Nicette Bruno Produções lança Promoção Cultural

September 23, 2009 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Notícias

Informações: Ass. de Imprensa

 
Nicette Bruno Produções lançou em seu site www.nbproducoes.com.br uma promoção cultural durante a temporada da peça “A Aurora da Minha Vida”,  com direção de Bárbara Bruno.

Para participar, basta acessar o site, clicar em concurso cultural e contar a história da “sua aurora”. Semanalmente você concorrerá a um par de ingressos para o espetáculo e em novembro a melhor história será agraciada com um lap top.

O concurso vai até o final de outubro.

Ficha Técnica da peça
Texto: Naum Alves de Souza
Direção: Barbara Bruno
Trilha originalmente composta e direção musical: Maestro Amalfi
Coreografia: Paulo Goulart Filho
Elenco: Paulo Goulart Filho, Rubéns Caribé, Roberto Arduin,
Gilmar Guido, Magali Biff, Eliete Cigaarini, Paula Arruda, Marta Baião.
Stand in: Clovis Gonçalves e Lena Roque
Iluminação: Guilherme Bonfanti
Cenário e Figurino: Naum Alves de Souza e Marcello Jordan
Programação Visual: João Gabriel Carneiro
Assessoria de Imprensa: Monica Simões Comunicação
Produtor Executivo: Mário Silvio
Assistente de Produção: Diego Bueno
Produção e Realização: Nicete Bruno Produções Artísticas
Assessoria de Comunicação: Vanessa Goulartt
Fotos: Gal Oppido
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos
Duração: 1h40

Entrevista com a atriz e diretora Bárbara Bruno

December 1, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

01. Bárbara, analisando sua carreira, observa-se uma tendência para os trabalhos teatrais. O que a encanta no teatro para fazer dele um de seus principais ofícios?

Paixão e o fato de ser ao vivo. Isso é fascinante! Te dá a possibilidade do risco, a possibilidade de mergulho sem rede protetora. Eu gosto disso, sempre gostei. Não é que eu não goste de outras linguagens, são fascinantes também, têm seus encantos sem dúvida nenhuma, mas o teatro está na mão do ator. Você cria uma coisa, quase que um vício. (rs)

02. Você está em cartaz com duas peças: como atriz em “Motel Paradiso”*, texto originalmente escrito por Juca de Oliveira e como diretora de “O Santo Parto”, texto de Lauro César Muniz. As duas peças discutem valores. A primeira discute os valores éticos e morais na sociedade contemporânea e a segunda, os dogmas da Igreja Católica.  A intenção das peças é impor alguma verdade absoluta sobre os temas abordados?

Claro que não! Aliás sou absolutamente contra a qualquer verdade absoluta (rs). Uma das funções do teatro é exatamente levantar questionamentos, é colocar que não existem verdades absolutas. Você tem que questionar, pesquisar, você pode mudar de opinião. Tem uma frase que eu gosto que diz assim: “Penso, logo mudo de opinião” (rs). Então, faz parte do processo teatral levantar essas questões e fazer com que um maior número de pessoas possível comece a pensar, discutir, a defender seus pontos de vista. Eu sou radicalmente contra a verdade absoluta (rs). Não estamos preparadas para ela.

A temporada da peça “Motel Paradiso” terminou no dia 02\12\2007

03. Dirigir ou ser dirigida?

Os dois. Não ao mesmo tempo, não gosto de dirigir quando atuo. Depois de estreada, se tiver que substituir, tudo bem, mas meu processo de criação enquanto diretora bate de frente com meu processo de atriz.

Então a Bárbara diretora é diferente da Bárbara atriz.

Bem diferente, apesar de uma ajudar a outra, sem dúvida nenhuma. Antes de assumir a direção sozinha, eu fiz durante muitos anos assistência de direção. Tive grandes mestres, foi maravilhoso, entre eles Antônio Abujamra, Roberto Lage, Antônio Mercado, Marcelo Marchioro… Meu Deus do céu vai faltar gente! (rs). Enfim, foram grandes mestres e quando você passa para o outro lado, te enriquece muito. Você passa a ter outro ponto de vista. Meu trabalho como atriz cresceu bastante depois que mergulhei na direção.

04. Escrita em 2003, a peça “O Santo Parto” já teve uma montagem no Rio de Janeiro. Você ficou receosa com as comparações quando estreou a peça em São Paulo?

Não, pelo contrário. O bom texto teatral é bom por isso, porque ele te dá abertura para “n” leituras, “n” montagens. E como disse o grande Nelson Rodrigues: “a unanimidade é burra”, eu quero mais é criar polêmica mesmo. O importante é criar polêmica e não agradar a todos… Também não desagradar a todos (rs), não é? Não tenho medo de comparação, não. E acho absolutamente normal quando você expõe um trabalho e têm pessoas que gostam mais de uma montagem, outras que gostam mais da outra e outras que gostam das duas ou que não gostam de nenhuma. Faz parte do trabalho da gente. No começo nós falamos do desafio, do mergulho sem rede protetora, isso faz parte do processo e é fascinante, temos que estar preparados para ouvir as criticas e repensar. Aí sim chegar em uma conclusão se a pessoa tem razão ou não.

Como foi a preparação da peça para a temporada paulista?

