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	<title>Poucas e Boas da Mari &#187; déa trancoso</title>
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	<description>Mari Valadares traz entrevistas e informações culturais</description>
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		<title>Vozes de Mestres: 10 a 14 de novembro/2009</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 19:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[déa trancoso]]></category>

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<div id="attachment_4585" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/11/cartaz_vozes_em_natal_10a15nov.gif"><img class="size-full wp-image-4585" title="cartaz_vozes_em_natal_10a15nov" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/11/cartaz_vozes_em_natal_10a15nov.gif" alt="Clique na imagem para ampliá-la" width="500" height="700" /></a><p class="wp-caption-text">Clique na imagem para ampliá-la</p></div>
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		<title>Déa Trancoso leva Tum Tum Tum para Ouro Preto (MG)</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 22:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Cultural]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_3476" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/07/casa-da-opera.jpg"><img class="size-full wp-image-3476" title="casa-da-opera" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/07/casa-da-opera.jpg" alt="Clique na imagem para ampliá-la" width="500" height="1332" /></a><p class="wp-caption-text">Clique na imagem para ampliá-la</p></div>
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		<title>Entrevista com o violonista mineiro Tabajara Belo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 18:32:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[bruno pimenta]]></category>
		<category><![CDATA[déa trancoso]]></category>
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		<description><![CDATA[O Poucas e Boas da Mari entrevistou o violonista mineiro Tabajara Belo. Profissional de destaque, Taba já trabalhou com importantes nomes da música de Minas Gerais, como Déa Trancoso, Marina Machado, Paula Santoro, Wagner Tiso, Vander Lee, Amaranto, entre outros. Em seu cd de estreia, o vilonista recria pérolas da canção brasileira, como &#8220;Carinhoso&#8221;, de Pixinguinha e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O Poucas e Boas da Mari entrevistou o violonista mineiro Tabajara Belo. Profissional de destaque, Taba já trabalhou com importantes nomes da música de Minas Gerais, como Déa Trancoso, Marina Machado, Paula Santoro, Wagner Tiso, Vander Lee, Amaranto, entre outros. Em seu cd de estreia, o vilonista recria pérolas da canção brasileira, como &#8220;Carinhoso&#8221;, de Pixinguinha e João de Barro. Já em seu segundo trabalho, chamado &#8220;Suíte Brasil, ele faz parceria com o flautista Bruno Pimenta. Leia a entrevista e conheça mais sobre a trajetória de Tabajara Belo.<br />
</strong><br />
<strong>01. Tabajara, você é violonista de destaque na cena musical de Minas Gerais. Conte um pouco de sua história com a música instrumental. </strong></p>
<p><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/taba_lanccd_2007_cuiaguimaraes.jpg"><img class="size-medium wp-image-1602 alignleft" title="taba_lanccd_2007_cuiaguimaraes" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/taba_lanccd_2007_cuiaguimaraes.jpg" alt="Foto: Cuia Guimarães" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Como muitos violonistas da minha geração, comecei ainda menino, sonhando em tocar guitarra, rock’n’roll, essas coisas. Tive essa inevitável e importante fase roqueira, mas a partir do contato com o violão erudito, o leque foi se abrindo e acabei ouvindo muito Baden, Raphael, Gismonti e por aí vai.  Sempre fui um estudioso obcecado pelo instrumento e muito aberto a todas as tendências. Apesar de minha longa trajetória acadêmica dentro do violão clássico, nunca deixei de lado as rodas de choro e todas essas formas tão lúdicas, ricas e informais de se fazer música. Sou um típico violonista brasileiro, no que diz respeito a essa formação híbrida popular-erudito, a escola versus o bar, o sagrado e o profano.</p>
