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	<title>Poucas e Boas da Mari &#187; Poucas e Boas Entrevistas</title>
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	<description>Mari Valadares traz entrevistas e informações culturais</description>
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		<title>Entrevista com o ator Marcos Felipe, da Cia Mungunzá de Teatro</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 01:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[nelson baskerville]]></category>

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		<description><![CDATA[// &#8220;Arte é o reflexo da realidade, a única coisa que fazemos é transportar os ruídos, o excesso de informação contida no nosso dia a dia para cima do palco. Isso não é excesso de criatividade, é tornar a encenação mais instigante.&#8221; Marcos Felipe 2012 começa para o site Poucas e Boas da Mari, que [...]]]></description>
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<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #ff6600;">&#8220;Arte é o reflexo da realidade, a única coisa que fazemos é transportar os ruídos, o excesso de informação contida no nosso dia a dia para cima do palco. Isso não é excesso de criatividade, é tornar a encenação mais instigante.&#8221;</span></strong><br />
Marcos Felipe</p>
<div id="attachment_10404" class="wp-caption alignright" style="width: 169px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/foto1.jpeg"><img class="size-medium wp-image-10404 " title="foto1" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/foto1-199x300.jpg" alt="" width="159" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Bob Souza</p></div>
<p><strong>2012 começa para o site Poucas e Boas da Mari, que abre suas entrevistas com o ator Marcos Felipe, da Cia Mungunzá de Teatro, que está em cartaz com o espetáculo <em>Luis Antônio-Gabriela, </em>direção de <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/2009/06/entrevista-com-o-diretor-e-ator-nelson-baskerville/">Nelson Baskerville</a>. No espetáculo, inspirado em fatos reais, Marcos  <strong>dá corpo, voz e alma ao personagem principal,  Luis Antonio, irmão de Nelson, homossexual, que desafiou as regras da família conservadora e partiu para a Espanha sob o nome de Gabriela. Sua atuação rendeu indicações a prêmios <strong>muito importantes, como Shell e APCA. Confira a primeira entrevista do ano com o ator Marcos Felipe:</strong><br />
</strong></strong></p>
<p><strong><strong><strong> </strong></strong></strong><strong>01. Marcos, no dia 16 de março de 2011, a Cia Mungunzá de Teatro, com direção de Nelson Baskerville, estreou <em>Luis Antônio-Gabriela. </em>O espetáculo conta a saga da família do Nelson, tendo como personagem principal Luis Antônio, irmão mais velho dele, homossexual, que “bateu de frente” com as regras familiares conservadoras e parte para a Espanha sob o nome de Gabriela. Faço uma definição mini para o macro que a peça significou para mim – arrependimento e desculpas. Qual foi a reação do grupo quando foi oferecida essa história íntima e tão forte para ser apresentada em forma de arte? O peso de acertar ficou maior?</strong></p>
<p>Na verdade já estávamos pensando em fazer um segundo espetáculo.  A peça “Por Que A Criança Cozinha na Polenta” estava com uma carreira de dois anos e na nossa cabeça era o momento de partir para um próximo trabalho. Chegamos até a ler algumas coisas. Aí, marcamos uma reunião com o Nelson, que nessa época estava no Rio de Janeiro, para falarmos sobre a intenção de se fazer uma nova peça. E ele, de prontidão, fez o aceno para montar a historia do irmão dele. Segundo ele, já havia uma maturidade do grupo para levantar esse tipo de espetáculo, e era a hora de levantarmos esse tipo de indagação na sociedade. Topamos na hora. O nosso grupo tem um caráter de discussão, nosso teatro vem com o objetivo da reflexão. Trazer novos olhares para problemas da nossa sociedade “moderna”. Sabíamos que era um espetáculo difícil, mas topamos de cara.  Sabíamos também, que estávamos caminhando por uma linha tênue, de um lado um espetáculo inovador, ousado e contundente, do outro, a ideia do oportunismo, autopromoção, do piegas.  No início existia sim um peso em acertar, porém, com o passar dos ensaios, com a peça tomando forma, isso foi se tornando secundário.</p>
<p><strong>02. Você dá corpo, voz e alma a Luis Antônio e “Gabriela” na peça e seu trabalho foi e está sendo muito elogiado pela critica, o que rendeu indicações para prêmios muito importantes, como Shell e APCA. Como foi sua busca por referências para compor “os personagens”? Foi complicado sair dos clichês de fazer um travesti? </strong></p>
<p>Foi.  No início foi inevitável cair em todos os clichês, mas, com o passar dos ensaios, fomos enxugando os exageros e buscando o equilíbrio entre a encenação e a história que estava sendo contada.  Não busquei em nenhum momento dos ensaios me parecer com a “Gabriela”, acreditava, e acredito, que estou representando o travesti, minha preocupação era parecer todos ao mesmo tempo.  Claro, que automaticamente, eu ia pegando traços da “Gabriela”, pois estávamos contando a vida dela, todas as referências, tais como: cartas, relatos dos parentes, fotos, etc, eram dela, porém, não era meu principal objetivo. Houve também um facilitador, como a “Gabriela” não é mais viva, não tinha esse peso de ter que ficar parecida com ela.  Diferentemente dos meus companheiros de cena. Acredito que para eles tenha sido mais difícil.  Lembro que nos ensaios eu não estava sorrindo, aí o Nelson dizia “Você precisa sorrir, elas são felizes, você precisa sorrir”, talvez essa tenha sido minha maior dificuldade. Quando veio o sorriso, veio com ele a delicadeza e a leveza que precisava.</p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_10405" class="wp-caption alignleft" style="width: 220px"><strong><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/foto2.jpg"><img class="size-medium wp-image-10405  " title="foto2" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/foto2-300x199.jpg" alt="" width="210" height="139" /></a></strong><p class="wp-caption-text">Verônica Gentilin, Sandra Modesto, Lucas Beda e Marcos Felipe (Foto: Bob Souza)</p></div>
<p><strong>03. Há alguma cena do espetáculo que o perturba?</strong></p>
<p>Tecnicamente, todas (rs). Como há uma parafernália tecnológica, todas manuseadas pelos próprios atores, eu tenho uma preocupação com isso. Sempre dá alguma coisa errada, é difícil de lidar com máquinas. Uma vez um amigo comentou; “vocês não estão fazendo um espetáculo para dar certo, não tem como, alguma coisa vai dar errado”. Agora, psicologicamente, a cena do museu Guggenheim é foda. Sinto que a platéia fica num estado de suspensão, se perguntando “O que é isso?”, sempre me arrepio nessa cena, e também me pergunto “O que é isso?”</p>
<p><strong>04. Em <em>Luis Antônio-Gabriela, </em>vocês misturam artes – cênicas, pintura, vídeo&#8230; Farei uma pergunta parecida com a que fiz a atriz <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/2011/07/entrevista-com-a-atriz-rosanne-mulholland/">Rosanne Mulholland</a> em julho do ano passado, pois gosto de buscar distintas opiniões. Você acredita que a tendência do teatro é essa: inserir outras artes como complemento das cenas? Ou não? É puramente uma questão de estilo da direção?</strong></p>
<p>Na verdade, acho que a encenação no Brasil tem uma dificuldade de caminhar. Quase que pára no tempo. Se você analisar outras manifestações artísticas, perceberá que caminham a medida que a sociedade evolui. Pensemos nos filmes de antigamente e nos filmes de agora, pensemos no que era as artes plásticas antigamente e o que é agora. Só para dar dois exemplos. Às vezes vejo a encenação no Brasil caminhando a passos de tartaruga.  Hoje, nossa concorrência no teatro é brutal, você pode ficar em casa, vendo qualquer tipo de programa, viajando o mundo com apenas um controle remoto. Você tem acesso a tudo na internet. Ou seja, a encenação precisa ter um algo a mais.  Você precisa sair do teatro e dizer “ainda bem que eu estive aqui”. Não ir ao teatro por uma “obrigação cult”. Respondendo sua pergunta, acredito que essa “polifonia” de manifestações artísticas é a evolução do teatro, é o que tem de contemporâneo. Se a informação contida numa cena chegará melhor ao receptor se usarmos outras manifestações artísticas, usaremos.  A história vem em primeiro plano, a maneira que vai contá-la não pode estar presa a pensamento estéticos.  Arte é o reflexo da realidade, a única coisa que fazemos é transportar os ruídos, o excesso de informação contida no nosso dia a dia para cima do palco. Isso não é excesso de criatividade, é tornar a encenação mais instigante.</p>
<p><strong>05. Ganhadora do Prêmio APCA de melhor peça do ano de 2011, indicações ao prêmio Shell, Bravo e Governador do Estado 2011. O que você considera o “ponto G” do espetáculo para tantos olhares positivos sobre ela? </strong></p>
<p>É tão<strong> </strong>difícil de saber. No teatro, às vezes você faz coisas maravilhosas, e por alguma ironia, essas coisas não acontecem.  Acredito que no caso “Luis Antonio-Gabriela” alguns fatores contribuíram para esses “olhares positivos”. Vamos a eles: um bom enredo, uma encenação diferente e instigante, um intenso processo de pesquisa e ensaios, uma equipe de profissionais talentosíssimos, uma boa estreia com temporada popular, ter uma boa assessoria de imprensa e o fazer com TESÃO.</p>
<p><strong>06. Antes de Luis Antonio-Gabriela, a Cia. Mungunzá encenou <em>Por que a Criança Cozinha na Polenta</em>, texto de Agaja Veteranyi (que assisti três vezes), com direção também do Nelson. Apesar de enredos completamente diferentes,  as duas peças falam de família e são carregadas de perturbações e emoções fortes. Coincidência?</strong></p>
<div id="attachment_10406" class="wp-caption alignright" style="width: 229px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/foto4.jpg"><img class="size-medium wp-image-10406" title="foto4" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/foto4-274x300.jpg" alt="" width="219" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Bob Souza</p></div>
<p>Não (rs). Você acha diferente? Eu não acho, aliás, acho bem parecidas. Ambas têm o ser humano como foco principal, ambas abordam conflitos familiares, têm a mesma equipe, mesmo tipo de encenação&#8230; Na verdade, a gente é chegado num drama mesmo (rs).</p>
<p><strong>07. A</strong><strong> Cia. Mungunzá de Teatro nasceu em 2006. Como se deu esse nascimento? E por que Mungunzá? </strong></p>
<p>É um grupo de teatro que nasceu nos corredores do Teatro Escola Macunaíma, já com a ideia de desenvolver pesquisas cênicas. Com o convite feito ao Nelson para dirigir nosso primeiro espetáculo, veio na bagagem alguns membros do Célia Helena. Hoje estamos em 10 membros, todos: artistas/técnicos/produtores/criadores&#8230; Todo mundo faz tudo (rs).  A palavra “Mungunzá” era uma piada interna dos tempos de escola, palavra que usávamos como verbo, adjetivo&#8230; Tudo. Aí quando criamos o grupo, o mais óbvio seria “Mungunzá”. Eu particularmente não gosto da palavra, acho que tem uma fonética feia. Porém, assim como as nossas peças, há uma beleza na feiúra, há uma poesia no grotesco.</p>
<p><strong>08. Novidades para 2012?</strong></p>
<p>Estamos no meio da temporada na Funarte, onde ficaremos até fevereiro. Depois vamos viajar com as duas peças para algumas cidades do interior de São Paulo. Faremos alguns festivais de teatro, entre eles: Festival de Curitiba também com as duas peças. Estamos negociando uma viagem para França e Portugal em julho. Estamos em negociação para uma possível temporada no Rio de Janeiro.  Negociando também outra temporada em São Paulo a partir de agosto. Parece pouco, mas não é não (rs). E nesse ano começaremos a pensar o próximo trabalho, com inicio de pesquisa/ensaio para 2013.</p>
<p><object width="300" height="250"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=34143878&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=34143878&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=00adef&amp;fullscreen=1&amp;autoplay=1&amp;loop=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="300" height="250"></embed></object>
<p><a href="http://vimeo.com/34143878">Luis Antonio Gabriela</a> from <a href="http://vimeo.com/user9752524">Lucas Bêda</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p>***Luis Antônio-Gabriela está em cartaz na Funarte até 26 de fevereiro de 2012. De quinta a domingo, 21h30</p>
<p><strong>Quer ter a entrevista com o ator Marcos Felipe em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2012/01/Entrevista-com-Marcos-Felipe.pdf">Entrevista com Marcos Felipe</a> </strong><span style="color: #ff6600;"><strong>(para abrir o arquivo .pdf, precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</strong></span></p>
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		<title>Entrevista com o cantor e compositor Marcos Sacramento</title>
		<link>http://www.poucaseboasdamari.com/2011/11/entrevista-com-o-cantor-e-compositor-marcos-sacramento/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 00:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[marcos sacramento]]></category>

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		<description><![CDATA[// &#8220;A canção move o sentimento.&#8221; Marcos Sacramento O site Poucas e Boas da Mari entrevistou o cantor e compositor Marcos Sacramento. Versátil, Sacramento começou sua trajetória nos anos 1980 cantando pop/rock, e hoje, é visto como cantor de sambas. Em seu currículo artistas como Assis Valente, Noel Rosa e Custódio Mesquita. Em 1994, lançou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #ff6600;">&#8220;A canção move o sentimento.&#8221;<br />
</span></strong><span style="color: #000000;">Marcos Sacramento</span></p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="color: #000000;">O site Poucas e Boas da Mari entrevistou o cantor e compositor Marcos Sacramento. Versátil, Sacramento começou sua trajetória nos anos 1980 cantando pop/rock, e hoje, é visto como cantor de sambas. Em seu currículo artistas como Assis Valente, Noel Rosa e Custódio Mesquita. Em 1994, lançou seu primeiro cd solo, <em>A Modernidade da Tradição</em>. Seu mais recente trabalho, <em>Na Cabeça</em>, foi uma síntese de tudo que vinha fazendo em disco, segundo o próprio cantor. Confira a entrevista com Marcos Sacramento:</span></strong></p>
