Entrevista com Gustavo Lago, vocalista da banda Rocknova
May 19, 2009 by Mari Valadares
Filed under Poucas e Boas Entrevistas
O site Poucas e Boas da Mari entrevista Gustavo Lago, vocalista da banda mineira Rocknova. Formada por Gustavo, Borba (guitarra), Xerllez (baixo) e Nenel (bateria), a Rocknova está a pouco menos de dois anos na estrada, mas com maturidade musical de bandas de longa data. O quarteto se destacou no maior festival integrado de música do mundo, o “Grito Rock” de 2009 e foi selecionada para um dos principais projetos de música independente do Brasil, o “Conexão Vivo”, também deste ano. Gustavo fala sobre essas conquistas e muito mais nessa entrevista. Leia na íntegra a conversa com Gustavo Lago:
01. A banda Rocknova foi criada recentemente. Começo a entrevista com uma pergunta clássica, como se deu a formação de vocês?
A pouco menos de dois anos atrás, por iniciativa do Borba (guitarrista) e do Xerllez (baixista), surgiu a ideia de formar a banda. Eu e o Nenel (baterista) fomos convidados, então, a fazer parte do projeto. Desde a formação a banda tem como foco um trabalho autoral e, depois de um ano, dedicando muito tempo às nossas composições, lançamos o nosso primeiro CD, em outubro de 2008. Agora estamos trabalhando na divulgação desse projeto que está sendo muito bem recebido, e estamos bastante satisfeitos de poder colher os frutos de um trabalho que levamos com afinco durante todo esse tempo.
02. Brincando com o sentido do nome da banda. Rocknova é a junção da palavra rock com outra que significa novidade. Essa é a intenção de vocês: uma banda de rock que é novidade, que traz sempre uma surpresa?
Acho o trabalho do Rocknova bastante despretensioso. As composições e os arranjos foram sendo criados da forma como nos soava melhor. Nunca quisemos dar ao nosso trabalho uma definição especifica sonora. Não nos preocupamos em buscar estilos que agradasse a um público “x” ou “y”, mais “alternativo” ou mais “popular”. Não tentamos soar como bandas consagradas que temos como referência, assim como nunca nos preocupamos em fazer algo que jamais tivesse sido feito. As composições foram surgindo, e sendo trabalhadas de maneira bastante natural e, é claro, que influências pela bagagem musical que trazemos conosco. Acho que o resultado final disso, de fato, tem muito a ver com as novas tendências do rock mundial, afinal de contas somos, a cada dia, influenciados por tudo o que nos rodeia. Agrada-me saber que o nome “Rocknova” remete a uma interpretação como o “novo rock”. Acho que essa pode ser uma boa tentativa de explicar o significado do termo.
03. “Rocknova” é o nome do cd de estreia da banda, lançado em outubro de 2008. O álbum reúne dez canções autorais. O que vocês quiseram mostrar nesse trabalho?
Como eu disse, acho o trabalho do Rocknova bem despretensioso. Como músicos, a nossa intenção foi de mostrar as nossas músicas. Nunca quisemos levantar nenhum tipo de bandeira querendo fazer com que o trabalho tivesse um caráter mais “popular” ou “alternativo”. Tocamos de maneira que as músicas tivessem a nossa própria cara e buscamos ser fiéis às coisas que nos fizeram compô-las: aos sentimentos e idéias de onde elas advieram.
04. A banda se destacou no maior festival integrado de música do mundo, o “Grito Rock” de 2009 e foi selecionada para um dos principais projetos de música independente do Brasil, o “Conexão Vivo”, também deste ano. O que essas conquistas representam para a Rocknova?
Essas conquistas são alguns dos frutos que estamos colhendo do esforço que plantamos. É o reconhecimento da seriedade e do trabalho incessante que dedicamos à banda, desde a sua formação, em 2007. Os festivais são uma boa oportunidade para a banda adquirir uma maior visibilidade e, com certeza, isso só tem a acrescentar ao nosso trabalho.
05. Vocês idealizaram o projeto “Fórmula Indie”, um festival que dá espaço aos artistas independentes de todas as áreas. Como surgiu a ideia de criar esse projeto? Vocês acham que a indústria da música no Brasil obriga os artistas a se ajudarem?
Acredito que o trabalho do artista, nos dias de hoje, tem que ir além da produção de suas obras. A dificuldade de encontrar investidores na arte faz com que os artistas tenham que criar mecanismos de divulgação por conta própria. O “Fórmula Indie” é a nossa tentativa. Idealizamos um espaço onde vários artista poderiam se unir para mostrar seus trabalhos e de fato isso aconteceu. Ele teve três edições no ano passado, e nós pudemos contar com o apoio de vários músicos participantes como, por exemplo, Ricardo Koctus, do Pato Fu, que está lançando seu projeto solo de maneira independente. Contamos, também, como a presença de Leonardo Marques, do Transmissor; do Sânzio Brandão, do Calix; do Boxexa, que era do Cartoon, e vários outros. Além de música, também houve apresentações de artistas plásticos, pintores e fotógrafos, possibilitando que pudessem expor suas obras. O artista hoje tem que ter iniciativa. Temos que preencher as lacunas que impossibilitam o andamento do artista, achando soluções para viabilizar os trabalhos e acho que a união desses artistas é louvável. Não gosto de pensar que esta necessidade de se apoiar advenha apenas de uma obrigação imposta pela indústria brasileira. Mas se foi, que bom que isso aconteceu. Se, de fato, isso não acontecia antes, deveria ter acontecido.
06. Como vocês definiriam o rock alternativo brasileiro?
Eu, particularmente, acho meio complicado o emprego do termo “alternativo”. É uma alternativa para quê? Soa como se houvesse um tipo de rock que é padrão, e que tivesse outro que serve como alternativa para esse padrão. Penso que todas as vertentes da música são alternativas umas das outras, então, se assim, o termo se torna redundante. Mas, por outro lado, também acho que as pessoas compreendem bem esse termo, por incrível que pareça. Acho que o entendimento aponta para uma interpretação de um rock que não foi atestado por uma gravadora, o que, por motivos óbvios, é muito comum no cenário independente. Para várias pessoas, isso remete a uma música mais visceral, por não ter a obrigação de passar por nenhum crivo de produtores ou algo do gênero. Então, acho que essa seria uma, dentre várias possíveis, definições do rock alternativo.
07. Uma mensagem para os freqüentadores do site Poucas e Boas da Mari.
E aí pessoal do Poucas e Boas da Mari! Se quiserem saber mais sobre o trabalho do Rocknova acessem www.rocknova.com.br. Lá, vocês poderão baixar o nosso CD e ter acesso a várias outras informações da banda. Um grande abraço a todos!
Fotos: Sérgio Rousselet e Kicko Campos
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Cristiano on Fri, 22nd May 2009 4:14 pm
Boa sorte pra vocês!! O Rocknova tá mandando muito na cena musical brasileira!!Parabéns!