<p><strong>02. Em seu CD de estreia “Tabajara Belo”, você recria pérolas da canção brasileira. “Carinhoso” (Pixinguinha/João de Barro), “Apanhei-te Cavaquinho” (Ernesto Nazareth), “Frevo” (Egberto Gismonti) são algumas que estão no repertório.  Como foi o trabalho de “recriar” essas canções? </strong></p>
<p>É uma recriação quase espontânea, que vem da minha paixão por essas canções. Quando gosto de uma melodia, qualquer que seja, faço logo, sem pretensão alguma, um mini-arranjo, transportando pro violão o tema e testando a fusão com a harmonia, já alterando alguns acordes, vendo em qual tom a coisa soa melhor, etc. Procuro dar um toque pessoal, trazer algum frescor pra música. Se isso acontece, incluo o arranjo no repertório e vejo se fica legal no violão solo, se precisa da banda ou só percussão, por exemplo. A época do primeiro disco, esses arranjos que você citou já estavam prontos e razoavelmente amadurecidos, não foi difícil escolher. Como minha produção autoral, naquele momento, ainda era pouco consistente, a decisão de gravar esses clássicos foi natural, sem nenhuma espécie de receio por estar pisando no ‘solo sagrado’ do nosso cancioneiro.</p>
<p><strong>03. Junto com o flautista Bruno Pimenta, você lançou “Suíte Brasil”. Fale sobre essa parceria, Taba.</strong></p>
<p>O Bruno é um músico conhecido aqui em Minas, um flautista maduro que já tocou com muita gente, mas não tinha, ainda, um trabalho instrumental registrado em disco. Começamos a tocar há uns três anos, meio por acaso, e acabamos nutrindo uma enorme afinidade musical. Ele também carrega essa formação de músico da noite, ao mesmo tempo em que estuda Composição erudita na UFMG. É uma linguagem parecida com a minha, uma malandragem temperada com muito apuro e atenção aos detalhes. Procuramos, nesse CD, dar uma pincelada em vários gêneros e ritmos brasileiros, na perspectiva enxuta da formação violão e flauta. O resultado da fusão timbrística desses dois instrumentos é sempre muito aconchegante, e a gente tentou dosar, com muito critério, os trechos de diálogos improvisados com as partes mais demarcadas, pra coisa não ficar nem muito austera nem ao Deus-dará. Tenho muito carinho por este trabalho.</p>
<p><strong>04. Como você definiria seus dois trabalhos: o solo e o “Suíte Brasil”?</strong></p>
<p>Ambos são discos de intérpretes e arranjadores, já que, à exceção da canção Choro do Cáctus, não há temas autorais nesses dois registros. Penso que no solo fiquei muito à frente de tudo, meu violão é o centro das atenções. No SB a dupla responde por todos os detalhes, cada decisão mínima é fruto de debate e negociação. Além disso, acho que no aspecto musical o SB me revela de uma forma mais despojada e visceral, menos rigoroso quanto à precisão técnica e sonora.</p>
<p><strong>05. Você é mestre pela Universidade do Arizona, nos EUA, onde também trabalhou como professor-assistente.  Em 2008, fez uma turnê com a cantora Déa Trancoso para a Europa. Qual a sua opinião sobre a receptividade do público no exterior em relação à nossa música? Você acha que o brasileiro dá a devida importância para a música instrumental?</strong></p>
<div id="attachment_1604" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/taba_deatrancoso.jpg"><img class="size-medium wp-image-1604" title="taba_deatrancoso" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/taba_deatrancoso.jpg" alt="Com Déa Trancoso na Itália" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Com Déa Trancoso na Itália</p></div>
<p>É engraçado, porque, no exterior, há aspectos do nosso código musical que eles não entendem e, de certa forma, isso bloqueia alguns momentos da troca de energia público-artista numa performance ao vivo. Não estou falando só de letra, mas de certas inflexões rítmicas, certos maneirismos melódicos nossos. Por outro lado, o público não-brasileiro traz, ao mesmo tempo, um surpreendente reentendimento do discurso, além de curiosidade e um fascínio inocente pelo novo e pelo diferente, próprio de alguém que observa a cultura de um outro povo. Penso, também, que a escuta instrumental, principalmente na Europa, é um processo mais consolidado que aqui, talvez pela forte tradição erudita, orquestral, que existe no Velho Continente.</p>