Eu trabalhei com uma equipe maravilhosa. Maravilhosa! Tive atores fantásticos, tivemos uma química muito boa. Os atores entendiam exatamente o que eu falava e vice-versa. Além da equipe cênica, dos oito atores, minha equipe técnica também é excelente. Ivam Cabral, que fez assistência de direção para mim, nos demos muito bem, excelente profissional. O Márcio, que criou os cenários e os figurinos, entrou depois, quer dizer, ele entrou com o processo já em andamento e foi um profissional fantástico. O maestro Marcelo Amalfi que conheci neste trabalho, não o conhecia antes e foi um encontro muito legal, que a gente já repetiu em outros trabalhos. Ele realmente é muito talentoso. A Lenise Pinheiro, que fez a luz e as fotos… Teatro é difícil acontecer isso e com esse espetáculo aconteceu. Trabalhei exatamente com as pessoas que eu queria trabalhar. É muito bom e difícil de acontecer. Tenho um carinho enorme por esse espetáculo, porque foi um encontro de pessoas certas, na hora certa.

E em Motel Paraíso?

É uma delícia também, aqui eu sou só atriz, porque lá em O Santo Parto, eu produzo também. Aqui sou só atriz, eu ainda brinco: “Vocês ainda vão me pagar?” (rs). Eu só tenho que ir lá e fazer a peça. É um grupo maravilhoso. O Ben-Hur, que é o produtor, que eu já conhecia há muitos anos, fazia tempo que a gente não trabalhava junto e os atores e a equipe, que são uma delícia. O Mauro de Almeida, que eu também conheço há muitos anos, fazia tempo também que a gente não trabalhava junto.

Isso ajuda muito na química.Ajuda muito, muito. Porque aquele tal negócio, né? Como é ao vivo, então a coxia passa para o espetáculo, conseqüentemente para o espectador. O prazer que a gente tem de fazer o trabalho, de realizar o trabalho, o respeito ao palco, tudo isso passa. E quando a gente tem a felicidade, a sorte de trabalhar com um grupo que fala a mesma língua, é extremamente prazeroso.

05. Vamos falar agora de televisão. Depois de um tempo longe da telinha, você participou das novelas Cidadão Brasileiro (Record) e Maria Esperança (SBT). Como foi esse retorno?

Foi muito gostoso, muito agradável, porque fazia tempo que eu não fazia televisão. Fazia tempo que eu não fazia televisão, assim, novela.

Sei.

Porque do veículo eu não fiquei tão afastada. Sempre fazendo vídeos, vídeos internos, convenções e mesmo em televisão, programas…

[o ator Gerardo Franco canta no camarim]

(rs) Coxia é assim mesmo… programas como Sítio do Pica-Pau Amarelo, Angélica…

… Zorra Total…

… Zorra Total, enfim, fiquei muito tempo afastada foi de novela mesmo. Foi uma opção. Assumi o Teatro Paiol em São Paulo e era um trabalho enorme que eu tinha que fazer aqui. Naquela época e até um pouco tempo atrás, tudo acontecia só no Rio de Janeiro, aí tinha que largar aqui…

… ir para lá…

Não dava. São opções que a gente tem que fazer na vida, que fiz com maior prazer, foi ótimo. E esse retorno também, extremamente agradável. Fazia tempo que eu não exercia esse tipo de trabalho, é muito gostoso também, essa linguagem, os colegas. Com a gente acontece uma coisa engraçada, às vezes você fica anos, anos, sem encontrar um colega e quando retoma um trabalho, parece que você terminou o trabalho anterior uma semana antes. É uma coisa engraçada isso que acontece com os atores e é fato, acontece mesmo. Você retoma como se o tempo não tivesse passado. Isso é muito bom e essa abertura de mercado foi fundamental para todos nós, inclusive para o público. Fico muito feliz de poder participar dessa retomada. Eu tenho uma frustração que é cinema, nunca fiz longa-metragem.

Eu ia perguntar sobre isso.

Essa é uma frustração que eu pretendo terminar logo com ela (rs).

Nunca houve convite, Bárbara?

Nunca houve convite para longa. Já fiz curta, fiz em 16mm, mas longa nunca fiz. É engraçado esse negócio. Agora eu tenho a impressão que está modificando também, porque o mercado está abrindo, antes eram guetos muito fechados. Por outro lado, eu também tinha meu gueto, não posso falar nada (rs), que era o do teatro. Então, a gente trocava pouca figurinha, aí não lembram mesmo para te convidar, mas pretendo resolver isso rápido (rs).

Espero que aconteça rápido também. (rs)

06. Em Cidadão Brasileiro, você viveu Cleonice.  Já em Maria Esperança, você foi Eugênica Albuquerque. A essência das duas personagens é muito parecida.

Você acha?

