Entrevista com o artista plástico Fabiano Windres

January 14, 2008 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

01. Windres, você passou por um período difícil após o falecimento de sua avó e a arte o ajudou nessa fase. De que forma isso ocorreu?

Naquele ano entrei em um estado de depressão profundo, a tristeza e a desilusão invadiram a minha vida, aniquilando completamente uma das coisas mais preciosas para mim: a força que me conduzia a esperança da realização dos meus sonhos.
Fechei a minha casa e me hospedei com a minha mãe, que também é artista plástica.
Recebi naqueles dias a visita da minha amiga Georgiana, que levava consigo um livro do seu irmão Jorge Guinle Filho, um dos artistas de maior reconhecimento da “Geração 80″, do Parque Lage. Passaram-se alguns dias e o quadro só piorava.
Em uma tarde a minha mãe largou os seus pincéis, entrou no meu quarto e ousadamente me disse: “Fabiano, eu sei o caminho para a sua cura, amanhã comprarei uma tela para você pintar, tenho certeza que a pintura lhe tirará desta cama.” Fiquei surpreso, eu pintar? Ela estava convicta. Isso nunca havia passado na minha cabeça.
No dia seguinte, quando a tela chegou, por respeito a minha mãe, coloquei-a na minha frente e comecei a pensar o que eu poderia fazer. Nenhuma idéia surgia, mas senti uma força e ousadia que me surpreenderam. Pus a tela no cavalete, decidi a primeira cor e as idéias brotaram.
Ao término do trabalho, esbocei o meu primeiro sorriso, depois de dias. Senti uma felicidade incrível que em poucos momentos da minha vida havia sentido.
Chamei a minha mãe que se surpreendeu com o trabalho e em me ver sorrindo. Fiquei tão impactado que passei quase a noite toda de frente para aquele trabalho. Ela que estava feliz com o resultado da sua idéia prodigiosa, ficou preocupadíssima, achando que na verdade eu havia piorado. Na verdade, estava apenas tentando entender como tudo aconteceu, principalmente como eu consegui executar a obra.
Nos dias que seguiram só queria pintar. Se eu ficava um dia sem pegar nos pincéis, os meus sonhos durante a noite nem preciso dizer o que neles fazia: pintava o tempo todo. Era engraçadíssimo, se eu não pintava acordado, pintava dormindo.

02. Você foi aluno da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Você acha que o artista precisa de uma formação, ou somente o “dom” basta?

O dom é inestimável, principalmente falando de artes plásticas, mas buscar o conhecimento é importantíssimo e enriquece tremendamente o trabalho do artista.

03. Quais são suas influências?

Sou influenciado por todos os artistas que tem o seu próprio estilo, que não abrem mão da personalidade. Como: Jorge Guinle Filho e Beatriz Milhazes, entre outros.

04. No final do ano passado (08 de novembro a 25 de novembro) você mostrou a sua pintura na exposição intitulada “A Arte Além do Plano”, no Rio de Janeiro. Como é fazer uma arte além do plano? E o que você quis mostrar com essa exposição?

A Arte Além Do Plano foge dos padrões e transcende o trivial. São trabalhos que mostram o meu desejo de sair do tradicional, do óbvio, do chapado. Vou enxertando nas telas elementos que dão volume, fazendo com que as mesmas se transformem em obras esculturadas.
Procuro assim trazer um conceito de plasticidade visual que surpreende e impacta o espectador, provocando nele um desejo de interação.
Nessa exposição, não só mostrei ao público os trabalhos da série Além Do Plano, mas dei-lhes a oportunidade de conhecer outras técnicas desenvolvidas ao longo desses anos, como “Escamas” e “Caminhos”. Compartilhar as intensas reflexões e emoções que pulsam em mim, desbravando o meu próprio universo. Uma sintese multicolorida de todos os meus sentimentos, sonhos e desejos extravasados e eternizados nas telas.

05. Em sua opinião, como a arte em geral é tratada no país?

É muito triste saber que grande parte dos brasileiros não dão valor algum à arte.
Se fizermos uma pesquisa com a seguinte pergunta e apenas duas opções de respostas: O que você acha da tela de Picasso intitulada Retrato de Suzanne Bloch ter o valor estimado em U$$ 50.000.000?
-Primeira opção: Incrível, magnífico.
-Segunda opção: Absurdo, inaceitável.
Tenho certeza que a maioria optaria pela segunda.

06. Quais são seus projetos para 2008? Pretende voltar com “A Arte Além do Plano”?

Pretendo trabalhar focado nas técnicas já desenvolvidas, não só o “Além do Plano”, mas também “Escamas” e “Caminhos”. Dentro delas expandirei ao máximos as elaborações criativas.

07. Uma mensagem para os freqüentadores do site Poucas e Boas da Mari.

No site “Poucas e Boas Da Mari”, você estará navegando num oceano de inteligência, informação e cultura.
Mergulhe fundo!

 Veja a galeria de arte do artista plástico Windres (Para ver as fotos, clique em cima da imagem abaixo)  

Galeria de Arte – Fabiano Windres

Fotos: Divulgação

Quer ter a entrevista com o artista plástico Windres em seus arquivos? Clique aqui entrevista-com-fabiano-windres (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

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Comments

1 comentário no texto "Entrevista com o artista plástico Fabiano Windres"

  1. marcia on Sat, 20th Dec 2008 2:43 pm 

    Esse e um super humano magnifico em todos os sentidos,muito sucesso,sua irma marcinha

E você, o que achou? Diga pra gente!...
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