<p><strong>06. Quais são as novidades para este ano?</strong></p>
<p>Tenho intensificado meu foco nos trabalhos instrumentais que desenvolvo. Há alguns workshops agendados, o que é ótimo, porque é um formato que adoro fazer. Abre espaço pra gente falar do processo de trabalho, tem essa pitada didática que o público geralmente gosta muito. Pretendo realizar shows de lançamento do Suíte Brasil e vou sair em turnê nacional com o projeto Violões de Minas, junto com conterrâneos parceiros do instrumento como Juarez Moreira, Geraldo Vianna e Gilvan de Oliveira. Há ainda a pré-produção de um novo disco, de composições minhas em parceria com minha mulher, a pianista Pamelli Marafon, paulista de Rio Claro.</p>
<p><strong>07. Uma mensagem para os frequentadores do site Poucas e Boas da Mari.</strong></p>
<p>O Poucas e Boas é um grato exemplo de utilização jornalística produtiva e inteligente da internet. Chega a ser um oásis cultural nesse deserto de futilidades e perda de tempo em que a rede se transformou. Continuem prestigiando e divulgando o site! Aproveito pra convidar todo mundo a conhecer um pouco do meu trabalho no <a href="http://www.myspace.com/tabajarabelo">www.myspace.com/tabajarabelo</a>, além de vários vídeos meus disponíveis no youtube. Foi um imenso prazer participar dessa entrevista. Um grande abraço.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Fotos: </strong>Cuia Guimarães e Marcelo Oliveira</p>
<p><strong>Quer ter a entrevista com o violonista Tabajara Belo em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/Entrevista-com-Tabajara-Belo.pdf">Entrevista com Tabajara Belo</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader &#8211; Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></span></p>
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		<title>Show de Déa Trancoso no Sesc Campinas</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 02:09:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">No Dia Internacional da Mulher, às 15h30,  a cantora Déa Trancoso trouxe ao Sesc Campinas (SP) o show Tum Tum Tum. Acompanhada dos músicos Tabajara Belo (violão), Bruno Pimenta (flauta) e Priscila Brigante (percussão), Déa mostrou o resultado de dez anos de pesquisa sobre a cultura popular brasileira. Durante o show, a cantora deu uma verdadeira aula de História, explicando os significados de cada canção. O público presente pode conferir também, a exposição  de fotos &#8220;Caminhos do Jequitinhonha&#8221;, de Marcelo Oliveira. O Poucas e Boas foi lá conferir. Veja alguns momentos do show:</p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<p><embed style="width: 400px; height: 320px;" type="application/x-shockwave-flash" src="http://widget-07.slide.com/widgets/slideticker.swf" quality="high" scale="noscale" salign="l" wmode="transparent" flashvars="cy=bb&amp;il=1&amp;channel=2449958197330262535&amp;site=widget-07.slide.com" name="flashticker" align="middle"></embed></p>
<div style="width: 400px; text-align: left;"><a href="http://www.slide.com/pivot?cy=bb&amp;at=un&amp;id=2449958197330262535&amp;map=1" target="_blank"><img src="http://widget-07.slide.com/p1/2449958197330262535/bb_t017_v000_s0un_f00/images/xslide1.gif" border="0" alt="" /></a> <a href="http://www.slide.com/pivot?cy=bb&amp;at=un&amp;id=2449958197330262535&amp;map=2" target="_blank"><img src="http://widget-07.slide.com/p2/2449958197330262535/bb_t017_v000_s0un_f00/images/xslide2.gif" border="0" alt="" /></a> <a href="http://www.slide.com/pivot?cy=bb&amp;at=un&amp;id=2449958197330262535&amp;map=F" target="_blank"><img src="http://widget-07.slide.com/p4/2449958197330262535/bb_t017_v000_s0un_f00/images/xslide42.gif" border="0" alt="" /></a></div>
</div>
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		<title>Governador Valadares recebe o show &#8220;Caminhos do Jequitinhonha&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 13:57:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
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		<title>Déa Trancoso traz Tum Tum Tum para o Sesc Campinas</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 23:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