<div id="attachment_10259" class="wp-caption alignright" style="width: 293px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/foto008.jpg"><img class="size-full wp-image-10259  " title="foto008" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/foto008.jpg" alt="" width="283" height="188" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Edu Monteiro/fotonauta</p></div>
<p><strong>01. Marcos, você começou na música seguindo o estilo pop/rock e hoje, é visto como cantor de sambas. Em seu site encontra-se a sua biografia, onde diz que “taxar Marcos Sacramento simplesmente por um estilo é deixar de ver vários lados do artista”. Você se considera um artista sem fronteiras?</strong></p>
<p>Tenho uma formação híbrida como muitos da minha geração. Ouvi de tudo, muita MPB, muita música “de rádio” do início dos anos 70, quando era adolescente, vi muita pornochanchada também dessa época, enfim, via novelas (e suas trilhas sonoras), li Castañeda e Neruda&#8230; (rsrsrs). É natural que as fronteiras fiquem meio difusas&#8230; confusas. Então o samba que tenho cantado acaba saindo cheio dessas influências.<strong> </strong></p>
<p><strong>02. <em>Na Cabeça</em> é o seu mais recente disco, união de sua voz com os violões de Zé Paulo Becker,Luis Flavio Alcofra e Rogério Caetano.  Como você definiria esse trabalho? </strong></p>
<p>Quis fazer uma síntese de tudo que vinha fazendo em disco. Convidei essas três feras para a empreitada. Queria fazer uma homenagem ao violão, que é o instrumento mais presente na minha carreira fonográfica.</p>
<div id="attachment_10260" class="wp-caption alignleft" style="width: 189px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/foto003.jpg"><img class="size-medium wp-image-10260 " title="foto003" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/foto003-199x300.jpg" alt="" width="179" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Edu Monteiro/fotonauta</p></div>
<p><strong>03. Ruy Castro escreveu sobre você em 2004: “Não é apenas um sambista perfeito, mas um cantor completo. Quando quer ser romântico ou ‘sério’, a mesma coisa. Não há muita gente por aí capaz dessas proezas.”  Você se considera um cantor completo?</strong></p>
<p>Não sei, acho que não&#8230; mas se o Ruy falou&#8230; (rs)</p>
<p><strong>04. Na época do Carnaval nasceu <em>Fossa Nova</em>, disco em parceria com o pianista Carlos Fuchs. Esse disco, como o próprio nome diz, traz canções de fossa, tristeza.  Ele nasceu de um estado de espírito seu na época? Se sim, “as não alegrias” só viram canções se você estiver mergulhadas nelas?</strong></p>
<p>Fossa Nova reflete sim, um momento de muita introspecção, de muita perturbação. Eu vivia uma vida errante, bebendo muito, me drogando muito. E as letras trazem esse “simbolismo”. Gostei de “não alegrias”, porque não era exatamente triste a minha vida, mas também não era alegre. Acho que quando você escreve uma canção, está sempre mergulhado em algum sentimento (estamos sempre mergulhados em sentimentos) e a canção acaba sendo um reflexo dele. A canção move o sentimento.</p>
<p><strong>05. Em 2011, você realizou shows em homenagem ao centenário de Assis Valente e Mário Lago, e a Pedro Caetano. Além desses shows, em sua carreira há bastantes homenagens. Em uma entrevista realizada com o cantor Mateus Sartori, perguntei se as homenagens feitas por ele era uma vontade de agradecer a compositores que o influenciaram ao longo de sua carreira.</strong> <strong>Quando você aceita ou realiza um projeto desse tipo é com esse propósito?</strong></p>
<p>Acho que sim. Adoro o Mateus.</p>
<p><strong>06. Os noticiários “pintam” o Rio de Janeiro de uma maneira negativa. Já os artistas, um Rio diferente. E você traz em sua carreira esse Rio diferente. Isso é nostalgia? Ou é uma forma de mostrar as belezas (não as naturais, porque isso é inegável) de um Rio escondido?</strong></p>
<div id="attachment_10261" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/foto001.jpg"><img class="size-medium wp-image-10261 " title="foto001" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/foto001-300x195.jpg" alt="" width="240" height="156" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Edu Monteiro/fotonauta</p></div>
<p>Ouça um disco meu chamado “Caracane”. Ali eu reflito sobre uma cidade que não está no mapa das belezas mas das mazelas. Sou “critiquérrimo” com minha cidade.  Mas não sou negativo.</p>
<p><strong>07. Você participou de Kananga do Japão (1989), novela da extinta Rede Manchete, interpretando Orlando Silva, o cantor das multidões. Como foi essa experiência, Marcos?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong>Foi muito CHIQUE, a novela era CULT e eu era TRASH.</p>
<p><strong>08. Final de ano. Há alguma novidade para o ano que vem que você poderia adiantar aos leitores do Poucas e Boas da Mari?</strong></p>
<p>Olha Mari, de cara uma super novidade: estamos lançando, Zé Paulo Becker e eu, um CD que fizemos juntos e que se chama “TODO MUNDO QUER AMAR” . Vai sair pela Biscoito Fino no começo de 2012. Aguardem!!!</p>
<p>Beijos</p>
<p><object width="300" height="250"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CoMyG6UFh3Y?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="250" src="http://www.youtube.com/v/CoMyG6UFh3Y?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<pre><em>www.marcossacramento.com.br/acervo </em></pre>
<p><strong>Quer ter a entrevista com o Marcos Sacramento em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/11/Entrevista-com-Marcos-Sacramento.pdf">Entrevista com Marcos Sacramento</a> <span style="color: #ff6600;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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		<title>Entrevista com o cantor Mateus Sartori</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 02:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Em Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[mateus sartori]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A música é uma das coisas mais verdadeiras que faço na minha vida&#8221; Mateus Sartori O Poucas e Boas da Mari bateu um papo com o cantor Mateus Sartori. Dono de uma voz cheia de sensibilidade, Mateus conta sobre o seu mais recente cd, Franciscos, lançado em janeiro de 2011 e que traz composições de Chico [...]]]></description>
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<div style="text-align: right;"><span style="color: #ff0000;"><strong><span style="color: #ff6600;">&#8220;A música é uma das coisas mais verdadeiras que</span><br />
<span style="color: #ff6600;"> faço na minha vida&#8221;</span><br />
</strong><span style="color: #000000;">Mateus Sartori</span></span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></span></div>
<div style="text-align: left;"><strong>O Poucas e Boas da Mari bateu um papo com o cantor <a href="http://www.mateussartori.com.br/br/">Mateus Sartori</a>. Dono de uma voz cheia de sensibilidade, Mateus conta sobre o seu mais recente cd, <em>Franciscos, </em>lançado em janeiro de 2011 e que traz composições de Chico Buarque, Chico César, Chico Pinheiro, entre outros Chicos de nossa música brasileira. Além disso, o cantor fala sobre seus outros trabalhos e novos projetos.</strong></div>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>01. Mateus, você está em fase de divulgação do seu terceiro trabalho, <em>Franciscos</em>, que traz composições de Chico Buarque, Chico César, Chico Pinheiro, entre outros Franciscos. A ideia de gravar esse disco tem um viés religioso? Ou foi uma devoção apenas musical?</strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: left;">
<dl id="attachment_8779" class="wp-caption alignleft" style="width: 177px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/08/MATEUS-SARTORI-Foto-Dani-Gurgel-6.jpg"><img class="size-medium wp-image-8779" title="MATEUS SARTORI -  Foto Dani Gurgel (6)" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/08/MATEUS-SARTORI-Foto-Dani-Gurgel-6-185x300.jpg" alt="" width="167" height="270" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Dani Gurgel </dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: left;">Na verdade foi o seguinte: várias coincidências ficaram em torno desse trabalho. Sempre que termino de gravar um disco, já começo um processo de pesquisa de repertório para o próximo. Há uma ansiedade que toma conta de mim que não consigo controlar. Logo que terminei a gravação do meu segundo cd, o <em>Dois de Fevereiro</em>, lançado em 2008, já comecei a pensar em um próximo trabalho e a selecionar músicas, mas assim, sem a pretensão ainda de um tema do que é que eu faria. Comecei a ouvir coisas e selecionei aproximadamente umas 40 músicas. Aí viajei para uma cidade chamada São Roque de Minas, onde nasce o rio São Francisco e lá conheci um cara chamado Francisco, um senhor que trabalhava com venda de peças de mosaico. Fiquei conversando horas com ele, eu falando sobre música e ele falando sobre as artes plásticas. Era um senhor muito sábio e foi muito gostoso nosso bate papo. Durante a conversa, ele disse um negócio que não sabia, que a palavra música vem da mesma palavra grega que deu origem a palavra mosaico. Retornei e fiquei com aquilo na cabeça. Voltei ao processo de seleção de repertório e quando vi dentro desse repertório pré-selecionado, que ainda não tinha um tema, vi que ali já tinha quatro Franciscos contemplados: Chico Buarque, Chico César, Chico Pinheiro e Chico Saraiva. Daí para frente, começaram as coincidências todas de nome Francisco e fui mais a fundo na pesquisa dos nomes, na escolha de repertório em cima desse tema, conhecendo novos Franciscos na música brasileira. Foi um processo muito divertido, muito gostoso.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Minha próxima pergunta está relacionada com a escolha do repertório de <em>Franciscos.</em> Dentro dessa pluralidade de compositores chamados Francisco, foi muito difícil escolher o repertório?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Foi difícil, tenho que assumir, eram muitos compositores legais para escolher. Para você ter uma ideia, quando comecei a selecionar por compositor, queria contemplar uma música de cada Francisco que havia selecionado na pesquisa, que eram 10, acabei deixando Chico Buarque por último, porque sabia que ali eu ia me perder, ia querer gravar quase tudo. Então, selecionei nove e deixei um espaço para apenas uma música do Chico Buarque, que acabou não acontecendo, porque gravei <em>Cantando no Toró</em> e acabou entrando depois <em>Morro Dois Irmãos</em> de Chico Buarque também. Esse processo de pesquisa foi complicado, porque era muita coisa bacana de se gravar, mas quando iniciei o processo de pré-produção, de arranjos, a experimentar as músicas com a banda, o processo ficou mais claro. É um negócio meio clichê, todo mundo diz isso, mas é a pura verdade, a música meio que escolhe você. Você experimenta, parece que aquela música foi feita para você cantar, outras não e o disco vai se formando. O processo demorou mais em chegar nas 30 músicas para tirar 11 faixas. Depois as 11 já foi mais natural.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Como está sendo o processo de divulgação do <em>Franciscos</em>, Mateus?</strong></p>
<p style="text-align: left;">O cd é distribuído mundialmente pela Tratore, principalmente nos sites de vendas de mp3, como Itunes, entre outros. Todos os meus cds são independentes, então é uma divulgação de um artista independente, é uma divulgação pequena, que a gente vai colhendo coisas e conseguindo novos espaços a cada trabalho. É assim o mercado fonográfico de hoje, infelizmente. Ou você está em uma grande gravadora, que paga tudo, que coloca a sua música na rádio, nas novelas e coloca você para circular o mundo inteiro, ou é um artista independente que cava o próprio espaço no dia a dia. Eu sou essa segunda opção.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Eu sempre toco nesse assunto sobre artistas independentes. Vocês acabam tendo mais liberdade em seus trabalhos, não?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Isso é bem verdade, mas conheço artistas que fazem parte de gravadoras, de um mercado maior que têm essa liberdade de escolher o que querem fazer, as músicas que querem gravar, quem vai produzir, quem vai tocar. Isso depende muito do segmento que você faz parte. Quando o segmento é direcionado para a Música Popular Brasileira, desse tipo de música que eu faço, que é uma música mais de pesquisa de repertório, de despreendimento do mercado e fazer o seu trabalho, aquilo que acredita, você ainda consegue ter controle. Agora, se você faz parte de um grande mercado de vendas de cds, de shows, um mercado mais pop, vamos dizer assim, ai tem que se enquadrar dentro daqueles padrões que a gravadora vai pedir. Eu por exemplo, como artista não aceitaria fazer, mesmo que houvesse um investimento grandioso na minha carreira, uma coisa que não acredito. A música é uma das coisas mais verdadeiras que faço na minha vida, então fazer isso para ganhar status, fama, dinheiro, isso é uma coisa que não caminha junto com a arte.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>02. Agora vamos falar do seu segundo cd, <em>Dois de Fevereiro </em>(2008)<em>. </em>Você acredita que ele<em> </em>foi um trabalho chave em sua carreira? Afinal, com ele, você foi muito elogiado pela crítica e percorreu grandes palcos do Brasil. </strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: left;">Eu devo muito ao meu segundo disco. Nas entrevistas, costumo dizer que no meu primeiro cd, que foi lançado em 2006, fiz dois shows: um grande show, que foi o de lançamento e mais um show em São Paulo e não consegui mais circular com esse disco. Viajo com meu segundo disco até hoje. Por exemplo, apresento no dia 04 de setembro (2011), em Mogi das Cruzes (SP), mais um show desse disco com o Danilo Caymmi, que é um grande parceiro, que tem viajado comigo o Estado de São Paulo inteiro. Agora, já começamos a pensar num projeto em homenagem aos 100 anos de Dorival Caymmi, que deve acontecer no Rio de Janeiro. É um disco que sem dúvida abriu muitas portas, rendeu muitas críticas positivas, não só no Brasil, mas no exterior também, muitos elogios da crítica especializada falando desse trabalho e consequentemente acabei viajando mais com ele, fazendo mais shows. Isso meio que consolidou a minha carreira como um cantor e até então, o terceiro trabalho, que é o <em>Franciscos</em>, o caminho tem sido muito mais fácil do que o primeiro. Com certeza, eu devo sim ao meu segundo cd, que foi em homenagem ao Dorival Caymmi.</div>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Esse projeto com o Danilo já tem data para começar?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Esse projeto iniciou em novembro do ano passado, nós já fizemos aproximadamente 20 shows e tem mais esse show em Mogi das Cruzes. Depois tem mais algumas coisas para acontecer. Faço no finalzinho de setembro, um show no Rio de Janeiro e ele faz uma participação lá comigo. Agora, esse projeto dos 100 anos do Caymmi ainda está sendo esboçado, porque é um projeto que talvez a família toda participe. Então, acredito que lá para 2013 mais ou menos.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>Dois de Fevereiro</em>, como você disse, homenageia Dorival Caymmi. Você também já gravou Ataulfo Alves e Adoniran Barbosa. Homenagens são frequentes em seus trabalhos.  Por quê? Seria uma vontade de agradecer a compositores que o influenciaram ao longo de sua carreira. </strong></p>
