Amigos Ausentes no Teatro Augusta em SP

January 9, 2011 by Mari Valadares  
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Amigos Ausentes reestreia em SP

October 13, 2010 by Mari Valadares  
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Entrevista com o ator Daniel Warren

February 18, 2008 by Mari Valadares  
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01. Daniel, vou começar a entrevista perguntando sobre os seus novos projetos. Com o ator Oscar Filho, do Clube da Comédia Stand-up, você está montando uma peça. Você poderia falar um pouco sobre ela?

Esse é um texto do dramaturgo inglês Alan Ayckbourn. É um cara que não é muito conhecido, quer dizer, eu não tinha lido nenhum texto dele até então, mas ele é um best-seller na Inglaterra. A gente fez esse projeto para entrar no Cultura Inglesa Festival, um festival que tem em São Paulo que dá uma verba para você produzir um espetáculo. Então a gente pegou esse texto… digo a gente, porque fui eu e minha esposa Andréa (Andréa Dupré) que pegamos esse texto e traduzimos. Entramos com o projeto e acabamos sendo aprovados. Quem dirige é o Nilton Bicudo e o elenco é: Otávio Martins, Maristela Chelala, Andréa Dupré, Wanessa Morgado, Oscar Filho e Daniel Warren. Estamos em fase de ensaio e a estréia será em maio.

Como foi a reunião desse elenco?

O texto chama em inglês “Absent Friends”, que seria “Amigos Ausentes”, mas a gente achou que traduzir para Amigos Ausentes seria um negócio pra baixo e o texto é uma comédia. Traduzimos como “Entre Amigos”. Eu estou falando isso, porque explica bastante a reunião dessas pessoas. Somos amigos, queremos trabalhar juntos e por causa das coisas do mercado a gente não consegue. E como nesse projeto tivemos a oportunidade de escolher, então a gente escolheu… não só pela amizade, mas acima de tudo por acreditar muito no trabalho um do outro.

02. Você participou do grupo “Os Cretinhos”.

Sim, fui um dos fundadores posso dizer. (rs)

A primeira vez que assisti Terça Insana, era você e o Marcelo Tas que estavam lá.

De convidado?

Isso.

O que que eu estava fazendo, meu Deus? (rs) Eu fiz sobre os cowboys (Brokeback Mountain). Lembro muito.

De um tempo para cá houve um “boom” de grupos de humor, como Clube da Comédia, Comédia ao Vivo, Os Cretinos e Terça Insana. Você acha que isso é uma coisa passageira ou esses gêneros vieram para ficar?

Primeiro a gente precisa separar um pouco. Começou um movimento fundado único e exclusivo pela Terça Insana. O papel da Grace Gianoukas é muito importante nisso, ela que criou essa linha de fazer humor com personagem na frente de um público e livre, muito livre. Aí começaram a surgir outros grupos fazendo esse tipo de coisa. Acho que ela é que tem o maior mérito nisso.Começou a surgir de uns tempos para cá também a história do stand-up que é outro tipo de comédia. Eu acho super legal, sendo grande como é a cidade de São Paulo merecia ter milhões de teatros, exposições, música e é claro, a parte da comédia. Não sei se veio para ficar ou não, mas meu desejo é que fique.

Com a quantidade de grupos, você não acha que ficaria cansativo?

Tem essa história da repetição, da cópia, mas acredito muito que não existe uma coisa original, tudo já foi feito. A gente escuta muito: “ah você me copiou”. O importante é você fazer, naquele momento, diante das pessoas, claro que com o devido cuidado com a técnica, com a qualidade, com a arte. Se você tiver compromisso com essas três coisas, tudo fica válido e verdadeiro. Na frente das pessoas é o que vale, entendeu?Você falou de repetições. Quando está no palco atuando você tem alguma influência ou é Daniel Warren 100%?Não. O dia em que conseguir ser Daniel Warren 100% aí vai ser bom, vou me divertir bastante. Todo mundo tem suas referências, por exemplo, para mim teatro tem muito a ver com a Denise Stoklos, o Teatro Essencial que ela faz. As coisas que vi pelo mundo foram coisas que me influenciaram bastante, principalmente coisas do teatro europeu, e claro, os maiores atores do cinema também. É uma viagem do ator muito grande com ele mesmo para fazer um papel ser uma obra de arte. Quando você vê um negócio desse, você deixa aquilo influenciar. A minha referência maior são essas coisas da história da arte mais moderna. Van Gogh me deixa muito irado, a música…

Todas as formas de arte influenciam sua atuação?

Com certeza. Às vezes muito mais a arte plástica e uma música do que propriamente uma peça ou um ator. Citei a Denise Stoklos, mas acho que ela é mais um conceito, porque não estou nessa linha de fazer o Teatro Essencial. A ideologia que ela traz é muito legal, principalmente para nós brasileiros que somos tão perdidos e confusos.