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<div class="mceTemp">
<div id="attachment_1366" class="wp-caption aligncenter" style="width: 343px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/flyer_campinas.jpg"><img class="size-full wp-image-1366" title="flyer_campinas" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/03/flyer_campinas.jpg" alt="Clique na foto para aumentá-la" width="333" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Clique na foto para aumentá-la</p></div>
</div>
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com a cantora Déa Trancoso</title>
		<link>http://www.poucaseboasdamari.com/2007/09/entrevista-com-a-cantora-dea-trancoso/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Sep 2007 03:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[catimbó]]></category>
		<category><![CDATA[déa trancoso]]></category>

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		<description><![CDATA[01. Déa, você participou de muitos festivais. O que eles significaram para você? Fui descoberta, por assim dizer, num festival da minha terra, o FESTIVALE (Festa da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha), que, há 30 anos, acontece, sempre em julho, numa das muitas cidades da região. Fomos vencedores, eu e meus dois parceiros, Si [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2008/11/dea41.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-340" title="dea41" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2008/11/dea41.jpg" alt="" width="151" height="216" /></a>01. Déa, você participou de muitos festivais. O que eles significaram para você?</strong></p>
<p>Fui descoberta, por assim dizer, num festival da minha terra, o FESTIVALE (Festa da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha), que, há 30 anos, acontece, sempre em julho, numa das muitas cidades da região. Fomos vencedores, eu e meus dois parceiros, Si Amaral e Celi Márcio, com a canção “Tuíra – índia guerreira”, do 10° FESTIVALE, que aconteceu em Rubim, baixo Jequitinhonha, ao lado da minha cidade natal Almenara. Os festivais fazem parte da história da música popular brasileira. Neles, muitos artistas foram revelados, amadureceram trabalhos, linguagem artística, estética e tal. Nestes que participei, sempre atuei ao lado de artistas que eram ídolos para mim: Paulinho Pedra Azul, Saulo Laranjeira, Dércio Marques, Elomar Figueira de Melo, Xangai, Diana Pequeno, Rubinho do Vale, Titane, entre outros. Muitos ainda bastante desconhecidos das massas, né? O Brasil tem isso: é uma efervescência artística absurda. Tem muita coisa acontecendo longe dos grandes centros nervosos do país. O Brasil ainda é rural! É uma realidade! Em Minas Gerais, por exemplo, são mais de 800 municípios, muitos com menos de 100 mil habitantes. Só no Vale do Jequitinhonha são quase 90 cidadezinhas. Isso é o Brasil!!! Tem muita beleza escondida!!!</p>
<p><strong>02. Em 2002, a convite do compositor e violeiro Chico Lobo, você participou do disco “O Violeiro e a Cantora”. Como foi esse convite? Não foi a única parceria com o Chico, né? </strong></p>
<p>O convite veio num programa de tv que participamos juntos, assim de chofre&#8230; Ele disse no ar: “Déa, vamos fazer um disco só de viola e voz?” E eu respondi no ato: “ vamos!!!” Pesquisamos repertório, ouvimos muitos vinis antigos e buscamos o dinheiro para fazer o cd. Primeiro, reunimos as canções do Chico e clássicos da viola caipira e roteirizamos o show. Estreamos no Teatro da Assembléia/BH e fomos cantar nos projetos culturais que existem por aqui. Depois de um ano, convidamos o Tatá Sympa, que já dirigia o Chico em seus trabalhos de carreira, para a direção musical, e entramos no estúdio. Gravamos ao vivo no estúdio. Foi prazer e pavor ao mesmo tempo&#8230; Foi meu primeiro estúdio pra valer. Quando ouvi minha voz gravada, tomei um susto. Aí, conheci Pena Branca. Ele me disse: &#8211; “minha nega, não fique assim, quando ouvi a minha voz pela primeira vez gravada numa fita cassete, fiquei apavorado”. É assim, a gente vai se acostumando àquelas tessituras e tal. A voz ao vivo é uma coisa. Gravada, é outra. Eu tinha medo do