<p style="text-align: left;">Não só isso.  Agradecimento a essa obra, a esse cancioneiro da música brasileira a gente deve todos os dias, por isso acredito nessa música e quando vou gravar um disco, faço pesquisa. Por exemplo, o meu último disco agora foi uma música da década de 30, que foi gravada pelo Francisco Alves, mas é do Francisco Matoso com Lamartine Babo “Eu sonhei que tu estavas tão linda&#8230;”. Acho bacana o artista novo abrir espaço para novos compositores, mas como intérprete que sou, é interessante você resgatar essas músicas que atravessam gerações, você traz de novo à tona nome de cantores e compositores de uma época em que a música, felizmente nessa época, era muito mais valorizada, esse nicho de música estou dizendo era muito mais valorizado do que hoje. Essa coisa de homenagear sim, gosto de trabalhar não especificamente com homenagens, mas gosto de trabalhar com projetos temáticos. Penso em um tema e a minha pesquisa parte desse tema. Do Dorival Caymmi foi o tema do meu segundo disco, agora o <em>Franciscos</em> é o tema do terceiro. Esses trabalhos que eu participei, tanto do Ataulfo, como do Adoniran, foram produções de um grande amigo, o Thiago Marques, e acabei participando. Gosto de trabalhar com discos temáticos e sim, é uma forma de agradecer essa obra maravilhosa que a gente tem na nossa música.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>03. Em 2009, você lançou o projeto VILA DE SANT´ANNA, que teve como objetivo principal registrar e divulgar a produção musical da cidade de Mogi das Cruzes (SP).  Conte- nos um pouco sobre esse projeto. </strong></p>
<p style="text-align: left;">Nasci em Franca, minha família toda ainda reside em Franca, mas moro em Mogi desde os meus dois anos de idade. Tudo o que fui conseguindo em minha carreira até hoje devo muito a minha cidade. Um celeiro de bons compositores, ótimos artistas plásticos, excelentes peças de teatro. Apesar de estar muito próxima de São Paulo, a gente tem um nível muito bacana de artes na cidade e eu queria divulgar um pouco mais dessa música que é produzida aqui e que infelizmente não vai sair da cidade se um artista não expor isso para fora, porque são compositores que tocam a noite, que se contentam com esse espaço dos bares, que não querem uma projeção, não querem gravar disco, nada disso, mas são excelentes compositores. Então,  pensei num projeto em que eu gravaria vários compositores&#8230; O que faço? Quando viajo para cidades para fazer shows, levo esses discos e faço contato com compositores dessas cidades e dou de presente esse disco para que as pessoas conheçam a produção musical de Mogi das Cruzes.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>O cd é o <em>Barroco</em>, né?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Isso! O cd Barroco eu gravei 11 compositores de Mogi.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>04. Além da formação musical erudita e popular, você é arquiteto urbanista. Uma formação “constrói” a outra?</strong></p>
<div class="mceTemp" style="text-align: left;">
<dl id="attachment_8781" class="wp-caption alignleft" style="width: 183px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/08/MATEUS-SARTORI-Foto-Dani-Gurgel-4.jpg"><img class="size-medium wp-image-8781 " title="MATEUS SARTORI -  Foto Dani Gurgel (4)" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/08/MATEUS-SARTORI-Foto-Dani-Gurgel-4-192x300.jpg" alt="" width="173" height="270" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Foto: Dani Gurgel</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: left;">O dia a dia constrói o ser humano. A formação de arquitetura me auxilia na montagem dos meus shows, na concepção da luz dos meus shows, cenário quando tem, os encartes e material gráfico dos meus cds sou eu mesmo que produzo. Nas turnês que faço, normalmente crio todas as peças publicitárias, planejo todo o material de divulgação. Sem dúvida, a arquitetura sempre me ajudou muito e o canto erudito, minha escola, me auxiliou bastante no canto popular em função de técnica, de resistência vocal, impostação. Aprendizado nunca é de mais, sempre você vai utilizar aquilo para alguma coisa, seja em sua carreira ou no seu cotidiano.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>05. Há alguma novidade para esse segundo semestre?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Para o segundo semestre comecei a pensar em um projeto junto com um amigo, o Guilherme Ribeiro&#8230; Luiz Gonzaga completaria 100 anos se estivesse vivo e a gente pensou em um projeto agora, para quem sabe ano que vem colocar isso em prática. Já comecei a pensar num próximo trabalho para lançar para daqui a um ano e meio, dois anos, mas já comecei a ouvir algumas coisas em busca de repertório. Mas a intenção principal agora ainda é viajar com o cd <em>Franciscos</em>, porque o disco é muito recente, foi lançado em janeiro, ele tem vida longa ainda.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Mateus, muito obrigada pela entrevista!</strong></p>
<p style="text-align: left;">Eu quem agradeço o espaço. Como eu disse, o artista que não faz parte desse grande mercado tem certa dificuldade para divulgar o trabalho e projetos como o seu, por exemplo, nos ajuda a levar nossa música para outros lugares e a outras pessoas que não tiveram acesso. Eu agradeço a abertura.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Obrigada pelas palavras!</strong></p>
<p style="text-align: left;"><object width="300" height="250"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TRgDCg7imJQ?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="250" src="http://www.youtube.com/v/TRgDCg7imJQ?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Quer ter a entrevista com o Mateus Sartori em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/08/Entrevista-com-Mateus-Sartori.pdf">Entrevista com Mateus Sartori</a><span style="color: #ff6600;"> (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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		<item>
		<title>Entrevista Leandro Pfeifer, do grupo Encantoria</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 17:14:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[encantoria]]></category>

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		<description><![CDATA[// O site Poucas e Boas da Mari entrevistou Leandro Pfeifer, integrante do grupo Encantoria. Como o próprio nome evoca, o grupo, que tem como um dos seus aspectos principais a valorização da cultura popular do país, encanta com o seu trabalho autoral, recheado de ritmos, sons e poesia. Nascido em 2007, o Encantoria é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<p style="text-align: justify;"><strong>O site Poucas e Boas da Mari entrevistou Leandro Pfeifer, integrante do grupo Encantoria. Como o próprio nome evoca, o grupo, que tem como um dos seus aspectos principais a valorização da cultura popular do país, encanta com o seu trabalho autoral, recheado de ritmos, sons e poesia. Nascido em 2007, o Encantoria é formado pela fusão de artistas dos grupos Jabaculê (samba rock e reggae), Cirandeiros (trabalho autoral e arranjos inspirados de cantigas tradicionais) e  Cia Duberrô (a arte de contar e cantar histórias). Conheça mais sobre o grupo nessa entrevista:</strong></p>
<div id="attachment_8603" class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Foto-de-Divulgação-red.jpg"><img class="size-large wp-image-8603 " title="Foto de Divulgação red" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Foto-de-Divulgação-red-1024x682.jpg" alt="" width="430" height="286" /></a><p class="wp-caption-text">Divulgação</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>01. Leandro, o grupo Encantoria nasceu da idéia de reforçar a importância da cultura popular no meio musical?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, esse é um dos aspectos principais e ocorreu de forma natural, pois todos os integrantes já vivenciavam de variadas formas a diversidade presente na cultura popular do Brasil em outros grupos, projetos, comunidades, universidades, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, como dez dos onze integrantes do grupo são músicos, essa vivência orgânica refletiu naturalmente no trabalho autoral do grupo. Portanto, outro foco trabalho além do citado na pergunta, é ressignificar essas influências através do trabalho autoral, ou seja, nossas músicas próprias trazem ritmos e sonoridades de várias partes do Brasil, misturando viola caipira com batuques do nordeste, metais com poesias declamadas e outras misturas inusitadas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Encantoria nasceu em 2007 através do encontro de três grupos para realizar um projeto nas praças de Limeira e se uniu para realizar o arranjo da música “Essa Coisa Boa” (Leandro Pfeifer). O resultado foi tão bacana que promoveu a fusão de onze integrantes dos grupos Jabaculê (samba rock e reggae) e Cirandeiros (trabalho autoral e arranjos inspirados de cantigas tradicionais) e muitas conquistas em pouco tempo de estrada. O terceiro grupo Cia Duberrô (a arte de contar e cantar histórias) continuou seu trabalho paralelamente e nesse ano também lançará seu primeiro CD com apoio do ProAC.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02. Você foi idealizador do projeto “Essas Mãos que Segurei”. Qual o significado do nome e como foi a construção desse projeto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Como citei na pergunta anterior, o nascimento do Encantoria está ligado à união de grupos, de pessoas, está ligado a encontros que deram certo. No cenário musical atual é muito difícil manter um grupo desse tamanho, porém as oportunidades fluíram e estão fluindo para o Encantoria a partir desses encontros.</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos grupos citados, o projeto de gravação e divulgação do CD promoveu a participação e contribuições de artistas importantes em nossa trajetória como Tião Carvalho, Ana Maria Carvalho, Gabriel Levy, Enock Virgolino, Kaká Werá, Tatiana Zalla, Marquinho Mendonça, Rosângela Macedo e outros que se uniram ao grupo com diferentes contribuições durante o processo como Madalena Bernardes, Cleyver Rossi, Luciano Filho, Kléber Albuquerque, Roseana Murray e Adams Carvalho.</p>
<div id="attachment_8606" class="wp-caption alignright" style="width: 169px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Leandro-Cena_0.jpg"><img class="size-medium wp-image-8606 " title="Leandro Cena_0" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Leandro-Cena_0-199x300.jpg" alt="" width="159" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Leandro Pfeifer (Reprodução site Encantoria)</p></div>
<p>O termo “Essas Mãos que Segurei” vem do refrão da música “Vida Brincante” (Lucas Barel) e revela o espírito do trabalho e do grupo. Quanto à elaboração do projeto, o Encantoria já havia iniciado o processo de gravação através de prêmios recebidos em festivais paulistas, recurso que viabilizou a gravação de boas demos. O intenso trabalho, dedicação artística e investimento prévio do grupo aliado a minha experiência na concepção e coordenação de projetos culturais foram os fatores determinantes para aprovar e, posteriormente, captar os recursos necessários.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03. &#8220;Essas Mãos que Segurei&#8221; recebeu patrocínio de empresas e incentivos do Estado. Qual é a sua visão sobre as políticas públicas voltadas para a área cultural? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que as leis de incentivo são hoje um dos oásis para a produção cultural no Brasil. No caso do ProAC (lei de incentivo do Estado de São Paulo) que aprovou o nosso projeto, vejo que a diversidade de linguagens e estilos contemplados através dos diversos editais  revelam um caminho positivo para a valorização de inúmeras formas de expressão cultural e artística.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04. O grupo Encantoria não é simplesmente uma banda, ele leva também a cultura popular às pessoas por meio de vivências e oficinas. Fazer com que as pessoas vivenciem a cultura dessa maneira é mostrar que elas não são parte distante desse universo, e sim, arquitetos dele?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A busca dos integrantes pelo aprendizado com mestres da cultura popular, comunidades tradicionais, histórias sobre a formação de nossa cultura, sem dúvida está ligada à busca pelo autoconhecimento. Tem muitas histórias, ricas e expressivas sonoridades e muita sabedoria nos cantos e recantos do Brasil. Portanto, a meu ver, essa busca atual de muitos grupos, artistas, pesquisadores, estudantes e de apreciadores da arte em todas as suas expressões pela cultura popular do Brasil é uma atitude mais profunda do que um interesse folclórico e nacionalista. Está ligada a um reencontro com nosso espírito, um encontro com a coragem de sermos quem somos sem precisar tentar ser algo. Simplesmente ser &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E quando falamos de Brasil, falamos de mundo, recentemente em um Workshop do grande percussionista Naná Vasconcelos, ele narrou que estava ensinando música africana aos africanos e música portuguesa aos portugueses, melodias e ritmos que aprendeu em sua infância no Pernambuco. Não é à-toa que muitos estrangeiros estão buscando no Brasil fragmentos das culturas populares de todo mundo, não é à-toa que em nosso país apesar de inúmeros desencontros, muitos encontros aconteceram entre povos que realmente se permitiram viver a formação de um “Povo Novo”, como diria o mestre Darcy Ribeiro em seu livro “O Povo Brasileiro”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05. No <a href="http://www.encantoria.com/blog">blog</a> do grupo, foi aberto um espaço para discutir questões ambientais, como o Novo Código Florestal. Preservar o meio ambiente é uma forma de preservar a cultura?</strong></p>
