho, sempre estive envolvida com eles, sempre gostei de estar no estúdio, mesmo quando não sabia de nada, gostava estar lá xeretando, daí fui estudar para começar a saber dessas coisas. Hoje em dia faço parte da produção do disco, faço os arranjos vocais junto com o Jair, estou lá sempre nas mixagens, gravação de músico. Você acaba se envolvendo mais, porque você sabe mais. Então, a sua conversa com os músicos é muito mais fácil, o cara te entende melhor. Continuo na mesma linha. Essa minha influência com o samba e da black music nunca vou tirar porque é uma coisa que eu gosto, foi uma grande influência para mim a soul e a black music. Por exemplo o Michael Jackson na época do Thriller, quem não tinha aquele vídeo do Thriller e não ficava imitando ele dançar? Eu acho que a maioria das pessoas daquela época fazia isso. Eu queria fazer um trabalho assim: cantar, dançar e eu também vim de teatro musical, que juntava tudo isso: atuação, canto e dança. É tudo isso que quero fazer. O artista em si vive fases. No L.M, eu estava em uma fase intimista, então o disco foi menos gravado com o computador, foi muito mais tocado.
09. Compararam você com a cantora Paula Lima.
Ah é? Olha, nem sabia que tinham me comparado.
Compararam.
E falaram o quê?
A comparação foi feita por causa de algumas interpretações do disco L.M e de uma foto no encarte do cd. Você acha que essa comparação era inevitável, já que vocês beberam das mesmas fontes?
Eu lancei primeiro (rs). A Paula é irmã também. Realmente a gente bebe da mesma fonte. As pessoas têm essa mania de comparar um com o outro. “Não porque, se ela fez assim, o outro também fez”. Cada um tem um gosto, se ela gostou da minha capa, ou eu gostei da capa dela, se algo foi referência para as duas sem saber, qual o problema? Ela tem o estilo dela, o som dela, eu tenho o meu e a gente se dá super bem, enfim, as pessoas adoram comparar os cantores. Eu sou negra, ela também, porque a gente usa trança e bebemos a da mesma fonte, inventam um milhão de histórias para poder comparar. Eu acho, particularmente, que não tem nada a ver meu trabalho com o da Paula, nem o som, nem a voz. O que tem a ver é que somos duas negras, de tranças que cantam, só isso.
10. Você participou das trilhas sonoras das novelas “Sabor da Paixão” e “Da Cor do Pecado”, da Rede Globo. Participar de cds de novelas, já que são produtos que atingem o grande público, impulsionam a carreira do artista. Você sentiu um reconhecimento maior depois dessas participações?
Tem mais uma agora, Cidadão Brasileiro, da Record. Pra ser bem sincera, não. Eu achei muito engraçado, porque muita gente não sabia que era eu que cantava “Da Cor do Pecado”. Aí eu fui um dia para o Faustão, me convidaram para ir ao lançamento da novela. O que eu recebi de e-mail e ligação no meu escritório dizendo “é a Luciana que canta essa música? Eu não sabia”. Eu fiquei até meio chocada, o que tem de diferente? Eu acho que as pessoas estavam acostumadas com músicas dançantes e de repente, né? E é o que tem no meu disco. Quem tem o disco e pára para ouvir, obviamente que não estranhou nada, sabia que era eu. Eu fui que fui justamente convidada pela projeção que vinha tendo. Essa coisa de participar de trilha, principalmente de filme, adoro cinema. Eu já participei assim: “Cristina Quer Casar”, com a Denise Fraga, “Sexo, Amor, Traição, “Dona da História”, “Meu Tio Matou Um Cara” e essas da novela. È muito legal participar dessas coisas, de estar dentro. Tipo, “Sexo, Amor e Traição” foi um dos filmes brasileiros mais vistos, junto com “Dois Filhos de Francisco”. Então, é bem legal participar de projetos assim, eu como ainda não fui convidada para ser atriz, participar de um projeto cantando, que é o que eu sei fazer melhor e estar em um projeto de sucesso. Mas eu não senti que seja tão diferente por causa de uma música. Antigamente uma novela dava uma projeção enorme ao artista, hoje em dia você tem outras maneiras. O que eu acho legal é de ter sido convidada, por causa da projeção que eu vinha tendo antes, reconhecimento do público. Por isso que eu digo esse lance de gravadora, eu não vou me vender, depois de tudo que eu construí e eu quero construir muito mais. O seu prestigio, seu talento, seu estudo ninguém irá tirar nunca de você.