microfone, medo de soltar a voz de emissão firme que é a minha como diz Tárik de Souza. Mas, depois que a gente viu e ouviu o resultado daquela ralação, ficamos muito alegres. “O violeiro e a Cantora” é um trabalho muito feliz e autêntico! Algumas canções do Chico Lobo só têm aquela gravação, como é o caso de “A manteiga e o Pão”, por exemplo. Outras, como “Um Violeiro Toca”, só foram gravadas por homens. Neste caso, fui a primeira mulher a gravá-la. Agora, já estamos na terceira edição do cd, que já sai, desde a segunda, pelo meu selo o “TUM TUM TUM Discos”. Além de “O Violeiro e a cantora”, vou fazer pelo selo o cd do multiinstrumentista André Siqueira, o instrumental “Lithus”. O selo vai aos poucos sedimentando o seu lugar que é publicar aos ouvidos música que eleva a alma para a luz.</p>
<p><strong>03. O repertório de “O Violeiro e a Cantora”, que foi uma releitura da obra do próprio Chico e de clássicos, como Um Violeiro Toca, já estava escolhido ou a escolha dele fez parte dessa parceria também?</strong></p>
<p>Então, não estava. Começamos ali, na hora do convite ao vivo na tv. Daí, reunimos o que me tocava e tocava ele. Neste meio tempo, fizemos nossa primeira parceria, “Reza de Folia”, que ele gravou em cd de carreira depois. No caso de “Um Violeiro Toca”, foi vontade antiga de cantar a canção e homenagem a uma das parcerias mais bonitas que é a do Almir com o Renato, né?<a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2008/11/dea31.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-341" title="dea31" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2008/11/dea31.jpg" alt="" width="187" height="250" /></a></p>
<p><strong>04. Seu primeiro trabalho solo, o cd Tum Tum Tum, foi fruto de 10 anos de pesquisa. Catimbó, sambas de caboclo e de roda, acalanto são alguns gêneros que integram esse cd, mas eu li que a idéia inicial era fazer um disco de samba-canção, que se chamaria Pelo telefone e Pela internet, em homenagem aos sambas de Donga e Gilberto Gil. Por que mudou de idéia? Foi para resgatar essa cultura popular, principalmente a do Vale do Jequitinhonha?</strong></p>
<p>Foi mudando junto com o caminho percorrido&#8230; Encontrei muita gente bonita e forte nesta estrada. Meu mestre, já falecido, capitão dos Catopés (uma variação do Congado Mineiro) de Bocaiúva, João do Linomar. Ali, com ele, a música dos homens e mulheres do Rosário de Maria se fortaleceu dentro de mim, encontrou lugar no meu coração sertanejo de fé inabalável, assim como eles. Por outro lado, a minha bisavó paterna era índia. Então, desse modo, o catimbó já estava desenhado no meu caderno. Os catimbós, por exemplo, recebi de presente de uma entidade que portava uma insígnia dos eshus. Participei de um trabalho de busca de consciência durante mais de cinco anos e ganhei do Grande Poder isso&#8230; O Vale do Jequitinhonha foi escolha natural. Afinal, meu DNA sonoro é lá. É lá a minha fonte de água pura, a memória, a lembrança idílica de que o mundo tem jeito, de que a vida vale a pena. Lá estão os maiores exemplos de “vida talhada com as mãos”, como diz o poeta. Lá é o maior reservatório de alegria do planeta que conheço&#8230;</p>
<p><strong>05. “Pelo telefone e Pela Internet” ainda é uma idéia para um próximo trabalho? </strong></p>
<p>Num futuro próximo não mais. Mas, quem sabe um dia? Talvez eu faça um cd em homenagem ao Nelson Gonçalves, o cantor que mais ouvi na minha adolescência e com quem aprendi cantar. Talvez eu faça um cd cantando algumas pérolas do repertório dele. Vamos ver&#8230;</p>
<p><strong>06. Conte um pouco como foram esses anos todos de pesquisa que resultaram no Tum Tum Tum.</strong></p>
<p>Pois é. Foram, na verdade, 12 anos. Aprendi que a vida é trabalhar, brincar, cantar e rezar. Aprendi mais o que é ser brasileiro. Aprendi mais a SER. Tudo se modifica dentro da gente quando abraçamos uma pessoa da estirpe de João do Linomar, no seu esforço sereno e constante em publicar ao mundo a beleza do Rosário de Maria. Agora, com sua morte, o exemplo de vida dele pulsa na capitã Lucélia Pereira, a primeira mulher capitã de Catopés do estado de Minas Gerais. Tudo faz mais sentido quando conversamos com Mestre Zanza, que, com quase 90 anos, ainda segura firme a bandeira dessa mesma fé, lá em Montes Claros, norte de Minas. Enfim, a música é muito exigente e generosa comigo. Eu só tenho a agradecer a sua presença na minha vida.</p>