<div id="attachment_8604" class="wp-caption alignleft" style="width: 182px"><a href="http://www.encantoria.com/compra-do-cd"><img class="size-medium wp-image-8604  " title="cd3d" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/cd3d-246x300.png" alt="" width="172" height="210" /></a><p class="wp-caption-text">Divulgação</p></div>
<p style="text-align: justify;">Como mencionado no blog, nossa missão é colocar uma luz nas belezas presentes na cultura popular brasileira através do nosso trabalho artístico, priorizando como escolha consciente, descobrir soluções e exaltar a positividade ao invés de protestar e colocar mais foco em atitudes que reprovamos. Porém, existem momentos onde precisamos sair um pouco do foco artístico e exercitar outras formas de se manifestar e outros caminhos para a reflexão, utilizando nosso portal para divulgar acontecimentos que julgamos relevantes. No caso citado, ficam explicitas as novas formas de censura à que somos submetidos. Os protestos contra a Belo Monte, o Código Florestal e as consequências dessas mudanças para a natureza, comunidades indígenas e do entorno não são veiculados na mídia. Como exemplo, recentemente (19/06/2011) 3.000 (três mil pessoas) pessoas, entre indígenas e ativistas, realizaram no MASP uma manifestação e quase nenhum órgão de mídia divulgou suas reivindicações ou divulgou com distorções. Por que será?!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06. Quais são os próximos projetos do Encantoria? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">No momento, o Encantoria está focado na divulgação do CD “Mãos que Segurei”, fruto de dois anos de trabalho, com apresentações e vivências de cultura popular. Em nosso site é possível<a href="http://www.encantoria.com/compra-do-cd"> comprar o CD</a>, baixar as canções gratuitamente, inscrever seu email em nossa newsletter, acompanhar nossa agenda, histórico, conhecer os integrantes, além do Blog citado. Em breve, sairá também o Clip da turnê “Mãos que Segurei” com a canção Santaiada (Leandro Pfeifer).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quer ter a entrevista com o Leandro em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Entrevista-Leandro-Pfeifer-do-grupo-Encantoria.pdf">Entrevista Leandro Pfeifer, do grupo Encantoria</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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		<title>Entrevista com a atriz Rosanne Mulholland</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jul 2011 22:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[rosanne mulholland]]></category>

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		<description><![CDATA[// Nos dias 09 e 10 de julho, foi apresentada na Viagem Teatral, do Sesi Rio Claro, o monólogo Louise Valentina, do diretor Felipe Vidal. No elenco: Rosanne Mulholland. Como sou fã confessa do trabalho da atriz no cinema, não podia perder a oportunidade de entrevistá-la e é claro, assistir ao espetáculo. Rosanne me recebeu três [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<p style="text-align: justify;"><strong>Nos dias 09 e 10 de julho, foi apresentada na Viagem Teatral, do Sesi Rio Claro, o monólogo<em> Louise Valentina, </em>do diretor Felipe Vidal. No elenco: Rosanne Mulholland. Como sou fã confessa do trabalho da atriz no cinema, não podia perder a oportunidade de entrevistá-la e é claro, assistir ao espetáculo. Rosanne me recebeu três horas antes da apresentação e tivemos um bate-papo longo e bem descontraído. A atriz falou sobre suas peças, filmes e suas participações na TV, como no programa A Liga, da Band. Ao final da entrevista senti com o dever cumprido ao ouvir &#8220;Nossa! Você estudou sobre minha vida, hein?&#8221;. E depois de assistir a peça, virei fã confessa do trabalho dela no teatro.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Confira a entrevista com a atriz Rosanne Mulholland:</strong></p>
<div id="attachment_8558" class="wp-caption alignnone" style="width: 458px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0029.jpg"><img class="size-full wp-image-8558" title="DSC_0029" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0029.jpg" alt="" width="448" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Filipe Malosá</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>01. Rosanne, começo a entrevista falando de <em>Louise Valentine</em>, monólogo com direção geral de Felipe Vidal, inspirado na atriz americana dos anos 20, Louise Brooks e em Valentina, personagem de história em quadrinhos italiana dos anos 60. Você é a <em>stand-in</em> da atriz Simone Spoladore. Como foi o convite para participar do espetáculo? Essa não é a primeira vez que você trabalha com o Felipe.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu já tinha feito uma peça com o Felipe há alguns anos, era uma peça chamada <em>O Mundo Maravilhoso de Dissocia</em>,<em> </em>a gente ficou em cartaz no Sesc, lá no Rio (de Janeiro). Louise Valentina tem pequenos filmes que passam durante a peça e participei de um deles com a Simone em São Paulo. Quando ela teve um problema de agenda, o Felipe me ligou e perguntou se eu podia. Falei: “ah, vamos lá”. (rs) Na verdade, primeiro falei assim: “Não estava pensando em fazer um monólogo agora”. (rs) Nunca tinha ficado sozinha no palco, me deu um gelo na hora que ele me convidou. Ele disse: “Você dá conta, tem os filmes, vamos lá”. Aceitei! Ensaiei rapidinho&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então não foi durante o processo de ensaio da Simone que você foi convidada?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não, a peça já estava pronta quando cheguei e tive que ser bem rápida para “pegar” tudo e poder fazer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Já que você falou sobre seu nervosismo ao ser convidada para fazer o monólogo&#8230; A tendência do público é observar bem mais o ator em cena. Há mais cuidado ao se fazer um monólogo por causa dessa observação mais direta ou esse cuidado independe da quantidade de atores no espetáculo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não! Cuidado é o mesmo que tenho com qualquer papel, só que dá mais trabalho. Você não tem outra pessoa para dividir a responsabilidade, para ajudar se acontecer alguma coisa. Não tem ninguém para salvá-la ali, tem que “se virar”. O cuidado é o mesmo de sempre, a responsabilidade talvez seja maior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02. Além de dança, o espetáculo combina alguns elementos das artes visuais e do cinema. Você acredita que a tendência do teatro é essa: inserir tecnologias como complemento das cenas? Ou não? É puramente uma questão de estilo da direção?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cada vez isso vai acontecer mais e mais, mas, também não acho que será sempre assim. Sempre vai existir o teatro tradicional. Quanto mais possibilidades a gente tiver melhor e é isso que vai acontecer. A gente vai ter mais possibilidades e mais coisas serão inseridas e misturadas. A diversidade é sempre importante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você gosta dessa mistura de artes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu gosto! Essa peça é bem bonita. Quando assisti com a Simone já tinha ficado encantada, mas não digo que seja minha preferência. Tem tantas peças tradicionais que são incríveis, não consigo pensar qual estilo que gosto mais. Gosto de bons espetáculos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Com certeza! </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03. Você fez um travesti em <em>A Inevitável História de Letícia Diniz</em>. Apesar de serem histórias totalmente diferentes, quando li sobre a peça, lembrei-me do filme Transamerica, estrelado pela atriz Felicity Huffman. A atriz do filme fez um transexual e você, um travesti, porém as duas são mulheres. Como foi fazer um homem, que se veste de mulher, sendo uma mulher? É a desconstrução do seu ser, para construí-lo novamente.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_8559" class="wp-caption alignleft" style="width: 209px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0012.jpg"><img class="size-medium wp-image-8559 " title="DSC_0012" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0012-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Filipe Malosá</p></div>
<p>Vou dizer que fiquei bem confusa com isso que você colocou (rs). Não sabia se primeiro tinha que virar um “homem”, para depois fingir ser uma mulher, não sabia muito bem qual caminho que escolhia. E na verdade acabou sendo mais simples do que tudo isso. Um travesti faz sempre um esforço para ser uma mulher, existe sempre um esforço para mostrar que é uma mulher, que nós como mulheres não precisamos fazer nenhum. Esse caminho me ajudou bastante. Claro que procurei algumas sutilezas masculinas para compor a personagem, mas essa personagem, a Letícia, especificamente, é um travesti que é muito feminino, é aquele que anda na rua e ninguém vai imaginar que é um travesti. Também era muito complicado eu não parecer totalmente uma mulher. Não podia ser tão simples, mas também não era para ser uma coisa muito afetada. Então, trabalhamos até chegar a um ponto que eu e o diretor, Marcelo Pedreira, gostamos. Foi bem divertido, dá muito trabalho, conversei com muito travesti, vi muitos depoimentos, inclusive entendo esse universo de outra forma agora. Sempre achei que fosse uma pessoa liberal, que não tivesse preconceito em relação a essas coisas, mas o que a gente sabe sobre esse universo de uma maneira geral é muito pouco. Descobri muita coisa interessante nessa pesquisa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você sempre faz pesquisa, laboratório para compor suas personagens?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depende bastante. Por mais que eu escolha fazer um laboratório, uma coisa importante para mim é no final do dia voltar para casa e viver como Rosanne.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tocarei nesse assunto em outra pergunta.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não me imagino por causa de uma personagem morar em um lugar onde ela moraria, viver uma semana fazendo todas as coisas que ela faria. Posso até passar o dia, mas à noite, eu preciso ir para a minha casa, deitar na minha cama, falar com a minha família, qualquer coisa, mas preciso voltar a minha identidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vou fazer a minha pergunta que se encaixa nesse assunto. Vamos falar de cinema e confesso que sou muito sua fã.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que bom! (rs)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Citando alguns exemplos de filme que você fez, em <em>Falsa Loura</em>, uma proletária, em <em>A Concepção</em>, uma garota que vive novas experiências, em <em>Meu Mundo em Perigo</em>, uma mulher com problemas, em <em>Nosso Lar</em>, uma menina que questiona a própria morte. É fácil desligar das personagens após mergulhar no universo delas?  Porque todas essas personagens que citei, a carga de energia é muito forte, é muito pesada.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vou falar que já aconteceu de me confundir um pouco. (rs) Nada grave, mas você passa muito tempo na energia daquela personagem, ai está em casa, quando vê falou de um jeito mais ríspido, por exemplo. Opa! Acho que isso não é meu, acho que é da personagem X. Tudo é como uma brincadeira, na verdade. Você vai lá, faz seu trabalho, se diverte, mas tem que ter uma hora que&#8230; dá uma respirada, pelo menos para mim. A Concepção foi muito forte; talvez por ter sido o meu primeiro filme de mais destaque, foi muito intenso, a nossa preparação foi muito intensa. Vivíamos situações de exposição que para mim eram muito novas. Fazíamos laboratórios, saímos na rua fingindo ser o “concepcionista”, falando com as pessoas,  fazendo coisas que não vivia. Alguns dias, os atores se juntavam, dormiam no hotel e ficavam como “concepcionistas” o tempo inteiro. Eu falava: “gente, pelo amor de Deus, vou embora, depois a gente se vê”. (rs) Cada um tem um jeito que prefere, não tem uma única forma para todo mundo, cada um tem a sua maneira de viver tudo isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Assistir <em>A Concepção </em>foi intenso para mim, imagino para vocês que vivenciaram isso&#8230; </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04. Uma entrevista sua sobre o filme <em>Nosso Lar </em>me chamou a atenção. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O que será que eu falei? (rs)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Para o site UOL, em 2010, você disse: “nesse filme a imersão é mais intensa do que nos outros, porque a gente vai para outra dimensão. Tudo é tão diferente, as roupas, os objetos&#8230;” Achei, por exemplo, que fazer a personagem de <em>A Concepção </em>fosse muito mais intenso. Não foi? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes me expresso mal, talvez esses “outros” não seriam os outros filmes, não sei exatamente com o que comparei, mas não que tenha sido mais intenso que os outros filmes, não é por aí. O que seria diferente dos outros é que você está em um mundo paralelo, que é diferente de tudo o que já tinha feito e lidar com a morte é pesado também, difícil. No caso dessa personagem, que não estava bem resolvida em relação a isso, era um conflito. Não vou entrar no mérito do espiritismo, mas para a gente que está aqui vivendo essa vidinha é muito surreal imaginar “eu morri”. Então, têm umas especificidades desse trabalho, mas eu não compararia com os outros não, é diferente na verdade. Cada personagem tem seu peso, sua intensidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há características da Rosanne nas personagens? Ou não, pois elas são diferentes de você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Procuro sempre, tentar pelo menos, criar diferenciações, mas um pouco sempre leva. Sou eu, né? E sempre vou ser. Quando estreei A Concepção, em Brasília, uma amiga de infância disse uma coisa bem interessante&#8230; Não sei se foi A Concepção na verdade, talvez&#8230; ela disse: “eu consigo diferenciar todas suas personagens uma das outras, mas nenhuma delas consigo diferenciar de você”. Quem me conhece me vê em tudo. Não tem como se distanciar completamente, até porque a gente trabalha com as nossas histórias, com os nossos sentimentos, nosso corpo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05. Já que falou de <em>A Concepção</em>, você tem uma relação profissional intensa com o diretor José Eduardo Belmonte. Como é trabalhar com ele? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_8560" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0017.jpg"><img class="size-medium wp-image-8560" title="DSC_0017" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0017-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Filipe Malosá</p></div>