Se eu não me engano, você e a Andréa fizeram uma peça que tinha um pouco da linha da Denise, não foi?

Nós estudamos muito o Teatro Essencial, ficamos pesquisando um tempo. Fizemos uma peça que se chamava “Vida Morte”, que era uma criação nossa em cima de um tema que a gente achava que devia ser falado que é: “o que você faz nesse espaço entre você nascer e morrer”. Era uma coisa bem existencial e bem simbólica também, porque nós fomos buscar justamente em signos e símbolos que você vai criando com o corpo e com a voz.

03. Você está em cartaz com a famosa comédia “Às Favas com os Escrúpulos”, de Juca de Oliveira, direção de Jô Soares. “Às Favas com os Escrúpulos” é mais um texto do Juca que aborda valores éticos e morais na sociedade contemporânea. Um exemplo disso é a peça Motel Paradiso, texto escrito por ele em 1980, que ganhou nova montagem ano passado, com Roberto Lage. Os dois textos citados foram um sucesso em 2007. Por que você acha que peças que abordam esse tema interessam tanto o público? É o grande elenco da peça?

Não sei dizer ao certo. Aqui no Brasil tem uma confusão muito grande do que é arte de verdade, falando mais da área do teatro. Tem a TV, com um papel muito importante, os atores que estão na televisão são os profissionais que são considerados atores de verdade e os caras que estão fora, às vezes o grande público não sabe quem são e não os considera como grandes atores.
Eu não acho que o sucesso de uma peça é feito pelas pessoas famosas que estão no elenco. O sucesso da peça é feita por uma conjunção de fatores tão grande que é… por isso que teatro é um negócio tão fascinante, porque é tanta coisa que precisa acontecer para dar certo. Agora falando dos textos do Juca, o que é interessante dizer é que muita gente chama o teatro que ele faz de comercial. Na experiência pouca que tenho, começo a acreditar que se você vende ingresso o teatro é comercial e se você quer que alguém vá assisti-lô isso é comercial. E aí qual é a relação com isso? É claro que você pode pesquisar, experimentar, agora tem que ter sempre a idéia que o público o veja, duas ou 500 pessoas. E suspeito que a pessoa que escolheu a profissão de ator quer que seja 500 e não duas (rs).
Foi um máximo ser convidado para fazer essa peça, nunca tinha feito uma produção tão grande como essa, que tem no elenco: Juca de Oliveira, Bibi Ferreira, Neuza Maria Faro, Adriane Galisteu, (hoje a Bárbara Paz), direção do Jô Soares. Está sendo uma grande escola para mim. Outra coisa que acho é que não tem teatro que não seja político também. Todo mundo fala: “Isso é teatro político”. E ele fala uma coisa que é muito importante de se falar no Brasil hoje, que é a situação de alienação que a gente vive e que não percebemos o tanto de coisa que está acontecendo ao nosso redor em termos políticos. É como se fosse um alerta, uma coisa para você meio que acordar.
Então é muito digno e importante de ser feito da maneira como foi, levando em consideração a técnica, a qualidade e a arte o tempo inteiro.
Tem muita gente que fala que teatro comercial não é arte. A gente tem que ter bastante critério e bastante paciência e serenidade para falar dessas coisas.

Como foi o convite para entrar no elenco de “Às Favas com os Escrúpulos” ?

Precisavam de um ator para fazer o neto da Bibi para uma cena que exigia um certo jogo, que talvez um ator… enfim, não sei por que eles me escolheram, mas acho que foi por isso (rs)… por eu ser um pouco mais velho, tenho 30 anos, faço um papel de mais novo, acho que pelo meu físico, porque sou pequenininho e tal, até passo por um pouco mais novo no palco. Eu tinha feito um trabalho com o ator Roney Facchini na Cultura no projeto “Senta que lá vem a Comédia”. Ele era assistente de direção dessa peça, depois teve que sair por outros motivos. Ele me indicou para o Jô, fiz um teste na leitura e aí fiquei.

Quando termina a temporada?

A principio fica até maio e aí em maio completa um ano que está em cartaz. Acho isso para o parâmetro brasileiro uma coisa extraordinária. Que peça que está aí e que fica um ano em cartaz de quinta a domingo, num teatro de 600 lugares?

E que mantém esse público.

É, então. Aí tem uma crítica que vem, que fala mal, são essas coisas que não entendo. Tem o maior prêmio de teatro que nem se indignou… não estou falando de mim, estou falando do espetáculo, da Bibi Ferreira, do Juca que nem foram indicados. Eu acho isso no mínimo estranho.

Como você avalia esse tipo de premiação?