Eu achei… O ator Walter Breda, em uma entrevista ao site Poucas e Boas da Mari, disse que a televisão vive de repetições. O que você acha dessa afirmação? A incomodou fazer duas personagens parecidas? Eu digo parecida é porque uma era fútil e deslumbrada, que casou-se por interesse e a outra uma mulher rica no passado e que nos últimos anos viveu para gastar a fortuna que o marido lhe deixou ao morrer.           
                                                     
Bom, neste aspecto sim. Eu li a entrevista do Breda e é claro que ele tem razão no que coloca, porque na televisão, geralmente, rotulam. Você faz um tipo de personagem, aí sempre lembram de você para fazer exatamente aquele tipo e a gente fica tentando variações sobre o mesmo tema.
Nesse aspecto que você falou elas eram muito parecidas, mas tinham essências diferentes. A essência da personagem de Cidadão Brasileiro era uma essência mais dura, tinha problemas mais sérios, ela era muito mais mal resolvida como pessoa. A personagem de Maria Esperança era muito bem resolvida, não tinha problemas com relação a isso, muito pelo contrário, vivia de ilusão, porque vivia através do cinema, né? Pelo sonho do cinema, ela extravasava toda sua frustração, vamos dizer assim. Que não era o caso da Cléo, do Cidadão. De qualquer forma, tinham a mesma essência sim, e eu acho que isso acontece muito de um modo geral na escalação da televisão. Acredito que com essa abertura de mercado isso começa se resolver também, porque quando se começa a ter concorrência, isso obriga a ter mais qualidade. O fato de ter mais qualidade, obriga a prestar mais atenção. É um processo um pouco lento, demora um “pocadinho”. A gente acaba chegando lá, porque a essência graças a Deus, continua sendo a arte e a arte vive da qualidade. Por mais que a indústria queira engolir, a arte vive da qualidade, se não deixa de ser arte. De duas, uma: ou isso realmente acontece, a arte se impõe ou então termina a arte e vira indústria pura e simples. E aí não precisa da gente, aí usa o computador e pronto.

O que você acha dessa guerra de audiência. Você acha que prejudica a qualidade das telenovelas?

Depende de como os responsáveis pelos núcleos lidam com isso, porque na verdade, acho que têm os dois lados: tanto pode ajudar, como pode atrapalhar.

Essa concorrência é maravilhosa, mas quando pensam só na questão audiência…

Então, por isso coloquei que depende das pessoas que estão nestes cargos: diretores de núcleo, diretores de dramaturgia, porque são eles que vão determinar isso. Entender que os números vem em decorrência da qualidade e isso tem um tempo. O número a qualquer preço, a qualquer custo é efêmero, ele acontece, mas ele é curto. Por isso que eu brinquei, aí vai para os computadores (rs) e resolve de uma outra forma, mas não no processo artístico.

07. Já com projetos para 2008?

Sempre! Graças a Deus sempre!

Pode contar quais são esses projetos?

Posso, posso. Estou com dois projetos de teatro para o ano que vem. Não sei exatamente quando será. São dois projetos maravilhosos. Um é como atriz, um Tennessee Williams, que sou apaixonada. Finalmente conseguimos os direitos de “De repente, No Último Verão”. E o outro, como diretora, que também acho uma delícia, estou com o espetáculo todo na cabeça, é um texto da Agatha Christie, que chama “O Hospede Inesperado”. Quero fazer um espetáculo bastante diferenciado. São esses dois projetos para o ano que vem, de teatro. Os outros depende de convite (rs).

08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Não deixem de ir ao teatro. Será sempre uma experiência inesquecível, porque você fica fechado entre quatro paredes, absolutamente cúmplice daquele momento. Então, ele jamais vai se repetir, é um momento único que será vivido naquele instante e só. E mesmo que você não goste, tenha certeza que  jamais se esquecerá.

Muito obrigada, Bárbara!

Obrigada você!

Fotos: Raoni Carneiro

 

 

Quer ter a entrevista com a atriz e diretora Bárbara Bruno em seus arquivos? Clique aqui entrevista-barbara-bruno (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

Entrevista com o ator e cantor Raoni Carneiro

November 1, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

01. Raoni, você decidiu o que queria “ser na vida” aos 13 anos de idade. O que o despertou para a profissão de ator?

Entrei de brincadeira. Falei para um cara, que era de uma grande cia de teatro da minha cidade (Itapetininga): “Se vocês precisarem de um ator profissional, estou à disposição”. Eu tinha 13 anos. Aí ele falou que tinha uma vaga, pois iria ter um teste na cia e que eu podia fazer. Fiz e fiquei apaixonado. A partir desse dia tinha certeza do que queria fazer na minha vida…

… mas você já fazia cursos de teatro?

Não, não… Não fazia nada.

Foi com a cara e com a coragem.

Fui lá de cara de pau. Era uma cia de teatro amador, não era profissionalizada formalmente. E aí foi…

E quando você chegou para seus pais e disse: “Quero ser ator”, qual foi a reação deles?

Eles foram muito legais, porque nesse tempo, quando resolvi ser ator, comecei a vir para São Paulo fazer teste em publicidade, essas coisas… Meus pais me mandaram ir atrás de uma escola, vi o Célia, prestei o exame e falei para meu pai que tinha passado. Ele falou: “Meu, se você quiser ser ator, vai embora para São Paulo, mas vá para ser o melhor e não largue os estudos”. Era a condição dele. Beleza, fui embora, larguei minha família e vim embora para São Paulo. Eu tinha 15 anos.

02. Em seu currículo estão novelas da Rede Globo (Agora É Que São Elas – 2003 e A Lua me Disse – 2005) e do SBT (Seus Olhos – 2004 e Amigas e Rivais – 2007).  Como é a receptividade do público aos seus trabalhos nas novelas da Globo e aos seus trabalhos no SBT? Tem algum diferença?