<p>Eu sou suspeita, né? Ele praticamente “me criou” dentro do cinema, comecei com ele. Digamos que ele me ensinou a ser uma atriz de cinema.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então foi uma ótima criação, afinal, você tem mais de 10 filmes na carreira. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas foi. Nunca tinha feito cinema antes dele. Meu primeiro curta foi com ele, não foi meu primeiro longa, mas foi o longa que mudou a minha vida, que me inseriu no mercado de trabalho, foi com ele. O Zé é um diretor que gosta do ator, desenvolve um método de trabalho com os atores, então é muito especial sempre fazer um trabalho dele. Ele se interessa por dar desafios para o ator e junto chegar a um resultado, ele se diverte com tudo isso. Então é muito gostoso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06. </strong><strong>Rodrigo Santoro e Alice Braga são dois atores que seguiram carreira no cinema e hoje atuam em longas internacionais. Com sua extensa carreira em filmes nacionais, já pensou em trabalhar fora do Brasil? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então, essa questão é um pouco complicada para mim, porque é muito difícil eu entrar no mercado americano como uma atriz brasileira, não tenho cara de brasileira, ou pelo menos não tenho a cara da brasileira que eles imaginam. Como americana também é complicado porque tenho sotaque, até falo inglês bem, mas tenho sotaque, nunca morei lá. Então, quando eles procuram uma atriz brasileira, já até fiz um teste&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sua família paterna é norte-americana, né? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">É! Não sou latina suficiente para eles, entendeu? Não sei, acho que teria que mudar para lá, investir em uma carreira lá e não quero não. (rs) Quero morar aqui! Quem sabe eu dê uma sorte e “pague a língua”, mas a principio o que tenho percebido dessa situação para mim é isso. Não estou criando muita expectativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nos filmes têm os preparadores de atores. É necessário ter um preparador? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depende. Tem diretor que gosta de ter um preparador, às vezes não sabe lidar tanto com o ator ou prefere se preocupar com outras coisas. A preparação é importante, se vai ser com preparador de elenco, com o diretor, enfim, com quem quer que seja, não importa tanto. Mas a preparação é muito importante, porque pelo menos os filmes que eu fiz com preparação, estive muito mais à vontade no set, me sentindo mais à vontade com os atores, já sabendo qual era a minha função, com as relações já estabelecidas. Eu acho mais gostoso, gosto da preparação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando você fala em preparação é quando tem um profissional?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_8561" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0010.jpg"><img class="size-medium wp-image-8561 " title="DSC_0010" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0010-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Filipe Malosá</p></div>
<p>Não, não, às vezes o diretor faz a preparação. Aí é que tá, para mim é importante ter a preparação, agora se vai ser com um preparador de elenco ou com o próprio diretor, não importa. Já fiz filme sem preparação também, mas prefiro ter.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07. Você participou de algumas novelas na TV, como por exemplo: <em>Sete Pecados</em>, na Rede Globo, e <em>Água na Boca</em>, na Rede Bandeirantes. A impressão que tenho é que no cinema e no teatro, o ator tem mais liberdade em cena do que na TV. A TV inibe a atuação do ator? Ou essa minha impressão é equivocada?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pergunta boa essa! Não sei muito dizer, o que tenho a dizer é sobre a minha experiência. Para TV, você tem que estar preparado sempre. Entrou para fazer sua primeira cena, com uma pessoa que nunca viu, você tem que fazer muito bem. Por exemplo, a questão da preparação não existe, que é uma coisa que eu gosto. Então, você tem que estar disponível, preparada e se “colocar para fora” sempre desde o início. Eu tenho um tempo mais lento (rs), sou meio tímida, gosto de conversar e entrar nas coisas aos poucos, então para mim é difícil. Agora, tem gente que faz com muita facilidade. Essa novela na Band foi muito boa, porque entendi muita coisa ali, aprendi muito com essa novela, eu gravava muito. Foi ótimo ter feito! Mas o que vai mais de acordo com a minha natureza, com o meu temperamento é o cinema mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu conhecendo você agora, nunca iria vê-la como Silmara (personagem do filme <em>Falsa Loura</em>). Jamais! (rs)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nem eu sei como fiz aquilo! (rs)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ficou muito bom e verdadeiro. Você acha que a televisão daria essa abertura para você?  Daria uma personagem como a Silmara?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Poderia dar algum dia, mas teria que fazer um monte de papéis muito interessantes antes para eles confiarem que eu daria conta. Eles começam encaixando você onde é mais óbvio. Mas muita gente no cinema faz isso também, não é qualquer diretor de cinema que me daria a Silmara para fazer. Dei muita sorte do Carlão (diretor Carlos Reichenbach) ter acreditado. O cinema também tem um tempo de preparação, na televisão acho que é mais difícil você chegar com um personagem tão diferente. Como falei, você chegou, gravou. O máximo uma conversa com o diretor antes, não tem tempo de errar. Quando a gente se prepara em cinema, ensaia para o teatro, a gente tem tempo de errar,  pode errar bastante até a coisa dar certo, a TV não. Deve ser por isso que eles se sentem mais seguros escalando dessa maneira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Existe essa divisão: “eu sou ator de cinema”, “eu sou ator de teatro”, “eu sou ator de televisão”? Ou o ator tem que ser completo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Cada um pode escolher o seu caminho. Você fazer todas as coisas é muito enriquecedor, porque no teatro, eu trabalho um tipo de interpretação, trabalho personagens diferentes, tem um processo de ensaio diferente do que é no cinema, que é um processo diferente que eu vou ter na televisão, que vou aprender fazer as coisas com mais rapidez, vou ganhar uma agilidade que de repente no cinema não tinha. No fim tudo se complementa. A Glória Pires fez televisão a vida inteira, nunca fez teatro, fez alguns filmes e quem vai dizer que ela tem que fazer teatro?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08. De atriz a repórter. Você participou da primeira temporada do programa <em>A Liga</em>, da Band. E decidiu encerrar sua participação por aí. Foi uma experiência que a tirou da zona de conforto? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com certeza! Inclusive foi bem em uma época que eu estava me propondo a sair da zona de conforto, querendo alguma coisa diferente. Daí surgiu esse teste para ser repórter e eu nunca achei que ia servir para ser repórter. Tinha uma amiga em Brasília, que ela era repórter do SBT e falava super bem. Eu falava para ela: “Ai Fernanda, nunca vou fazer isso, não tenho a menor condição“. Enfim&#8230; surgiu esse teste para A Liga, conheci o diretor do programa, ele me explicou a proposta. Realmente é um tipo de repórter diferente, não precisava estar ali segurando um microfone, ou sorrindo, ou falando algo pré-fabricado, eu podia ser eu mesma, aliás, eu devia ser eu mesma naquela situação, perguntando o que gostaria de perguntar para aquelas pessoas. Óbvio que a gente tinha um roteiro, mas a gente tinha muita liberdade e não precisava fingir que não estava me emocionando, por exemplo. Tudo isso fazia parte, mostrar o que estava sentindo, o que estava vendo. Então, acho que deu certo por isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Era um cinema da vida real.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mais ou menos por ai. E acabou que eu vivi coisas muito interessantes. Vivi situações, conheci lugares, pessoas que, imagina&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tem alguma história que marcou você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Têm várias, não dá para pensar em uma, porque têm coisas bem fortes mesmo. A necropsia que assisti foi super forte, nem preciso explicar o motivo. Mas também ver uma família que não tem o que comer, onde as crianças comem arroz e o irmão mais velho deixa de comer o segundo prato, porque a irmã de cinco vai querer, é muito triste. Por mais que você saiba, leia no jornal que essas coisas acontecem, quando você está nessa situação é muito diferente. Acho que a gente se acostumou a ler tragédia no jornal, virou situação do dia-a-dia, virou natural. A gente não sente mais. Foi bom ter visto, ter falado com as pessoas, eu me senti mais humana de alguma forma.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Apresentação1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-8562" title="Apresentação1" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Apresentação1.jpg" alt="" width="467" height="214" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu já tive essa experiência e não é nada bacana.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nada bacana mesmo. Ver as pessoas morando naqueles barracos, com as coisas entulhadas, não fervendo a água, porque vai gastar gás. Nossa, é muito duro! Tem outra história também: o cara que limpa esgoto. Cara, que trabalho é esse? Na rua agora quando vejo os caras limpando o esgoto, eu penso: “Vai lá, amigão! Boa sorte!”. Ainda bem que eles existem, porque se não ia ser tudo uma bagunça, uma porcaria a cidade. Mas realmente é um negócio complicado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que você decidiu sair do programa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Porque eu não consegui conciliar com a minha carreira de atriz, eu ia virar repórter e essa nunca foi minha vontade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E sua formação também é psicologia, né?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pois é! (rs) Mas foi ótimo ter vivido essas coisas, como experiência foi ótimo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09. Para finalizar, há novidades ainda para esse ano que você pode adiantar para os leitores do Poucas e Boas da Mari? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem o filme do Carlos Gerbase, que chama Menos que Nada. Eu vou filmar com Belmonte no final do ano. Enfim, algumas coisas em aberto. Nunca sei o quê dizer nessas horas. Têm aqueles filmes que a gente vai filmar em julho, depois passa para setembro, depois passa para novembro. Prefiro parar por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Você fica ansiosa  quando um filme seu vai estrear?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acostumei, sabia? No começo muito. Filme tento esquecer depois que eu filmei, tem um momento ou outro que você pensa “como é que ficou aquilo?”, “será que ele vai usar aquele <em>take</em>?”, “será que aquela cena?”. Mas já não sofro mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>11. Em momentos da nossa entrevista, você disse que era tímida&#8230; isso, porque iria finalizar a entrevista (rs)&#8230; Mas em muitos de seus filmes, por exemplo, você trabalha com sua sensualidade, com nudez. Como é isso para você sendo uma pessoa tímida? É muita exposição, não é?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É! (rs) Confesso que quando estreou A Concepção, no Festival de Brasília, eu não conseguia levantar da cadeira de nervosa. Estava muito nervosa, mas acho que faz parte do trabalho do ator, se está dentro da proposta do filme é importante para a história que está sendo contada. No caso de A Concepção, não dava para fazer embaixo do cobertor, não tinha sentido a gente falar sobre identidade, falar de quebrar as regras, de drogas, de liberdade sexual e tudo, seria hipócrita e o filme não era para ser hipócrita. Há alguns filmes que pedem, sei lá, me dispus a me desafiar e a fazer. Mas não é fácil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Inclusive <em>Louise Valentina </em>tem nudez.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem! Mas é tranquilo na verdade. No começo tem uma coisa dentro da caixa, que é uma posição meio estranha, não dá para ver muito, têm os filmes, que não é completamente nua, mas é uma coisa erótica, tem um vestido meio transparente. Não tem muito não. No palco é engraçado, porque dá certo poder também: “vocês não têm coragem!” (rs) Esse raciocínio me ajuda com a personagem, ela “se acha” um pouco. Eu tenho que arrumar um caminho que me deixe tranquila, que me leve para perto da personagem e que eu não pense em nada disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então tá certo! Obrigada!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De nada!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quer ter a entrevista com a Rosanne Mulholland em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Entrevista-Rosanne-Mulholland.pdf">Entrevista Rosanne Mulholland</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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		<title>Entrevista com o harpista Jonathan Faganello</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 15:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[jonathan faganello]]></category>