11. Já que você citou sua participação no filme “Cristina Quer Casar”, participação nas trilhas dos filmes “Sexo, Amor e Traição”, “Meu Tio Matou um Cara” e “A Dona da História” e hoje faz um curso de atuação para cinema. Há algum projeto em vista para seguir a carreira de atriz?
Eu adoraria fazer. Tem gente que é muito radical: “Ela não é atriz, não pode ser”. Claro que pode. Se você tem uma naturalidade e o diretor gosta de você. Foi o que aconteceu com o meu irmão. Ator não é a carreira principal dele, mas ele foi convidado pelo Walter Lima Jr para fazer “Os Desafinados”, junto com Rodrigo Santoro, Cláudia Abreu, Alessandra Negrini, Selton Mello. Ele foi convidado pela naturalidade que ele lida com isso tudo. Muitas vezes você tem o talento para isso e ele gosta. Eu não sou radical ao ponto de dizer que agora eu vou ser atriz, eu adoro tudo isso, fiz teatro muitos anos. Claro que cinema a gente vê que é totalmente diferente de teatro, mas é uma coisa que eu gosto de fazer e acho que tenho jeito para isso também, se me derem tempo para trabalhar isso, como eu trabalhei com a música e com a dança. Você estando no palco, mesmo trabalhando com música, já é uma atuação, porque você coloca uma outra energia, uma outra magia, uma outra história do que do seu dia a dia e de certa forma é tudo interligado. Se rolar um teste, se rolar uma vontade, eu vou lá e batalhar para fazer.
12. Você foi jurada no reality show da Rede Globo, o programa Fama. Qual a sua opinião sobre esse tipo de programa?
Eu gostei da experiência, conheci pessoas bacanas. No começo, eu fiquei em uma situação. Puts, eu sou artista, tenho fama, tem que ter um super cuidado. Já no início eu adotei uma postura de “eu não sou jurada”. No primeiro programa que foi ao ar, eu falei que não era jurada, que estava lá para ajudar as pessoas. Eu ouvi muito “não” na minha vida, de gente que hoje deve olhar e falar: “puts grila, por que eu falei não para ela?”, então, eu nunca vou dizer não para ninguém, o que a gente pode fazer é tentar ajudar, porque eu já estou no mercado, já escutei muita coisa. O grande problema do Fama é que chama Fama. Gente com talento, se você vai atrás da música, a fama é conseqüência, não é o objetivo final. Tanto é que você não vê ninguém que foi do Fama se projetar assim. A Vanessa Jackson, que ganhou o Fama, sofreu horrores, o Adelmo Casé ralou dois anos em São Paulo e no Rio para ter o som dele e não conseguiu e voltou para Salvador. Enfim, esses do programa de agora nem sei onde estão os caras. É um problema, porque são pessoa muito talentosas, mas eu acho que a Globo de repente faz um formato que eles deveriam repensar. Primeiro é o nome do programa, fama é conseqüência e não um objetivo. Eu conversava com os meninos lá atrás, era gente que tinha banda, que vinha fazendo coisas, que queria se projetar. Por exemplo: você está lá no interior do Sul, poucas pessoas te conhecem e você tem uma oportunidade de ir para Globo, aonde todo mundo vai te conhecer, você não vai dizer não. Eu entendo a deles também. É um lance que você faz um contrato de um ano, que você tem que ficar lá durante esse tempo, o lançamento do seu disco tem que ser na emissora, é uma coisa que você fica meio preso e quem trabalha com música não pode ficar preso a uma emissora, o músico é cigano, tem que ir cada hora em um lugar, ele tem que estar disponível a isso, porque senão o trabalho não vai pra frente mesmo, fica um início, só pessoas X que tem conhece.
13. Quando sai o próximo cd?
Estamos escolhendo as músicas. Como eu falei, aquele processo do repertório é um processo muito deliciado e mais importante de todos. Gravação, arranjos a gente vai fazendo ali, a gente já se conhece no S de Samba. A gente está nesse processo de escolhas das músicas, tirar tom, escolher os arranjos, testes, gostar ou não gostar, mas o disco sai no final desse ano, final de 2006.
Seguindo o mesmo estilo dos outros trabalhos?
Estou seguindo a mesma linha, aquele negócio que a gente falou do amadurecimento. Eu vou vir para atacar, quero vir com tudo, mostrar minhas influências, seguir uma linha mais black, uma linha mais a minha cara, o que eu gosto de fazer, eu gosto de dançar, gosto de street dance, eu gosto de tudo isso. Então é mais ou menos para esse lado.
Discografia

Foto: Ike Levy
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