Tem, muitas. É impressionante! Quando a gente faz novela na Globo a gente sabe, quer dizer, na primeira novela eu não sabia, algumas semanas depois a gente descobre o que é. Realmente em qualquer lugar que você anda, as pessoas te param. Até acostumar com isso demora. O SBT tem outro público. Você acha que não vai dar nada e de repente as pessoas te param. O meu personagem morreu e passou um cara na rua: “Pô, não morreu?” As pessoas assistem muito, só que não tem aquele glamour que a Globo põe, que a Globo badala. A diferença na verdade é nisso, que a Globo te dá um glamour perante a profissão e o SBT surpreende. É muito legal.

03. Além da novela “Amigas e Rivais”, você está em cartaz com duas peças: “O Santo Parto”, texto de Lauro César Muniz, direção de Bárbara Bruno e “Motel Paradiso”, texto de Juca de Oliveira, direção Roberto Lage. Como você se prepara para essa bateria de trabalho, Raoni?

Pois é… é muito legal! (rs) Eu estava gravando novela, ensaiando “O Santo Parto”, apresentando “Motel Paradiso” e tenho uma banda de MPB. Teve um dia em si, que parei e pensei: “Peraí, essa vida que estou levando é a vida que sempre sonhei”. É tão difícil na profissão um ator trabalhar tanto, não posso reclamar. Tenho que matar no peito e me divertir, fazer o máximo que eu posso, hoje eu vivo do meu sonho. Cansativo? É. Exaustivo? É, mas acabo tirando de letra.

Tem confusão com os textos?

Não tem confusão de texto, mas na época do ensaio, eu vinha tanto na inércia, que tinha uma hora no meio do ensaio que falava: “Nossa velho, eu tô aqui já”. Isso, já tinha falado a metade da peça, mas… Nada que uma boa noite de sono, não resolva, né? (rs) 

04. Quase no final da peça “O Santo Parto”, você e o ator Marco Antonio Pâmio contracenam um beijo. No teatro beijo entre pessoas do mesmo sexo não é vista como uma cena ofensiva. Na TV  é diferente. As emissoras vetam esse tipo de cena, pois alegam rejeição do telespectador. Qual é a sua opinião sobre isso?

O teatro ainda é uma alternativa. A partir do momento que as pessoas sabem que tem um beijo, elas assistem sabendo que existe. Elas estão vindo por livre espontânea vontade. A TV é aberta e há no Brasil o hábito de que tudo que a televisão põe na tela as pessoas vão assistir.
Tem um pouco de hipocrisia neste sentido, as pessoas sabem que existe, mas é a sociedade que a gente vive, não tem como fugir. As três ou quatro vezes nestes últimos cinco anos que ameaçaram fazer isso deu no que falar. E no teatro dá o que falar, mas de uma maneira muitas vezes positiva. No teatro, o público vem sabendo, na televisão ele é obrigado e nossa sociedade é machista, moralista.

Você acha que vai demorar muito para ter a aceitação?

Nem sei se vai acontecer, nem sei se deve. Cada veículo tem a sua função. A televisão a gente sabe como ela funciona, né?

05. Em 2005, em parceria com o ator Paulinho Vilhena, você estreou como diretor da peça “Quarto de Estudante”, texto de Roberto Freire, com José Trassi e Marauê Carneiro. Conte um pouco dessa experiência.

Eu fiquei apaixonado por dirigir. Eu quero dirigir muito, muito, muito ainda. O mais legal de dirigir é voltar atuar depois. Não é nem você ser ator e dirigir.
A gente fez a direção de um espetáculo na cara e na coragem, não tínhamos formação para ser diretor, não estudamos para isso, a gente foi muito pela intuição e pelo que eu e o Paulinho, cada um na sua história, aprendeu com a vida. Eu como ator, dentro da minha formação, tentei levar isso para os meninos e para a concepção do espetáculo, mas depois que você volta a atuar, depois de ter dirigido um espetáculo, você começa a entender melhor o que é ser ator e o que é ser diretor. Dirigir é muito legal.

Como diretor as preocupações são maiores do que como ator?

É proporcional. Na verdade, quando você está como ator, você mergulha no seu personagem, quando você está como diretor, você mergulha no espetáculo. O ator, em um espetáculo, ele é uma das peças, você vê de outra maneira.

A escolha do texto foi sua ou do Paulinho?

Foi minha.

Por que você escolheu esse texto?

Eu já conhecia esse texto, ia fazê-lo há seis anos, não deu certo. Nasceu de uma brincadeira, como tudo que eu faço na vida. Meu irmão queria fazer um espetáculo, o Zé, que fez a peça, falou: “Vamos fazer, você arranja um texto para dois atores?” Eu falei: “arranjo”. O Paulinho estava morando na minha casa esta época, a gente começou a fazer a leitura, ele me chamou num canto: “Aí velho, vamos fazer juntos?” Eu falei: “Vamô, embora velho”. Eu não tinha a vaidade de querer ser o diretor, a gente queria era trabalhar juntos. Pegamos e montamos, foi isso que fizemos, nada mais. E foi bem, a gente fez São Paulo, fez Rio, valeu muito a pena.

