Minha história de fã com Cássia Eller
December 29, 2011 by Mari Valadares
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Hoje acordei e citei em meu Facebook que hoje completou 10 anos da morte, prematura diga-se de passagem, da cantora Cássia Eller. Confesso, gente, fiquei órfã. E após ler o texto da Amanda Souza sobre o assunto, decidi compartilhar uma pequena história de fã com vocês.
Conheci o trabalho da Cássia em 1994, em Sete Lagoas (MG), e me encantei. Em 2001, no mesmo ano de sua morte, Cássia Eller faria o “Acústico MTV” em Campinas no antigo “O Lampião”, dia 06 de julho. Nessa época, eu trabalhava em uma empresa de energia em Rio Claro e minha irmã também, mas em Campinas.
Combinamos com algumas amigas para ir ao show, porém começou dar tudo errado, não me recordo o motivo. Lembro-me apenas que o desespero “bateu geral”, pois era uma oportunidade única (e foi) assistí-la naquela ocasião.
Por causa desses problemas, eu precisava falar com minha irmã, mas ela ficava praticamente incomunicável no trabalho. A minha sorte foi que o meu desespero gerou criatividade. Liguei e disse para a pessoa que atendeu que o telefonema era urgente (rs). Preocupada, a pessoa chamou minha irmã, que quando soube o motivo da ligação, quase me matou.
Não me arrependo nem um pouco do que fiz, a mentirinha valeu muito a pena, fui a um dos melhores shows da minha vida. Guardo o flyer do evento até hoje.
Após cinco meses, Cássia faleceu. Minha querida amiga Marília, que também não está mais conosco, me ligou preocupada, pois sabia da minha admiração pela cantora. Naquele momento, estava em Minas, na mesma cidade onde conheci o trabalho dela, acompanhando os detalhes da morte pelo noticiário. Em nossa conversa disse: “Quem matou a Cássia foi o sucesso”. E até hoje sustento essa afirmação.
Como a Amanda disse em seu texto, Cássia “deixou uma lacuna incomparável que ainda não conseguiu ser preenchida à altura (e talvez nunca seja)…”
Por que Vale Tudo vale a pena ver de novo?
June 30, 2011 by Mari Valadares
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Quem não se lembra da pergunta “Quem matou Odete Roitman?”, surgida nos capítulos finais da novela Vale Tudo (1988/1089), da Rede Globo, quando a personagem vivida pela atriz Beatriz Segall foi assassinada?
Esse ano, com a reprise de madrugada da novela pelo canal Viva (a primeira reprise foi em 1992, na Globo), o dia 30 de junho entrará para história como sendo a data em que novamente mataram Odete Roitman.
Escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, Vale Tudo teve a corrupção, a falta de ética e a desonestidade como focos. Esses temas em 1988 estavam muito em voga, pois naquele ano foi realizada a CPI da Corrupção, que investigou acusações de irregularidades na administração pública federal do Governo Sarney.
A novela veio com esse propósito, “escancarar o Brasil”, um país que amadurecia sua democracia, com um povo que mesmo enfrentando problemas vai a luta, imagem eternizada na figura de Raquel, interpretada por Regina Duarte.
Vale Tudo também foi a primeira novela a retratar a homossexualidade abertamente, por meio das personagens Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska). O tema não foi para frente, sofreu rejeição e veto. (Tabu quebrado pelo SBT, com o primeiro beijo lésbico da novela Amor e Revolução).
Outro ponto retratado foi o alcoolismo de Heleninha Roitman, com um show de interpretação de Renata Sorrah. A novela mostrou todos os problemas que essa doença traz ao alcoólatra e a família e o trabalho realizado nos Alcoólicos Anônimos. Mas mesmo divulgando esse problema, não havia um capítulo sequer que não tivesse alguém bebendo whisky.
E a quantidade de fumantes em Vale Tudo? E os lugares onde eles fumavam? Escritórios, sala, quarto e até recepção de hospital. Não que eu concorde com isso, mas é bacana ver os costumes de antes, o que era liberado é totalmente proibido hoje.
Os autores foram muito bonzinhos com todos os vilões da trama. Nenhum deles se deu mal (com exceção de Odete). Marco Aurélio fugiu, fazendo a famosa “banana” para o Brasil, Maria de Fátima se casou com um príncipe e por aí vai.
Mas o sucesso mesmo foi o assassinato de Odete Roitman. Nada do que escrevi acima foi tão comentado quanto essa morte, todo mundo queria saber quem era o assassino. Mesmo agora, pessoas perguntam “quem matou mesmo?”. Odete foi uma das melhores e piores vilãs que a dramaturgia brasileira já teve, é impossível ver Beatriz Segall e não se lembrar da personagem.