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		<description><![CDATA[// O site Poucas e Boas da Mari entrevistou o harpista rioclarense Jonathan Faganello. Faganello tem um diferencial: toca Heavy Metal na harpa. &#8220;O fato de eu ter um estilo diferente quebra aquele paradigma de que o harpa só toca música clássica ou música natalina,&#8221; conta o harpista, que começou a tocar aos 11 anos [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><strong>O site Poucas e Boas da Mari entrevistou o harpista rioclarense Jonathan Faganello. Faganello tem um diferencial: toca <em>Heavy Metal </em>na harpa. &#8220;O fato de eu ter um estilo diferente quebra aquele paradigma de que o harpa só toca música clássica ou música natalina,&#8221; conta o harpista, que começou a tocar aos 11 anos de idade. Apesar de jovem, o músico tem uma extensa carreira, já participou de vários festivais nacionais e internacionais, já atuou na orquestra Filarmônica de Piracicaba (SP) por várias ocasiões e possui dois projetos <strong>o <em>Burning Symphony, </em>onde executa clássicos do R<em>ock</em> e <em>Heavy Metal</em> e o <em>Celtic Charm´s, </em>onde toca músicas de raízes celta, em parceria com a cantora lírica Débora Letícia. Além do<a href="http://www.jonathanfaganello.com.br/index2.html"> seu site</a>, o trabalho de Jonathan pode ser apreciado no site <em>You Tube</em>,<strong><em> </em>há vídeos seus com mais de um milhão de visualizações.</strong></strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>01. Jonathan, sua história com a música começou cedo: violino aos seis anos, a harpa aos 11.  A experiência com a música clássica chocou com o <em>Heavy Metal</em>, seu estilo preferido, que você transportou para a harpa. Como foi esse processo?</strong></p>
<div id="attachment_8413" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/jonathan-11.jpg"><img class="size-medium wp-image-8413" title="jonathan-11" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/jonathan-11-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Sérgio Ricardo</p></div>
<p>Em 2007 mais ou menos havia tirado a música <em>Fear of the Dark,</em> da banda <em>Iron Maiden</em>, mais por brincadeira, para tocar algo diferente. Em 2008, em uma tarde de domingo na cidade paulista de  Presidente Prudente (onde cursei o primeiro ano de Educação Física na Unesp),  no intervalo de um jogo do campeonato paulista meu amigo pediu para tocar <em>Fear</em>. Ele gravou em seu celular e em seguida foi para o quarto. Alguns minutos depois ele voltou e disse: Agora você está no <em>You Tube</em>. Esse foi <em>start </em>de tudo. A quantidade de acessos cresceu muito rápido e pessoas pedindo mais músicas, fizeram com que eu começasse a fazer mais isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02. Acredita que tocar <em>Heavy Metal</em> na harpa populariza o instrumento? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que sim, pois ainda é muito comum encontrar pessoas que dizem nunca ter visto uma harpa na frente. O fato de eu ter um estilo diferente na harpa quebra aquele paradigma de que com o instrumento só se toca música clássica ou música natalina. Ao tocar <em>Heavy Metal</em> na harpa, minha intenção é tentar unir quem gosta do som da harpa e quem gosta do peso do metal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03. Já sofreu alguma crítica de músicos mais conservadores por tocar <em>Heavy Metal</em> na harpa?</strong></p>
<p>Crítica não. A maioria dos harpista e músicos em geral apoiam meu trabalho e elogiam meu diferencial. Apesar que alguns amigos harpistas não são muito fãs de <em>Rock’n’Rol</em>l, são mais do MPB.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04. Você estudou harpa sinfônica, instrumento de alto custo, e domina harpa paraguaia. Qual é a diferença entre as duas? E qual o motivo do alto custo da harpa sinfônica?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">As diferenças entre elas são muitas. A harpa paraguaia é bem mais leve (8 kg) com 36 cordas (o comum) de <em>naylon </em>e devem ser tocas com as unhas. Já a harpa sinfônica é bem mais pesada (25 kg a mais leve), as cordas são de tripa e de aço e devem ser tocas com a ponta dos dedos. Ela possui 47 cordas (há harpas com 40 cordas) e sete pedais que são responsáveis pela mudança tonal. A disposição das cordas também é oposta, na harpa paraguaia a corda vermelha é o FÁ e Azul é o DÓ. Já na harpa sinfônica o vermelho é o Dó e ao invés de azul é preto o Fá, assim como o espaçamento entre as cordas também é diferente.  A harpa sinfônica é um instrumento magnífico, com ilimitados recursos sonoros devido aos pedais que ela possui, uma mecânica de precisão incrível, um acabamento perfeito (feito a mão), com madeiras da alta qualidade. Porém acredito que o grande responsável pelo alto custo do instrumento em nosso país são as taxas de importação cobradas (60% do valor do instrumento). Uma harpa paraguaia de ótima qualidade custa em torno de 8 mil reais, enquanto que uma harpa sinfônica simples é aproximadamente 14 mil dólares.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05. Você está à frente de dois projetos paralelos: o <em>Burning Symphony, </em>onde executa clássicos do <em>rock</em> e <em>heavy metal</em> e o <em>Celtic Charm´s, </em>onde toca músicas de raízes celta, em parceria com cantora lírica Débora Letícia. Como é mergulhar na cultura celta? Há necessidade de muito estudo, de muito aprofundamento? Ou a leitura da partitura já basta?</strong></p>
<div id="attachment_8414" class="wp-caption alignleft" style="width: 209px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/jonathan-12.jpg"><img class="size-medium wp-image-8414" title="jonathan-12" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/jonathan-12-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Sérgio Ricardo</p></div>
<p>A cultura celta é magnífica. Sempre fui muito ligado a filmes que retratavam esse período da história como Coração Valente e filmes de fantasia, como O Senhor dos Anéis. Quanto a literatura, contos celtas e nórdicos sempre foram os meus preferidos. Você pode tocar uma música celta muito bem lendo uma partitura, porém acredito que quando você conhece a história celta, sobre a origem da música (as músicas celtas sempre têm uma história, seja ela do grande bravo que venceu inúmeras batalhas até a lavadeira de roupas) e incorpora sua essência, ai sim você está mais que tocando uma música, está transmitindo uma cultura, um sentimento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06. O seu trabalho está disponível no site <em>You Tube, </em>há vídeos seus com mais de um milhão de visualizações.<em> </em>É inegável o papel da internet na vida dos músicos. Mas a internet não é “só flores” na vida dos artistas, pois muitas vezes ultrapassa os limites dos direitos autorais. Você já teve algum problema com isso? Ou a internet foi um canal 100% positivo na divulgação de seu trabalho?<br />
</strong></p>
<p>Felizmente até agora não tive nenhum problema com relação à internet. O que acontece é um comentário ou outro do tipo “hum&#8230; harpa é coisa de mulher“. Mas eu nem ligo, absorvo apenas críticas construtivas, as que me ajudam a melhorar o meu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07. Continuando com o assunto internet&#8230; Está circulando na rede uma campanha para você tocar no <em>Rock in Rio </em>2011. A iniciativa partiu do fotógrafo carioca Sérgio Ricardo, que conheceu o seu trabalho no <em>Rio Harp Festival</em> e se encantou com a sua habilidade. Qual é a expectativa em relação a essa campanha? </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sei que o sonho de tocar no Rock in Rio não é fácil. Porém nossa ideia é fazer os organizadores do evento verem meu trabalho. Por isso sempre peço a ajuda de todas as pessoas que conheço para me ajudarem na campanha. Mas se acaso me chamarem nem que seja pra tocar uma música, não sei nem como vai ser minha reação. Só sei que vou fazer meu melhor e representar bem o povo de Rio Claro e Região.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08. Li em uma matéria do <a href="http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=148002553">site Guia Rio Claro</a>, que algo que você gosta muito de fazer é tocar em hospitais e para crianças</strong>. <strong>Você acha que artistas têm que ter obrigação com o social? Qual é o sentimento em levar a beleza musical para esse ambiente e esse tipo de público?</strong></p>
<div id="attachment_8415" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0363.jpg"><img class="size-medium wp-image-8415" title="DSC_0363" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/DSC_0363-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rafael Abdala</p></div>
<p>Obrigação não acho que seja a palavra certa, mas seria muito importante para que outros artistas não se esqueçam do público que não pode ir até os espetáculos para prestigiá-los, e que levem até eles o espetáculo. Em Presidente Prudente toquei muito na Santa Casa. Tocava na Hemodiálise, Coronária, UTI, Pediatria, onde havia várias crianças que eu deixava brincar com a harpa e os quartos coletivos. Eu ia um por um tocando para as pessoas. E foi o lugar, onde eu ouvi uma das frases que mais fizeram meu trabalho valer a pena. Um senhor me disse: “você hoje me provou a existência de DEUS e que anjos também existem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejo o quanto é importante estarmos ao lado das pessoas quando elas estão enfermas ou esquecidas (como é o caso de asilos) levando um pouco dos bons sentimentos através da música. Entre o céu e terra existe um espaço chamado MÚSICA.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09. Uma mensagem para os leitores do site Poucas e Boas da Mari. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Obrigado a todos que sempre acompanham meu trabalho. Para quem nunca viu, fica o convite a ver na internet meus vídeos ou acessar meu site <a href="http://www.jonathanfaganello.com.br/">www.jonathanfaganello.com.br</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria de deixar essa frase como experiência de tudo que passei.</p>
<p style="text-align: justify;">“Nunca desista de seus sonhos, faça tudo com amor, dê o seu melhor e acredite sempre,  que um dia você chega lá”</p>
<p style="text-align: justify;">Grande abraço a todos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong><strong><br />
</strong></strong></strong></p>
<p><object width="300" height="250"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b0ZjS2YK-TI?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="250" src="http://www.youtube.com/v/b0ZjS2YK-TI?version=3&amp;hl=pt_BR" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong><strong><strong>Quer ter a entrevista com o Jonathan Faganello em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/07/Entrevista-com-Jonathan-Faganello.pdf">Entrevista com Jonathan Faganello</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong><br />
</strong></strong></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Entrevista com a cantora Consuelo de Paula</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jun 2011 02:03:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[consuelo de paula]]></category>

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		<description><![CDATA[// Respostas em ritmo de poesia. É assim a definição para a entrevista realizada pelo PBM com a cantora, compositora e poeta Consuelo de Paula. Mineira, radicada em São Paulo há mais de 20 anos, Consuelo acaba de gravar o cd e dvd Negra, seu quarto trabalho de sua carreira. Nessa entrevista, a cantora conta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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// ]]&gt;</script><br />
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</script></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Respostas em ritmo de poesia. É assim a definição para a entrevista realizada pelo PBM com a cantora, compositora e poeta Consuelo de Paula. Mineira, radicada em São Paulo há mais de 20 anos, Consuelo acaba de gravar o cd e dvd <em>Negra</em>, seu quarto trabalho de sua carreira. Nessa entrevista, a cantora conta sobre esse recente trabalho, suas parcerias e inspirações. Confira!</strong></p>
<div id="attachment_8185" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/Alessandra-Fratus.jpg"><img class="size-medium wp-image-8185 " title="Alessandra Fratus" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/Alessandra-Fratus-300x200.jpg" alt="" width="240" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Alessandra Fratus</p></div>
<p><strong>01. Consuelo, vamos falar de <em>Negra</em>, cd e dvd gravados em shows ao vivo no Teatro Polytheama, em Jundiaí (SP), durante os dias 28 e 29 de janeiro de 2011. Negra é o quarto trabalho de sua carreira, que traz 15 faixas inéditas e que foi inspirado em trovas populares. Essa inspiração tem a ver com a sua terra natal, Pratápolis (MG)?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, porque o <em>Negra</em> traz muitas lembranças da minha infância. Trovas provocando novas canções. Cantigas de roda inspirando composições, temas e ritmos. É um recomeço. Novo ciclo artístico.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02. Além da beleza de sua voz, profissionais de gabarito foram seus parceiros nas composições de <em>Negra</em>, como Dante Ozzetti, Vicente Barreto, Rubens Nogueira, Socorro Lira e Luiz Salgado. Como se deu essa reunião de talentos? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">A obra <em>Negra</em> veio solta, cheia de encontros. Eu quis abrir possibilidades. Provoquei parceiros e fui provocada também.  O calor da cor vermelha conduzindo a construção de um estandarte compartilhado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03. Por que Jundiaí foi o local escolhido para a gravação de seu primeiro dvd?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Recebi um convite do Adolfo Mizuta (Grupo Caminhantes de Jundiaí) para gravar o dvd lá.  Aceitei imediatamente: além da confiança que senti, além da intuição, o teatro é perfeito. E nos receberam muito bem tanto no teatro como na cidade. Foi um presente da vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04. A</strong><strong> produção de seus discos tem um caráter independente. Essa independência dá a você uma liberdade maior para usar e abusar de suas referências? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a independência me possibilita respeitar a arte em sua totalidade. Ser uma escrava das canções. Expressar o que tiver que expressar. Respirar livremente e originalmente. Dançar conforme a inspiração, o sentimento e a estética. Ser a artista que sou. Fazer da forma que sei fazer. Construir uma obra independente das tendências do mercado.</p>