06. Você solta sua voz como vocalista e líder da banda Trupe.

Eu engano na verdade. (rs)

Como surgiu a idéia de montar a banda?

A idéia? De brincadeira (rs). Eu estava fazendo novela, a Lua Me Disse, fui para uma fazenda de uns amigos, que são músicos, compositores e vi uma molecada, bem mais nova que eu, fazendo música. Falei: “Meu, vamos montar uma banda?”, “Vamos”. Duas semanas depois, nós tínhamos um show marcado e fizemos a banda. O show deu certo e tinha um cara que quis comprar uma temporada e eu aceitei. Acabou que surgiu a Trupe e estamos até hoje, há dois anos.

Trocaria a carreira de ator para se dedicar a música? Ou isso é mais uma descontração que um trabalho?

Não existe essa possibilidade. Eu não troco uma pela outra, porque elas são completamente compatíveis, cada vez mais eu descubro isso.

Você canta na peça “O Santo Parto”.

Engano também. (rs)

Tem a ver por que sabiam que você cantava?

Teve. Quando a Bárbara me chamou para fazer a peça, eu tinha um show marcado e ela foi ao show me assistir cantar. Daí ela viu e acho que resolveu encarar. (rs) Eu apanhei um pouco no espetáculo, porque venho há dois anos cantando com microfone, com uma estrutura de banda. Voltar a cantar no teatro é outro estilo de canto. Então, no começo você “sambeia”, mas depois você tira de letra.

07. Tem mais algum projeto ainda para esse ano?

Para esse ano? Chega! (rs)

E para o ano que vem?

Para o ano que vem tenho bastante. Projeto a gente sempre tem.

08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Que bom que vocês acessam o site, que tem uma abertura para esse tipo de profissional. É super legal que as pessoas se interessam por esse tipo de entrevista ou de matéria, acho que nem tudo está perdido, né? Continue sempre com essa iniciativa.

Fotos: Verônica Gentilin

Quer ter a entrevista com o ator Raoni Carneiro em seus arquivos? Clique aqui Entrevista com Raoni Carneiro (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

2 anos: Entrevista de aniversário com o ator Walter Breda

October 21, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

O Poucas e Boas da Mari faz 2 anos e dá de presente aos frequentadores do site uma entrevista com o ator Walter Breda.

 Museu da Língua Portuguesa, dia 14 de outubro, 4 horas da tarde. Fui com os meus amigos, os atores Vitor Morbin e Verônica Gentilin, assistir à homenagem feita pelo grupo Os Satyros ao autor Lauro César Muniz, para o evento Satyrianas-2007. E é claro, encontrar com o ator Walter Breda para a realização da entrevista de aniversário do Poucas e Boas da Mari. Logo depois do evento e do passeio pela exposição de Clarice Lispector no museu, fomos para a casa do ator e começamos nosso bate-papo…

01. Breda, é verdade que você começou sua carreira aos 10 anos em uma rádio-novela no Recife-PE?

Comecei fazendo rádio-novela em 1958 num rádio pernambucano, ano em que completei 10 anos de idade. Eu sou pernambucano, nasci em Recife, minha mãe era atriz, meu pai era ator e jornalista por excelência e se conheceram num grupo de teatro amador. Em 1948, ano que eu nasci, minha mãe estava na “crista da onda” no rádio pernambucano, ela era uma rádioatriz muito famosa, muito querida. 10 anos depois, nós já estávamos morando em São Paulo, meu pai faleceu e voltamos para Recife. Minha mãe voltou a trabalhar e aí eu comecei a fazer rádio-novela. Precisaram de uma voz de criança, minha mãe me levou, deu certo e eu pronto, comecei a fazer rádio-novela.

Então sua influência foi sua mãe.

Foi minha mãe. A minha grande escola foi minha mãe. Eu nunca fiz escola de teatro, nunca fiz nenhum curso. Fiz depois de grande, cursos de especialização para atores profissionais, mas o resto foi em casa. Ela que me dava os toques e tal. Sem falar que a rádio-novela é uma grande escola. Todo mundo tinha que ter uma experiência assim, porque você aprende a lhe dar com a palavra. Você representa para um microfone, tem que ter o domínio das intenções, das emoções todas, depois isso mais para frente… Por exemplo, para quem for fazer teatro é muito importante, você aprende a dominar a palavra, dizer frases com conteúdo, com começo, meio e fim, o que o autor está querendo dizer.

02. Impossível conversar com você e não falar do inesquecível Seu Gomes, personagem da novela “América” (2005 – Rede Globo). Como foi compor esse papel, Breda?