Estou falando especificamente do prêmio Shell, até escrevi uma carta para eles sobre isso. O que eu achei que tem muito preconceito dos próprios atores, da própria classe de teatro. E tem muita confusão também de grupos que são fomentados, Lei Rouanet. Tem muita coisa que deixa esse meio de teatro muito confuso e as coisas verdadeiras estão meio fora de lugar. Por exemplo essa questão da Lei Rouanet, que é um negócio errado desde o príncipio e vem alguém e fala assim: “A metade do dinheiro arrecada pela Lei Rouanet foi só com o Circu du Soleil”. Isso é injusto. Agora, uma lei que é feita para beneficiar o teatro, que o príncipio dela é que as empresas vão patrocinar o teatro, é claro que a empresa vai patrocinar o que interessa mais a ela. Não tem o que reclamar, se a lei é feita errada, como que alguém vai poder reclamar depois? Tem muita confusão. Essa história do prêmio, tem um pouco a ver com essa coisa que falei, dessa confusão que vive o brasileiro.

04. Há atores que são lembrados por suas participações em comerciais e você é um deles. Dentre os filmes publicitários que você participou estão: Nescafé, Vivo e bombom Serenata de Amor. É ruim ser lembrado por essas participações?

Não sei, nunca me causou nada que fosse negativo. Você diz preconceito? As pessoas falam: “ah esse cara não é ator de verdade porque faz comercial”?

Não, não. Por exemplo: você está com uma peça e você é lembrado por suas participações em comerciais. “Olha o cara do Nescafé”.

Também nunca aconteceu, até agora. Eu sei o que você está falando, porque o Carlos Moreno sofreu isso. Dele subir numa peça e o público não conseguir assistir a peça sem ver o cara do Bombril. Graças a Deus acho que tive muita sorte. A campanha do Nescafé foi muito grande, nacional, foi um ano, fiquei exclusivo, não podia fazer nada. Acho que foi um contrato bem feito que consegui fazer. Eles tiveram muito bom gosto, bom senso e fizeram um negócio legal para ambos. Então, meio que não saturou minha imagem. Isso acontece até com televisão, o ator faz um personagem que é muito marcante na novela e quando vai fazer teatro aquele estigma… Até agora não aconteceu, pelo menos que eu saiba.
Tenho mais medo disso, de estar fazendo uma peça e o cara vira e fala: “olha o cara do Nescafé”, nunca senti isso. Vou começar a prestar atenção para fazer se acontece, né Mariana? Aí meu Deus! (rs) Por que você foi falar isso? (rs)

Deixei você com a pulga atrás da orelha.

Tem outra coisa também, se a peça é boa os primeiros cinco minutos pode ser que falem, depois você consegue fisgar a atenção do público e ele não vai ficar mais pensando naquilo, ele vai se transformar.

05. Você já fez vários trabalhos do gênero infanto-juvenil. Além de peças voltadas para esse público, os programas Art Attack (Disney Channel) e Zero (Multishow) e uma participação em Malhação, em 2007, são alguns exemplos. Como é trabalhar para esse público? Crianças e adolescentes são mais exigentes que os adultos?

Não acho que eles sejam mais exigentes, acho que eles são mais verdadeiros. Talvez as crianças são mais verdadeiras. Como sou professor e falo muito para a criança e para o adolescente já faz 12 anos, parece que “chama”, sabe? Acredito muito nisso.

Uma coisa puxa outra.

É! Nunca fiz muita diferença de público, teatro infantil ou teatro adulto. Sempre quis falar uma coisa de verdade para alguém. É muito bom quando você consegue falar de verdade para o público.
O adolescente… falta muita coisa para eles. Sempre é uma visão estereotipada, muito preconcebida e tudo que vem para eles já é muito velho. Eu digo mais na televisão mesmo. E na educação também, acho que a educação está meio velha.

Como você virou apresentador do Art Attack?

Em 2000, fui fazer um teste e passei. Foi uma das coisas muito legais que aconteceram na minha vida. Eu fui fazer o teste super desencanado: “ah imagina que eles vâo me escolher para fazer um programa infantil, nada a ver”. Fiz o teste sem tentar fazer nada e sem tentar ser mais do que eu era. Daí lembro que no dia do teste, fiquei sabendo que o programa era gravado na Inglaterra. Quando estava terminando-o, falei assim: “Se precisar, escreve aí que eu também falo inglês”. O diretor do set falou: “a gente esqueceu de perguntar para todo mundo se eles falam inglês”. E isso era importante. Não sei se foi isso ou não. Nunca tinha ido para fora do Brasil e foi uma experiência ótima, aprendi pra caramba. Eu gravei 52 episódios do Art Attack.

06. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Apesar de tudo, sou um otimista. Apesar do mundo como está, da confusão que está, cabe a nós ficar presente, respirar fundo e fazer diferente.

Fotos: Reprodução e Verônica Gentilin

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