Finalizo falando do elenco, que só tinha fera. E naquela época, os atores não pareciam que estavam cansados de atuar na TV. Hoje, enquanto têm vários querendo aparecer e mostrar o seu talento, têm outros que fazem um enorme esforço para participar de uma novela inteira. Estão ali cumprindo contrato.
Algumas coisas que citei são histórias recorrentes em novelas atuais, anda faltando criatividade no mercado. Um exemplo claro, mesmo que proposital, são as semelhanças de Insensato Coração também de Gilberto Braga, só que para falar sobre isso teria que escrever outro texto. Então, pelas novidades do ontem, é que vale a pena perder horas de sono para rever Vale Tudo no Canal Viva.
A arte simples de fazer teatro
June 6, 2011 by Mari Valadares
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O Grupo Arte Simples de Teatro esteve na cidade de Rio Claro (SP), no dia 05 de junho de 2011, com a peça A Festa, um conto de fadas as avessas, se apresentando no Jardim Público, no Centro Cultural Roberto Palmari e em duas escolas municipais.
Criado em 2006, o Arte Simples de Teatro vem na contramão do que é encontrado no teatro hoje: luxo, glamour, ingressos caros. Vem com uma ideia, como disse Aristóteles há milênios, que o teatro tem “uma importância para a formação da cidadania numa democracia”. Para isso, ele tem que ser acessível a todos.
Assim é o trabalho realizado pelo grupo, que desde 2009 fixou sua residência artística na comunidade de Heliópolis, localizada na Zona Sul de São Paulo. E foi nesse ano que conheci e pude acompanhar o trabalho dos atores na comunidade, que além de apresentações de espetáculos em escolas e espaços públicos, realizam oficinas teatrais com jovens do local.
A Festa
A Festa se passa no dia do aniversário da filha da rainha Cordélia, a princesa Maria Joaquina, que nada tem a ver com as princesas tradicionais das histórias infantis. Ela é egoísta e só pensa no seu próprio bem-estar.
Infanta vive num reino onde não é permitida a entrada de crianças. Logo, não teve a oportunidade de conviver com pessoas de sua idade. As únicas convivências são a mãe autoritária e os empregados maltrados. Nessa história, há também Blacaman, o pirata, um nem tanto “fiel conselheiro” da rainha, que sempre arranja um jeito de se dar bem.
No final, com a chegada de Cirilo, uma criança de nove anos, tudo muda no reino, forçando Cordélia e Maria Joaquina a tomar outros rumos.
A peça é uma livre adaptação dos contos “O aniversário da Infanta”, de Oscar Wilde, e “Blacaman, o bom Vendedor de Milagres”, de Gabriel Garcia Marquez.
Como no conto de Wilde, A Festa carrega um denuncismo sobre a sociedade aristocrática e seu comportamento. Apesar de um ambiente colorido e de beleza, com princesa e rainha, existe a humilhação e um emaranhado de sentimentos ruins que o ser humano pode carregar.
Outros elementos compõem o espetáculo, como música, dança e ninguém menos que a plateia, que sempre é envolvida nos diálogos dos personagens, ficando assim super à vontade para entrar na história.
Apesar de a essência ser a mesma, muita coisa mudou no espetáculo desde a primeira vez que assisti. E foi assim, com A Festa, que o Grupo Arte Simples de Teatro ganhou um lugarzinho especial no Poucas e Boas da Mari, levando a beleza e a riqueza teatral da maneira mais simples possível, para as pessoas que não teriam condições e não têm a cultura de ir ao teatro.
Veja fotos da apresentação no Jardim Público:
Agradecimento especial: Gostaria de agradecer à Secretaria de TURISMO de Rio Claro, por ter apoiado a vinda do grupo a cidade.
Sim, assisti Bruna Surfistinha
March 22, 2011 by Mari Valadares
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Assistir ao filme Bruna Surfistinha foi muito difícil. Sempre fui resistente a ele (diga-se de passagem que não era uma resistência preconceituosa), mas quis encarar essa história real em forma de sétima arte.
Bruna Surfistinha se resume na menina de classe média, que tem certa condição, mas tem problemas com os pais e que decide ganhar a vida como prostituta, porque acha que é um jeito fácil de ter grana. Comum, não? Porém, há algo que difere Bruna, ou Raquel Pacheco, das outras, a internet. Por meio de seu blog, a Surfistinha fica famosa e conquista seu tão sonhado dinheiro… Aaah ela também se envolve com drogas… ai o resto você já sabe.