Olha Mariana, vou falar sinceramente, já falei para muita gente, eu fiz pouca coisa para a composição do Gomes, o personagem estava pronto. Quer dizer, no começo trabalhei muito com o Jayme Monjardim, que dirigiu o início da novela. O Jayme foi fundamental para a criação do Seu Gomes, porque ele me dava a medida da televisão. O ator de teatro, eu sou um ator essencialmente de teatro, está acostumado a representar para a velhinha surda da última fila, então a coisa é muito gesticulada, os movimentos são muito abertos, a cara é muito expressiva. Na televisão não é isso, tudo é muito pequeno, contido, interiorizado. O Jayme me dava muito toque: “Menos Breda, olha a cara, não faz tanto”.
Acho que a Glória Perez foi de uma felicidade muito grande ao escrever esse personagem… Não só ele, todos os personagens daquela novela eram muito bem delineados, muito bem elaborados. Do Seu Gomes, que fazia parte do núcleo de Vila Isabel, tive uma felicidade maior ainda, porque naquele núcleo eu era muito bem desenvolvido, as personalidades, as características de cada personagem estavam muito bem definidas. Sem exagero nenhum, trabalhei muito pouco na composição do Seu Gomes, Seu Gomes veio de bandeja, decorava e não mudava nada.

Foi um convite esse personagem?

Esse personagem foi um convite fortuito de certa forma. Digo certa forma, porque eu entrei para substituir o Francisco Milani, ele quem ia fazer o personagem, mas o Milani já estava muito ruinzinho de saúde, inclusive ele veio a falecer logo depois, uns três ou quatro meses depois que estávamos gravando. E ele fazia muito show, escrevia, fazia muita coisa, então ele não quis fazer o Seu Gomes.
Não sei por que cargas d`água me chamaram. Acho que já estava todo mundo empregado lá no Rio de Janeiro naquela época e acho que a menina da produção de elenco, muito minha amiga, a Frida, que teve a idéia de me chamar. Então, foi um convite, eu não esperava fazer o Seu Gomes. Um convite muito bom, um puta personagem que caiu de bandeja, coisa que marcou muito.

03. Seu currículo é extenso, passando por todo tipo de produção (novela, TV e cinema), mas foi com o Seu Gomes, um personagem popular, suburbano, que você se tornou conhecido do grande público. Você acha que esse reconhecimento do público foi por causa da identificação com o popular ou porque o papel tinha um grande destaque e era em uma novela das 8 da Rede Globo?

Eu acho que tudo isso, viu? Ele era um personagem muito bem elaborado, bem humano e era cabeça de núcleo, era um dos pontos centrais do núcleo. Tinha todo um cuidado com esse personagem, digo cuidado por parte da autora, da criação, ele tinha que segurar aquela onda. O núcleo ele dividia com outros personagens excelentes. Tinha o personagem que o Ailton Graça fazia, o da Paulinha Burlamaqui, que marcou muito, a Regina Dourado, que era a mulher do Gomes, que também era muito forte, mas o Gomes que capitaneava de uma certa forma o núcleo. Foi uma soma de tudo que redundou no sucesso dele.

04. Outro papel seu de destaque foi o Tufi, em Cobras e Lagartos (2006 – Rede Globo). O Tufi, como o Seu Gomes, era um ex-profissional da segurança.

Era. Era um ex-policial. Inclusive meu bigode caiu por conta disso, falei com o Wolf (Wolf Maya). No principio fiquei meio chateado. Falei: “Pô, vocês me deram papel igual, caramba”, mas foi toca da minha parte, porque televisão é isso de certa forma.

Era sobre isso que eu ia perguntar, se houve alguma preocupação para que o Tufi não ficasse parecido ou igual ao Seu Gomes?

Eu tentei fazer o máximo. Tirei o bigode, eles me colocaram aplique para preencher minha calvície, tinha uma tatuagem, mas foi o que eu disse, foi besteira da minha parte, a televisão vive da repetição, o que dá certo eles não jogam fora, eles repetem. E eu ator de teatro fiquei muito irritado, quase brigo com a produção.

05. O seu trabalho mais recente na TV foi no SBT como Ramiro em “Maria Esperança”, adaptação da novela mexicana “Maria Mercedes”. As novelas da emissora do dono do Baú têm essa característica: serem adaptações de novelas mexicanas, além de nunca decolarem na audiência. Onde você acha que a produção do SBT se equivoca: é na adaptação ou sempre fazer adaptações de novelas mexicanas?

O problema do SBT é basicamente sua administração. A grade do SBT é uma bagunça, mudam de uma hora para outra, tiram programas do ar para colocar o Pica-Pau, porque a audiência não está dando certo.
Por exemplo esse contrato que a emissora tem com a Televisa, que é a empresa mexicana que traz essas coisas não muito boas… se bem que isso é a base de todo folhetim… mas as coisas podem ser mais elaboradas, né? Sem contar que a teledramaturgia brasileira fica relegada a quinto plano, porque só fazem autor mexicano… 
Tem uma vantagem, se é que isso é vantagem, a coisa vem pronta, você sabe o que vai acontecer com seu personagem, ele tem começo, meio e fim. A teledramaturgia que acompanha a novela no ar ela é mais dinâmica, seu papel pode morrer a qualquer momento, você pode sair da novela a qualquer momento, como pode virar a cabeça da novela, dependendo da resposta do público. Porém, o SBT não leva muito a sério isso. Eu admiro o Silvio Santos enquanto empreendedor, tiro o chapéu, nunca vi ninguém fazer o que ele faz, é uma coisa fantástica criar esse império que ele tem. Eu só acho que ele devia fazer teledramaturgia brasileira, devia abrir dois horários de novelas, como as outras emissoras fazem, mas ele não está preocupado com isso.