<div id="attachment_8186" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/Sian-Sene.jpg"><img class="size-medium wp-image-8186 " title="Sian Sene" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/Sian-Sene-300x225.jpg" alt="" width="240" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Sian Sene</p></div>
<p><strong>05.  Canções de seus três trabalhos anteriores (<em>Samba, Seresta e Baião</em> &#8211; 1998, <em>Tambor e Flor</em> &#8211; 2002, e <em>Dança das Rosas</em> &#8211; 2004) viraram o cd Patchwork, coletânea lançada no Japão. A cantora <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/2011/03/entrevista-com-a-cantora-marianna-leporace/">Marianna Leporace</a>, entrevistada pelo Poucas e Boas da Mari em março de 2011, também lançou um cd no Japão, com canções de Baden Powell. O que você acha desse interesse dos japoneses pela música brasileira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na arte os contrastes são imprescindíveis e este me parece um contraste maravilhoso. A compreensão que têm dos japoneses da nossa arte musical.  Conheci um casal de japoneses maravilhosos que sabe mais de música brasileira que eu mesma sei. É lindo isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06. Em breve, você irá lançar os cds <em>Casa</em>, gravado com a Orquestra À Base de Cordas de Curitiba (PR), e <em>O Tempo e o Branco</em>, que tem as letras das canções inspiradas na obra de Cecília Meireles. Como é estar nessa fase de produção cultural constante? E como Cecília Meireles serviu de inspiração?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É prazeroso e difícil ao mesmo tempo.  Minha geração realiza muito, mas menos do que poderia.  O cd <em>Casa </em>já está em fase de produção, mas não sei quando será lançado. O <em>Tempo e o Branco </em>já está concebido, falta produzir.</p>
<p style="text-align: justify;">Trechos da poesia de Cecília Meireles provocaram uma conversa que me deixou extasiada. Escrevi doze canções quase que como num surto&#8230; (rs).  Adoro o resultado e não vejo a hora de gravar este CD.  Escrevo em “testamento”: (deixarei passagens pra becos e lagos/ ilhas, caminhos distantes&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07. Suas composições são guiadas pelas cores. Os três primeiros cds foram guiados pela cor amarela. Já <em>Negra</em> pela cor vermelha, <em>Casa</em> pela cor azul e O <em>Tempo e o Branco </em>pela branca (esses três últimos me lembraram a trilogia das cores do cineasta polonês <em>Krzystof Kieslowski</em>). Explique essa subjetividade de suas obras. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não é uma coisa pré-concebida. Simplesmente acontece. Eu faço um mergulho profundo cada vez que me entrego à realização de uma obra. E elas têm cor diferente, cheiro diferente, textura distinta. E isso me transforma também, é impressionante. Processo de criação artística é algo muito sério e pessoal. No cinema e na pintura é mais comum esta relação com cores, mas faço música assim. Como se eu pudesse ver a cor daquele som. Afinal, tudo é frequência. Sete notas musicais, sete cores&#8230; Sete bandeiras!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08. Você teve uma de suas canções gravadas por Maria Bethânia. Isso tem um peso importante em sua carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Claro que sim. Além de Maria Bethânia ser uma intérprete sensível, forte, séria e bela; é também uma artista que faz parte de uma geração que viveu num tempo aonde a música de arte chegava à maioria das casas brasileiras.</p>
<div id="attachment_8187" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/crédito-Roberto-Aso.jpg"><img class="size-medium wp-image-8187" title="crédito  Roberto Aso" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/crédito-Roberto-Aso-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Roberto Aso</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>09. Conte-nos um pouco sobre seu livro <em>Poesia dos Descuidos</em>, em parceria com Lúcia Arrais Morales.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Escrevi livremente enquanto olhava e admirava os cartões de arte da Lúcia Morales. São cartões realizados com peças que ela encontra na rua, no chão, na sarjeta, na calçada.  E, assim como ela, eu senti a poesia que habita aquelas peças. Apenas escrevi.</p>
<p style="text-align: justify;">e o meu barco segue</p>
<p style="text-align: justify;">tubarão encantado</p>
<p style="text-align: justify;">entre o céu e o inferno</p>
<p style="text-align: justify;">indefinidamente</p>
<p style="text-align: justify;">até que a vida se cale</p>
<p style="text-align: justify;">diante da flor</p>
<p style="text-align: justify;">ou de um simples</p>
<p style="text-align: justify;">gesto de amor</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Uma mensagem para os leitores do site Poucas e Boas da Mari.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">dou-te a minha pele</p>
<p style="text-align: justify;">a minha mão</p>
<p style="text-align: justify;">hoje sou a terra da criação</p>
<p style="text-align: justify;">passam rios no meu corpo</p>
<p style="text-align: justify;">na minha voz</p>
<p style="text-align: justify;">navios e embarcação</p>
<p style="text-align: justify;">Queridos leitores:</p>
<p>Recebam meu abraço do tamanho do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">meu beijo, Consuelo de Paula</p>
<p style="text-align: justify;">Para o Poucas e Boas da Mari:</p>
<p style="text-align: justify;">Foi um prazer, adorei suas perguntas e a amorosidade entre as palavras de suas perguntas</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.consuelodepaula.com.br/">www.consuelodepaula.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;">Obs.: logo lançaremos o dvd negra!!! Vivaaa!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><object width="300" height="250"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ydFRmBgk_Kc?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="250" src="http://www.youtube.com/v/ydFRmBgk_Kc?version=3&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quer ter a entrevista com a Consuelo de Paula em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/Entrevista-Consuelo-de-Paula1.pdf">Entrevista Consuelo de Paula</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Célio Turino, idealizador dos Pontos de Cultura no Brasil</title>
		<link>http://www.poucaseboasdamari.com/2011/06/entrevista-com-celio-turino-idealizador-dos-pontos-de-cultura-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Jun 2011 12:13:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[célio turino]]></category>

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		<description><![CDATA[// O site Poucas e Boas da Mari entrevistou Célio Turino, idealizador dos Pontos de Cultura no Brasil. Célio foi Secretário do Ministério da Cultura de 2004 a 2010. Nesse período, ele escreveu o livro   “Ponto de Cultura &#8211; O Brasil de Baixo para Cima”, que como mesmo define, é uma mistura entre ensaio, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<p style="text-align: justify;"><strong>O site Poucas e Boas da Mari entrevistou Célio Turino, idealizador dos Pontos de Cultura no Brasil. Célio foi Secretário do Ministério da Cultura de 2004 a 2010. Nesse período, ele escreveu o livro   <strong>“Ponto de Cultura &#8211; O Brasil de Baixo para Cima”, que como mesmo define,</strong> é uma mistura entre ensaio, crônicas e autobiografia. Em meio a seu próximo trabalho, Célio nos deu uma atenção especial e nos concedeu essa entrevista. Confira! </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>01. Célio, você foi o idealizador dos Pontos de Cultura. Um dos conceitos dos Pontos é, que “ao invés de entender a cultura como produto, ela é reconhecida como processo.” A luta dos Pontos de Cultura, para fugirem das amarras do sistema de mercado, será constante? Ou você acredita que essa luta terá um vencedor?</strong></p>
<div id="attachment_7647" class="wp-caption aligncenter" style="width: 360px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/célio1.jpg"><img class="size-full wp-image-7647 " title="célio1" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/célio1.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Studio&amp;Piassa®</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong><br />
A ideia do Ponto de Cultura é que ele seja um mediador entre dois mundos, o mundo dos Sistemas (Estado, Mercado) e o mundo da Vida. Para tanto busquei desenvolver a teoria do programa Cultura Viva (do qual o Ponto de Cultura é parte, como sedimentador da rede) com o seguinte tripé: Autonomia, Protagonismo e Empoderamento, que se potencializam na articulação em rede, no momento em que os Pontos se relacionam entre si. Quando o tripé é efetivado há condições para acontecer o equilíbrio (Sociedade/Estado/Mercado). Claro que isto tudo é uma teoria e que está em processo, ou seja, ainda é necessário perseverar muito, pois há muito trabalho pela frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>02. Em 2009, você lançou o livro “Ponto de Cultura &#8211; O Brasil de Baixo para Cima”. Como foi o processo de criação do livro?</strong></p>
<div id="attachment_7650" class="wp-caption alignleft" style="width: 150px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/ponto-de-cultura.jpg"><img class="size-full wp-image-7650 " title="ponto-de-cultura" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/ponto-de-cultura.jpg" alt="" width="140" height="210" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução</p></div>
<p style="text-align: justify;">Escrevi o livro ao longo de meu trabalho como Secretário no Ministério da Cultura (2004/2010), neste período visitei mais de 600 localidades culturais do país, desde aldeias indígenas, quilombos e assentamentos rurais, até grupos de arte experimental, universidades, núcleos de pesquisa erudita ou ONGs em favelas. E fui coletando histórias que julguei mais ilustrativas para demonstrar toda a teoria do Cultura Viva de modo a compartilhar estas experiências com os leitores. O livro também apresenta a teoria do programa, descrição de passos e, ao final, me coloco na história e revisito minha própria trajetória de vida, de modo a entender como cheguei a esta solução. Diria que o livro é uma mistura entre ensaio, crônicas e autobiografia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03. Em seu livro, Emir Sader escreveu: “Os Pontos de Cultura são o bolsa família das identidades, dos valores, dos significados e da imaginação criativa dos que são maioria, mas tinham se tornado minoria silenciada.” Os críticos do Bolsa Família o chamam de política assistencialista. Essa sua comparação pode transformar, na “boca” desses mesmos críticos, os Pontos de Cultura em uma política assistencialista?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Concordo com ele neste sentido de comparar o Ponto de Cultura enquanto uma ação estratégica para o desenvolvimento da cultura feita pelo povo (da erudita à popular). Quanto ao assistencialismo, o Ponto de Cultura é o oposto disto, pois a sua força está em identificar a potência do fazer cultural existente nas comunidades. O assistencialismo caminha em sentido inverso, pois se implanta a partir da noção da carência, da falta. O que tem chamado atenção de pesquisadores e governos em todo o mundo é exatamente esta diferença em que acontece uma política pública feita de baixo para cima, o que não é comum.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04. Você está para lançar outro livro. Pode falar sobre esse novo projeto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por sinal terminei a escrita há menos de uma hora. É um alívio! Por isso mesmo estou conseguindo me debruçar sobre suas perguntas com mais leveza.  Quer dizer, ainda falta a revisão final antes da diagramação e elaboração do livro, mas a escrita está pronta. Ufa!<br />