<p><strong>07. Você recebeu quatro indicações para o Prêmio Tim de Música Brasileira com o cd Tum Tum Tum, nas categorias Melhor Disco Regional, Melhor Cantora Voto Popular, Melhor Cantora Regional e Melhor Projeto Visual. O que essas indicações representaram para você?</strong></p>
<p><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2008/11/dea21.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-342" title="dea21" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2008/11/dea21.jpg" alt="" width="200" height="150" /></a>Abriram muitas portas. Embeleza mais uma estrada de 20 anos de parceria com a música, que é um passarinho arisco e demora a pousar nos nossos ombros. Às vezes, nunca pousa&#8230; Com as indicações, o trabalho ficou mais visível para fora de Minas Gerais, o que eu considero muito legal. Gravei o Sr. Brasil, de Rolando Boldrin, realizando um sonho antigo. Estou indo ao Rio de Janeiro gravar o programa Conversa Afinada, com a Patrícia Palumbo, da TVE. Déa Trancoso vai virar verbete do Dicionário da Música Popular Brasileira, coordenado pelo Ricardo Cravo Albin. Tudo isso é fruto do TIM. Enfim, as portas vão se abrindo e o TUM TUM TUM vai passando alegre e faceiro&#8230;</p>
<p><strong>08. Qual é a sua opinião sobre o mercado fonográfico brasileiro em relação a ritmos populares, a ritmos folclóricos? </strong></p>
<p>Mercado é lucro. Mercado é dinheiro. Os trabalhos de pesquisa enfrentam algumas dificuldades, especialmente quando são, de fato, independentes. O artista independente leva em torno de 5 anos (ou mais) para imprimir um ritmo nacional ao trabalho. No entanto, com os resgates mil que o samba dá, muita coisa legal da música tradicional, oral, está ficando conhecida. Isso é bom. Por outro lado, caminhamos para a independência do artista em relação ao mercado. Acho que esse é o desenho que se coloca. Então, assim, é possível a gente ter as rédeas do trabalho. De quais caminhos queremos seguir, quais escolhas queremos fazer. Como diz o Tárik de Souza, há muita pérola como TUM TUM TUM fora do eixo do mercado. E elas acontecem e brilham, apesar dele e, de alguma forma, nele, né?</p>
<p><strong>09. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.</strong></p>
<p>Acho que a Internet está salvando as relações humanas. Ela mostra onde podemos chegar, como somos iguais, que o vôo é sempre para o alto. É uma mudança fantástica de paradigma. É uma alegria ver que uma moça tão nova como você assuma e compreenda essa responsabilidade. Responsabilidade para mim é a habilidade em responder à vida com a direção sempre apontada para a luz. É bonito ver isso acontecendo através da Internet. Você me achou e publicou ao mundo um trabalho delicado chamado TUM TUM TUM. Comunicou. É lindo isso. Gratíssima pela delicadeza!!!</p>
<p><span style="color: #000000;"><span><strong><span style="color: #ff0000;">PARA SABER MAIS:</span><br />
</strong><a href="http://emvoltadofogo.blogspot.com/" target="_blank"><span style="color: #0000ff;"><strong>Blog Oficial Déa Trancoso</strong> </span></a></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>Fotos:</span></strong> Fernando Fiuza<br />
</span><span style="color: #008080;"><strong><span style="color: #000000;"><br />
Déa Trancoso cantando &#8220;Passarinho Pintadinho&#8221;</span></strong></span></p>
<p><span style="color: #008080;"> </p>
<p></span></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="300" height="250" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ud2svYYIdz0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="250" src="http://www.youtube.com/v/ud2svYYIdz0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p><strong>Quer ter a entrevista com a cantora Déa Trancoso em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2009/12/entrevista-dea-trancoso.pdf">entrevista-dea-trancoso</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader &#8211; Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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