06. Vamos falar de teatro. Você está em cartaz com a peça “O Santo Parto”, texto de Lauro César Muniz e direção de Bárbara Bruno. “O Santo Parto” é uma comédia de costumes, que conta a história de um padre (Marco Antônio Pâmio) que engravida e que não sabe como irá gerar o bebê. Você faz o cardeal Quirino, que sai do retrato da parede, para dar sermões no personagem do Pâmio. O texto, se fosse adaptado para a TV, teria uma boa aceitação?

Não sei, acho meio difícil. Nós vivemos em um país católico, né? Como o Lauro bate no fígado do catolicismo, a obra toda dele é marcada pela ojeriza que ele tem com religiosidade, padre e essas coisas cretinas da Igreja, como os dogmas, eu não sei se seria possível.
Acho que seria uma coisa muito comentada, muito debatida, seria interessante até, mas não vejo como uma novela, por exemplo, talvez uma minissérie. Sei lá, mudando até um pouco de opinião, seria muito interessante, daria um chacoalhada legal.

Como foi a montagem dessa peça?

A montagem foi meio corrida, né Vitão? Depois de estar em cartaz algum tempo é que a gente “teve ela na mão”. Hoje está tranqüilo, consertamos os erros, a trilha sonora pula, todo mundo pula junto, ninguém mais se esquenta. A estréia foi catastrófica, foi horrível (rs). Tinha um cenário que não tinha nada a ver também.
O que tem de muito legal nessa peça é a turma, a turma é muito legal. O elenco brinca muito, se gosta muito, pessoas que são muito apegadas, aprenderam a ficar juntas, gostar um do outro, acho que isso ajudou muito na montagem. Não tivemos muito tempo para montá-la, nem lembro, dois meses, um mês. Há coisas que só agora que a ficha caiu completamente. Sei exatamente o que estou dizendo, a intenção que tenho que falar. E também teve as condições precárias de ensaio, espaço…

O ator Vitor Morbin faz parte do elenco da peça “O Santo Parto”.

07. Em “O Santo Parto”, o autor critica o conservadorismo da Igreja Católica, em relação à homossexualidade e a outros assuntos que a Igreja condena. Por causa do texto irreverente, vocês foram processados pela Liga Cristã Mundial. No Art. 5º, da Constituição Federal, há um termo que diz: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, cientifica e de comunicação, independente de censura ou licença”. Você acha que essa atitude da Liga Cristã é uma censura? Até onde vai o limite da arte?

Eu acho que a arte não tem limite. O artista é livre para pensar, para fazer, para se expressar. Não tem essa coisa de limite não. Com relação a censura, a tentativa de processo é uma imbecilidade muito grande, eles incorrem o mesmo erro que é levantado no texto do Lauro. Ele cai em cima do retrógado da Igreja hoje, do atrasado. Estamos em 2007, em pleno século XXI e a Igreja ainda está parada no tempo, está lá atrás, está uma coisa canhestra, que tenta inibir as pessoas. É uma posição muito boba, muito errada, castradora. Uma besteirada muito grande. E com a relação a arte, ela não tem limite. O cara pode fazer o que quiser. É na arte que você vai expressar seu pensamento, você pode fazer o que quiser. O que pode é discutir se é bom ou ruim, se funciona ou se não funciona, mas dizer: “é assim que tem que ser”, não é, não é assim que tem que ser.

Você disse no início da entrevista, que era um ator essencialmente de teatro. Com isso deu para perceber que teatro é o trabalho de sua preferência.

Sem dúvida!

Com o falecimento do Paulo Autran o quê o teatro perde?

O teatro perde uma das peças essenciais, esse homem foi uma bandeira fantástica. Eu vi o Nanini (Marco Nanini) falando um dia desses sobre o falecimento do Paulo: “O teatro perde um dos resistentes maiores”. O Paulo Autran foi um ator de teatro, enquanto ele pode, ele se negou a fazer televisão. Cinema ele fazia numa boa, mas televisão, que é essa arte massificada, essa coisa pasteurizada que tem aí, ele se negava. Se bem que ele fez grandes trabalhos na TV, mas vivia para o teatro e queria fazer teatro. Essa era a preocupação desse homem, que foi um símbolo, um cara fantástico, respeitadíssimo neste país, fazendo teatro. Você viu o Paulo Autran no palco?

Infelizmente não.

É a coisa mais fantástica do mundo. Ele tinha um domínio da palavra, um domínio da presença cênica que era impressionante.
Uma coisa que eu acho legal, que ele foi um cara que não estudou teatro também. Ele não foi estudante de teatro, ele era advogado. Depois, claro… ele foi um homem que leu pra caramba, tinha uma bagagem cultural fantástica… O cara era ator, ele já sabia fazer as coisas. Evidentemente que a gente sempre aprende as coisas, você pode ter 50 anos de teatro, sempre aprende, porque cada noite é uma noite, cada espetáculo é um espetáculo, cada platéia é uma platéia.

Tem alguma peça que você fez que é de sua preferência e por quê?

Não, não. Eu faço comédia, drama e tento fazer com o mesmo carinho, com o mesmo amor.Tem peças que eu gostei muito de fazer, como “A Chegada de Lampião no Inferno”, era um cordel muito legal. A Ópera do Malandro também foi muito legal. Eu e o Vitão fizemos a Genevra (A História de Dona Genevra – Um Decameron no Sertão), que era muito gostosa de fazer.