É sobre arte e o desenvolvimento de pessoas com síndrome de down. Dediquei-me a ele nos últimos meses, tendo visitado várias experiências que agora relato. Escrevi a pedido do Instituto Olga Kos, de São Paulo. Até o final do ano o livro estará publicado. Agora já posso voltar à escrita de um romance, que eu havia iniciado, mas interrompi para realizar esse livro, espero que as pessoas gostem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05. Como está o diálogo entre o Governo Federal e os movimentos socioculturais nesse início de mandato?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Há mais de um ano saí do governo federal e não tenho acompanhado muito, até por causa deste meu ofício de escrever e dar aulas. Mas pelo que tenho visto, há certa frustração e insatisfação com o andar das coisas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06. Estão em voga as discussões sobre os direitos autorais e essas discussões, colocaram o Ministério da Cultura numa “arena de gladiadores”. O MinC, que nunca foi foco, hoje é o centro das atenções midiáticas. Essa exposição é positiva ou apenas enfraquece a reformulação de uma lei de direitos autorais ideal?  Em tempos de inovações tecnológicas, internet, é possível falar em proteção das obras artísticas? Ou é algo irreversível?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com o governo do Presidente Lula e o Ministro Gilberto Gil, o MinC ganhou um novo destaque no cenário; de certa forma, toda esta polêmica em torno de políticas culturais é resultado destes avanços. No tempo que estive no ministério realizamos duas conferências nacionais de cultura, a última com mais de 200.000 participantes, as Teias dos Pontos de Cultura, levando milhares de pessoas, os encontros de cultura digital, as consultas públicas sobre projetos; enfim, a Cultura finalmente entrou na pauta política nacional. Ainda falta conquistar muito espaço mas espero que  esta seja uma realidade que, espero, veio para ficar. Com isso as pessoas já não aceitam passivamente a definição de políticas, é o que acontece em relação ao Direito Autoral e também em diversos outros temas. Especificamente em relação às políticas de proteção ao direito autoral eu diria que não há como pensar com os olhos voltados para o passado, temos que entender este momento histórico, as novas mídias e a necessidade de compartilhamento do conhecimento. Da minha parte, como autor, digo que meu último livro já foi editado em <em><a href="http://www.creativecommons.org.br/">Creative Commons</a></em> (e saiba que vendeu mais que o anterior &#8211; Na Trilha de Macunaíma &#8211; que é em <em>copyright</em>). O que devemos buscar é um equilíbrio de direitos entre criador e público, se bem que até este conceito de público está se desfazendo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07. A grande mídia, principalmente o rádio e a TV, tem um alcance absurdo na sociedade. Qual o papel dessa mídia na formação cultural das pessoas? Ou o único papel dela é entreter? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a grande questão, Cultura ou Entretenimento. Eu diria até que esta diferenciação conceitual deveria ser mais precisa, até para balizar políticas de financiamento da cultura, no caso da Lei Rouanet. E é claro que neste processo não há como pensar em Cultura sem levar em conta a comunicação, uma depende da outra (uma cultura só acontece quando comunicada, transmitida para outrem, e uma comunicação só existe quando transmite uma cultura), são irmãs gêmeas. O problema é que a indústria e a avidez pelo lucro fácil separaram essas irmãs.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08. No dia 19 de maio de 2011, o jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu blog Vi o Mundo, publicou o texto <a href="http://www.viomundo.com.br/humor/o-ministerio-da-cultura-oferece-disney-on-ice.html">“O Ministério da Cultura oferece: <em>Disney On Ice</em>”</a>, sobre o patrocínio do MinC ao espetáculo <em>Disney On Ice.</em> Em um trecho, Azenha escreve: “O Ministério da Cultura, aquele que nos livrou dos imperialistas do Creative Commons, promove com dinheiro público a patinação do Mickey e da Minnie!”. Essa atitude do MinC distancia a construção de políticas públicas essenciais para a cultura do país?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gosto dos comentários do Azenha, mas não tinha lido este, bem perspicaz. Está aí um bom exemplo da necessidade de fazer uma distinção entre Cultura e Entretenimento, não faz sentido utilizar renúncia de impostos para o financiamento de algo assim. Mas atento para o fato de que a Lei Rouanet tal como está prevê este tipo de financiamento, ou seja, não é um problema só da atual gestão. Com a reformulação da lei Rouanet e o PróCultura esta situação tende a diminuir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09. Para finalizar, como você vê a políticas culturais daqui pra frente?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda há muito por fazer. Por isso mesmo deveriamos nos ater à etimologia da palavra Cultura, que remete a Cultivo (do latim, Colere) e cultivo é processo e tem que ser constante, quando interrompido o seu desenvolvimento é fatal. A novidade é que hoje contamos com novos atores sociais se interessando e debatendo a cultura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quer ter a entrevista com o Célio Turino em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/06/Entrevista-com-Célio-Turino.pdf">Entrevista com Célio Turino</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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		<title>Skavurska! Entrevista com o ator Alvaro Thuler</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 02:22:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mari Valadares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poucas e Boas Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[alvaro thuler]]></category>

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		<description><![CDATA[// O site Poucas e Boas da Mari em sua visita ao Broa Golf Resort no mês de março, encontrou com o ator Alvaro Thuler e não perdeu a oportunidade de conversar com ele. Alvaro ficou conhecido pelo público por causa de seu personagem Boris Tutchenko, o coronel russo da propaganda da marca Net. O ator conta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><script type="text/javascript">// <![CDATA[
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<p style="text-align: justify;"><strong>O site Poucas e Boas da Mari em sua visita ao <a href="http://www.broagolfresort.com.br/">Broa Golf Resort</a> no mês de março, encontrou com o ator Alvaro Thuler e não perdeu a oportunidade de conversar com ele. Alvaro ficou conhecido pelo público por causa de seu personagem Boris Tutchenko, o coronel russo da propaganda da marca Net. O ator conta sobre o quê mudou em sua carreira após a repercussão da propaganda e muito mais para o PBM:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>01. Alvaro, você ficou conhecido pelo público por causa de seu personagem Boris Tutchenko, o coronel russo da propaganda da marca Net. Como foi que você virou o coronel da Net?</strong></p>
<div id="attachment_7207" class="wp-caption alignright" style="width: 241px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/home.jpg"><img class="size-medium wp-image-7207" title="home" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/home-300x199.jpg" alt="" width="231" height="163" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rodrigo Alves</p></div>
<p style="text-align: justify;">Sou ator e teve uma seleção na qual fui escolhido para fazer esse personagem que faço desde 2007.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>02. O que mudou em sua carreira depois dessa propaganda?</strong></p>
<p style="text-align: left;">Mudou muita coisa. Esse personagem ficou muito conhecido. Eu já fazia comerciais antes, mas nenhum tão marcante como o da Net e isso abriu portas. Hoje em dia, se eu falar quem sou, muda completamente as coisas, até para estacionar carro muda. (rs)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>03. Você tem medo de ficar conhecido apenas como “olha o cara da Net”, devido esse sucesso do personagem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho. Acho isso é normal. O personagem existe quando se está na TV e enquanto se faz a campanha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>04. Durante nossas conversas, falamos muito dessa mistura do real com o imaginário, das pessoas confundirem o ator com o </strong><strong>personagem. Conte para os internautas do PBM uma história que ocorreu essa confusão.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia eu, minha esposa, um amigo e sua irmã estávamos voltando de um passeio de moto, depois de almoçarmos no Rancho 53 da Rodovia Castello Branco. Era um dia lindo. Um policial pediu para eu parar. Assim eu fiz. Meus amigos também pararam. Peguei o documento e entreguei ao guarda, que olhava a foto e olhava para mim, como se me conhecesse. Eu perguntei se havia algo errado e ele me disse: ‘Você não me é estranho!’ A irmã do meu amigo respondeu: ‘Ele é o Coronel’. Nisso ia passando um outro soldado por trás e, ouvindo a palavra Coronel, bateu continência. Eu não sabia o que falar, mas a vontade era de rir. Então falei para o guarda que eu era o Coronel da Net. O guarda perguntou se era o Skavurska, e eu disse que sim. Pediu um autógrafo e eu dei. Quando eu passei, indo embora, o guarda disse: ‘O Coronel está indo embora’. O que havia batido continência, mai do que depressa, bateu de novo. Eu ri muito porque foi muito engraçado. Espero que esse guarda não fique com raiva de mim ao ler esta entrevista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>05. Conte um pouco sobre sua carreira.</strong></p>
<div id="attachment_7208" class="wp-caption alignleft" style="width: 251px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/site2.jpg"><img class="size-medium wp-image-7208 " title="site2" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/site2-300x199.jpg" alt="" width="241" height="151" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Rodrigo Alves</p></div>
<p style="text-align: justify;">Eu brinco de ator desde 1972. A maioria dos comerciais que eu fiz, foram todos de horário nobre. Gozado falar isso, mas se pegar todos os comerciais que tenho guardado em casa, todos passaram em horário nobre. Quando veio esse personagem que faço hoje, o coronel Boris Tutchenko, isso para mim abriu muitas portas, como disse anteriormente. É uma propaganda que está no Brasil todo. É maravilhoso fazer esse personagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>06. Você acha que atores ficam mais rotulados em publicidade do que em novelas, cinema ou teatro?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Isso depende muito do cliente. Tudo depende do que você irá fazer e da forma como será feita. Estou na Net desde 2007, não fiz outra propaganda. Fiz teatro. E muitas vezes, por exemplo, o cara vai assistir, pois o coronel da Net está no elenco. Você traz um público que gosta do personagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>07.  Você me contou que fez uma peça no Bar Brahma, em São Paulo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fiz uma participação no Teatro de Revista de Boteco. Antigamente tinha um cara que ficava na plateia, que sentia a reação do público e depois dava as “deixas” para as ações acontecerem na peça. Eu fazia esse personagem. Dependendo do dia, fazia ou um italiano ou um português. Brincávamos muito com isso. Ficamos dois meses em cartaz&#8230; Fiz outra peça, A Padovana (2008), do Tuca Miranda, que foi muito engraçada. Antes de eu entrar, A Padovana era triste, ai fui convidado para fazer parte do elenco. A peça era sobre uma rotisseria, que foi a primeira rotisseria que teve no Brasil, em São Paulo. Eu fazia um cliente alemão. Quando entrei, mudaram todo o contexto do espetáculo. Apresentamos no Ruth Escobar, tinha gente agarrado no teto lá. Foi uma coisa assim maravilhosa&#8230; Também já encenei Bernarda Alba, A Clandestina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bernarda Alba é uma história pesada.</strong></p>
<div id="attachment_7209" class="wp-caption alignright" style="width: 243px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/site3.jpg"><img class="size-medium wp-image-7209" title="site3" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/site3-300x199.jpg" alt="" width="233" height="157" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Mari Valadares</p></div>
<p style="text-align: justify;">Em 1994, fiz Bernarda Alba, eram quatro homens no elenco. Dessa vez foi uma comédia. Eu fazendo drama não dá. (rs) Até faço drama, mas para mim a dificuldade maior é isso, pois tenho medo de cair para o ridículo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas em comédia não é mais fácil cair no ridículo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei. Eu sou engraçado naturalmente, que até quando começo a falar sério, as pessoas acham graça. O drama para mim é muito mais difícil, não por fazê-lo, mas para não fazer as pessoas rirem em uma situação séria. Se me policiou na comédia, no drama tem que ser cinco, seis vezes mais. No drama tem que ser sempre “menos, menos, menos”, pois qualquer reação que eu fizer, vai virar comédia.  Fica difícil por isso, por ter que me controlar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>08. Tem alguma novidade para esse ano?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se tudo der certo, estou montando o meu show&#8230; O pessoal está fazendo muito stand-up agora. Conto piada desde 70, então já faz tempo que faço isso, pois stand-up é contar piada em pé. Eu quero fazer algo diferente, não quero fazer o que está ai. O show não tem um nome definido ainda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>09. Para finalizar, como você falou em stand-up comedy, a pergunta que farei  costumo fazer para comediantes e humoristas que entrevisto. O stand-up se alastrou pelo país, ganhando visibilidade a partir do programa CQC, da Band. Hoje existem vários grupos que fazem esse estilo de comédia. O que você acha dessa explosão de stand-up no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho legal, porque nós temos no Brasil muitos atores, humoristas bons, que às vezes a televisão não quer e que são melhores do que os que estão lá. E com isso você abre um leque. Quem é bom fica, quem não é, tchau. Tem que ter vários grupos, nós precisamos dar risada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O humor da TV não estagnou?</strong></p>
<div id="attachment_7212" class="wp-caption alignleft" style="width: 190px"><a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/SKA.gif"><img class="size-full wp-image-7212" title="SKA" src="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/SKA.gif" alt="" width="180" height="196" /></a><p class="wp-caption-text">Reprodução</p></div>
<p style="text-align: justify;">Não acho que estagnou. O cara é bom no teatro, no stand-up, mas quando ele vai para TV é direcionado. Quando o programa é diário ou semanal, às vezes acaba se tornando um pouco cansativo. O humor deveria ser uma vez por mês, pois chega uma hora que perde a graça, não tem mais texto. Se você começa ver sempre a mesma piada, cansa. As pessoas sabem o que é bom e o que não é. Há aquelas que gostam de porcaria, ai é diferente. Eu gosto do brega, por exemplo, porque ele veio como sendo um estilo de classes mais baixas, e hoje, o brega está em todas as classes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Alvaro, muito obrigada pela entrevista e sucesso em sua carreira.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Obrigada, você!</p>
<p><strong>Quer ter a entrevista com o Alvaro Thuler em seus arquivos? Clique aqui <a href="http://www.poucaseboasdamari.com/wp-content/uploads/2011/04/Entrevista-com-Álvaro-Thuler.pdf">Entrevista com Álvaro Thuler</a> <span style="color: #ff0000;">(para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)</span></strong></p>
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