Mas essa diferença não bastou para eu gostar do filme. E também não achei forte, pesado, como muitos falaram. Há filmes europeus muito mais intrigantes, como Irina Palm, de Sam Garbarski, que conta a história de uma viúva, de 50 anos, que começa a trabalhar em um clube privê, no Soho Londrino, pois precisa de dinheiro para salvar a vida de seu neto, que precisa de um tratamento médico.
Talvez o que pese nesse enredo seja o fato de ser uma história real e o que leva uma mulher a vender o corpo. Além do mercado (que existe, porque a procura é enorme).
A interpretação de Deborah Secco é uma mistura de sua personagem em Confissões de Adolescente (Carol, lembra?) e Natalie L’Amour, de Insensato Coração. Não consegue evoluir entre seu primeiro papel de destaque e seu mais recente.
Já o restante do elenco, como Drica Moraes, Guta Ruiz e as atrizes que fazem outras prostitutas no filme, se destacam bem mais, mesmo aparecendo menos que a protagonista. A trilha sonora é outro elemento que se destaca. Ótima escolha. Mesmo assim, elas não salvam o filme.
PBM no Broa Golf Resort
March 22, 2011 by Mari Valadares
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Paisagem fantástica, aventura e deliciosa culinária. Esse é o resumo que faço do Broa Golf Resort, localizado na cidade de Itirapina, interior de São Paulo, onde o PBM passou os dias 11, 12 e 13 de março de 2011, em um encontro de blogueiros e jornalistas.
Nesse encontro, os profissionais puderam conhecer todas as dependências do resort, além de praticar os esportes radicais disponíveis para quem se hospeda no local (rapel, rafting, arco e flecha, paintball).
Alguns lugares merecem o destaque desse blog: FBO – Fixed Base Operator: onde fica uma coleção de aviões antigos, como Beechcraft Staggerwing, modelo D17, usado como transporte militar durante a Segunda Guerra Mundial, e o Demoiselle, modelo de avião criado pelo aviador brasileiro Santos Dumont; Campo de Golfe e o Instituto Arruda Botelho (IAB), um criadouro de animais ameaçados de extinção, que promove a preservação das espécies.
O resort é muito bom para quem quer momentos de descanso ou para quem procura se divertir em meio a natureza.
Veja momentos desse encontro no Broa Golf Resort:
*Estava presente no encontro meu grande amigo e jornalista/blogueiro Rodrigo Alves, do blog Dando Nota.
Oscar 2011: Mais do mesmo
February 28, 2011 by Mari Valadares
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Ontem participei, como convidada, do live do site CinePop sobre a 83ª edição do Oscar. E qual a conclusão que tirei, e talvez todo mundo tenha tirado, depois de ter assistido a premiação? Que as escolhas da Academia estão mais previsíveis do que nunca e sem novidades.
Esse ano, sonhava em soltar uma onomatopeia de surpresa. Fiquei o dia inteiro pensando em como seria o evento, pois estava tão “open” as indicações para Melhor Filme, parecia que não tinha nada decidido. Imaginei uma tensão entre “A Rede Social”, “Bravura Indômita” e “O Discurso do Rei” (que apontavam como favorito) e quem sabe, até o sensível “O Inverno da Alma” e ”Cisne Negro, o meu preferido.
Pois é, parecia. Começou o evento e o previsível aconteceu. ”O Discurso do Rei”, que por sinal é um filme belíssimo, que trata de algo muito delicado (gagueira), com um tom muito britânico, levou o Melhor Filme, seguido de Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original.
Além de “O Discurso do Rei”, “A Origem”, de Christopher Nolan, que nem indicado foi, levou quatro estatuetas para casa. Todas técnicas, mas levou. Bravura Indômita, filme com a segunda maior indicação da noite, não levou nada para a casa.
As outras categorias que estavam sem novidades (porém merecidíssimas) foram: Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa Leo), Ator Coadjuvante (Christian Bale), Melhor Atriz (Natalie Portman) e Melhor Animaçao (Toy Story 3).
Se a cerimônia não agradou com as categorias, agradou na apresentação, com destaque para Anne Hathaway, que estava nervosa, mas à vontade (isso é possível?). Nota zero para James Franco, que divia a apresentação com ela. E emocionou com a presença de Kirk Douglas, que se mostrou um humorista de stand-up, com tantas piadas feitas.
Chegará uma época em que a Academia premiará filmes como Cisne Negro e Inverno da Alma e eu soltarei essa onomatopeia que está presa dentro de mim.