Eu vi a Genevra.

Você viu, né? Essas peças me dão muito prazer, mas não tem uma coisa assim: “essa me marcou”. Uma vez a Marília Gabriela no programa dela me perguntou: “Qual é o grande personagem que você quer fazer?” E aí me caiu a ficha, eu nunca tinha pensado nisso… Respondi para ela: O personagem que eu sempre quis fazer é o próximo. Achei muito bonita a resposta (rs). Achei ótima essa resposta. O importante para mim é o próximo, não vejo a hora de aparecer para eu fazer (rs).

Tá certíssimo!

Desde que seja no teatro, né?

08. Em sua filmografia estão “O Beijo da Mulher Aranha” (1985) e “Pixote – A Lei dos mais Fracos” (1981), filmes do diretor Hector Babenco…

Com o Babenco eu fiz “O Beijo…”, “Pixote” e Carandiru.

“O Beijo da Mulher Aranha” e “Pixote – A Lei dos mais Fraco” foram indicados a prêmios internacionais. Agora para concorrer ao Oscar 2008 temos o filme “O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias”, de Cao Hamburger. Quais são as chances do filme do Cao ter o mesmo sucesso que os filmes do Babenco?

Sinceramente, é uma falha da minha parte, eu não vi o “O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias”, então não posso fazer uma comparação entre as obras. Eu digo que o cinema brasileiro tem crescido muito. Ultimamente das poucas coisas que eu vi, vi coisas muito boas.
Em termos de Oscar, isso é uma panela muito grande, é muito jogo de cena, é muito dinheiro que rola. Eu não sei quem comentou isso, acho que foi a Fernanda (Fernanda Montenegro), não sei, a respeito de um filme brasileiro que estava indicado e a distribuidora que tomava conta dele tinha gasto com publicidade, lançamento e merchandising uma grana que dava para fazer dez filmes.
Não que não ache que o cinema brasileiro não tenha condição, tem condição sim, tem coisa muito bonita, mas é uma disputa um pouco inviável. Isso é uma coisa que penso hoje. Pode ser que amanhã ganhe “O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias”, que dizem que é um filme muito legal.

09. Você também faz dublagem. Mestre Ares e Shion de Áries (Cavaleiros do Zodíaco), Mexilhãozinho, pai do Bob Esponja e Holandês Voador (todos do desenho Bob Esponja), Bilbo Bolseiro (O Senhor dos Anéis) foram alguns personagens que você emprestou sua voz. Há muita resistência com dublagens aqui no Brasil. Um exemplo disso é o que aconteceu com o Canal Fox. Depois da decisão de dublar todos os seus programas, a Fox viu sua audiência desmoronar. Como profissional da área, como você encara essa resistência das pessoas com a dublagem?

Eu encaro de uma forma muito entristecida. Na França, por exemplo, a dublagem é obrigatória. É obrigatória por quê? Aí vão dizer que é porque tem cara analfabeto ou porque é mais fácil acompanhar o filme. É tudo isso, mas, sobretudo, é um respeito, é uma salvaguarda da língua que se fala no país, ou seja, a cultura do país. Nós somos um país totalmente invadidos, completamente tomados, americanizados e europeizados desde a descoberta e a língua nacional não se fala e se tem essa posição retrógrada em relação ao filme dublado, “porque é uma porcaria”. Por que que é uma porcaria? O filme legendado é tão mal legendado quanto é dublado, em termos de tradução, digo. O que tem que acontecer neste país é uma proteção maior com essas coisas. Eu acho que é um problema cultural, tem que ser encarado como uma questão cultural. O filme é dublado não é mais fácil, porque o cego não pode ler, o analfabeto não sabe ler, não é nada disso. É porque é a língua que se fala neste país e deve ser preservada, admirada e amada.

10. Tem mais alguma novidade ainda este ano, Breda?

Este ano infelizmente não tem. Eu estou fazendo um filme com a Suzana Amaral, chamado Hotel Atlântico, mas não sei quando será lançado e tenho uns projetos de teatro, que falta patrocínio. E estamos lá no Satyros com o Santo Parto até novembro/dezembro.

11. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Vejam teatro! Vão assistir teatro, antes de mais nada teatro, leiam sobre teatro, prestigiam o teatro. Teatro é tão lindo, né cara? Teatro é fantástico! Às vezes fico pensando: “Como começou?” No meio da rua, na Grécia… Nem sei se foi lá que começou as primeiras manifestações, pelo menos registradas, acho que são as gregas. Evidentemente que antes dos gregos já teve alguma coisa… Por quê? Porque o teatro é a crônica da humanidade, era a grande comunicação que tinha antes da televisão, antes do rádio. Como que se fazia? No meio da rua que se dava notícia. Imagino um cara com um tambor batendo ” bum” “bum” “bum” para chamar a atenção do público na rua, na ágora e aí começa…
Se eu posso mandar uma mensagem é essa: TEATRO! Vejam teatro!

Breda se dirigindo ao ator Vitor Morbin

Fotos: Verônica Gentilin    , Mari Valadares, Lenise Pinheiro e Reprodução 


O Santo Parto – de Lauro César Muniz

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