Entrevista com o ator e cantor Raoni Carneiro
November 1, 2007 by Mari Valadares
Filed under Poucas e Boas Entrevistas
01. Raoni, você decidiu o que queria “ser na vida” aos 13 anos de idade. O que o despertou para a profissão de ator?
Entrei de brincadeira. Falei para um cara, que era de uma grande cia de teatro da minha cidade (Itapetininga): “Se vocês precisarem de um ator profissional, estou à disposição”. Eu tinha 13 anos. Aí ele falou que tinha uma vaga, pois iria ter um teste na cia e que eu podia fazer. Fiz e fiquei apaixonado. A partir desse dia tinha certeza do que queria fazer na minha vida…
… mas você já fazia cursos de teatro?
Não, não… Não fazia nada.
Foi com a cara e com a coragem.
Fui lá de cara de pau. Era uma cia de teatro amador, não era profissionalizada formalmente. E aí foi…
E quando você chegou para seus pais e disse: “Quero ser ator”, qual foi a reação deles?
Eles foram muito legais, porque nesse tempo, quando resolvi ser ator, comecei a vir para São Paulo fazer teste em publicidade, essas coisas… Meus pais me mandaram ir atrás de uma escola, vi o Célia, prestei o exame e falei para meu pai que tinha passado. Ele falou: “Meu, se você quiser ser ator, vai embora para São Paulo, mas vá para ser o melhor e não largue os estudos”. Era a condição dele. Beleza, fui embora, larguei minha família e vim embora para São Paulo. Eu tinha 15 anos.
02. Em seu currículo estão novelas da Rede Globo (Agora É Que São Elas – 2003 e A Lua me Disse – 2005) e do SBT (Seus Olhos – 2004 e Amigas e Rivais – 2007). Como é a receptividade do público aos seus trabalhos nas novelas da Globo e aos seus trabalhos no SBT? Tem algum diferença?
Tem, muitas. É impressionante! Quando a gente faz novela na Globo a gente sabe, quer dizer, na primeira novela eu não sabia, algumas semanas depois a gente descobre o que é. Realmente em qualquer lugar que você anda, as pessoas te param. Até acostumar com isso demora. O SBT tem outro público. Você acha que não vai dar nada e de repente as pessoas te param. O meu personagem morreu e passou um cara na rua: “Pô, não morreu?” As pessoas assistem muito, só que não tem aquele glamour que a Globo põe, que a Globo badala. A diferença na verdade é nisso, que a Globo te dá um glamour perante a profissão e o SBT surpreende. É muito legal.
03. Além da novela “Amigas e Rivais”, você está em cartaz com duas peças: “O Santo Parto”, texto de Lauro César Muniz, direção de Bárbara Bruno e “Motel Paradiso”, texto de Juca de Oliveira, direção Roberto Lage. Como você se prepara para essa bateria de trabalho, Raoni?
Pois é… é muito legal! (rs) Eu estava gravando novela, ensaiando “O Santo Parto”, apresentando “Motel Paradiso” e tenho uma banda de MPB. Teve um dia em si, que parei e pensei: “Peraí, essa vida que estou levando é a vida que sempre sonhei”. É tão difícil na profissão um ator trabalhar tanto, não posso reclamar. Tenho que matar no peito e me divertir, fazer o máximo que eu posso, hoje eu vivo do meu sonho. Cansativo? É. Exaustivo? É, mas acabo tirando de letra.
Tem confusão com os textos?
Não tem confusão de texto, mas na época do ensaio, eu vinha tanto na inércia, que tinha uma hora no meio do ensaio que falava: “Nossa velho, eu tô aqui já”. Isso, já tinha falado a metade da peça, mas… Nada que uma boa noite de sono, não resolva, né? (rs)
04. Quase no final da peça “O Santo Parto”, você e o ator Marco Antonio Pâmio contracenam um beijo. No teatro beijo entre pessoas do mesmo sexo não é vista como uma cena ofensiva. Na TV é diferente. As emissoras vetam esse tipo de cena, pois alegam rejeição do telespectador. Qual é a sua opinião sobre isso? 
O teatro ainda é uma alternativa. A partir do momento que as pessoas sabem que tem um beijo, elas assistem sabendo que existe. Elas estão vindo por livre espontânea vontade. A TV é aberta e há no Brasil o hábito de que tudo que a televisão põe na tela as pessoas vão assistir.
Tem um pouco de hipocrisia neste sentido, as pessoas sabem que existe, mas é a sociedade que a gente vive, não tem como fugir. As três ou quatro vezes nestes últimos cinco anos que ameaçaram fazer isso deu no que falar. E no teatro dá o que falar, mas de uma maneira muitas vezes positiva. No teatro, o público vem sabendo, na televisão ele é obrigado e nossa sociedade é machista, moralista.
Você acha que vai demorar muito para ter a aceitação?
Nem sei se vai acontecer, nem sei se deve. Cada veículo tem a sua função. A televisão a gente sabe como ela funciona, né?
05. Em 2005, em parceria com o ator Paulinho Vilhena, você estreou como diretor da peça “Quarto de Estudante”, texto de Roberto Freire, com José Trassi e Marauê Carneiro. Conte um pouco dessa experiência.
Eu fiquei apaixonado por dirigir. Eu quero dirigir muito, muito, muito ainda. O mais legal de dirigir é voltar atuar depois. Não é nem você ser ator e dirigir.
A gente fez a direção de um espetáculo na cara e na coragem, não tínhamos formação para ser diretor, não estudamos para isso, a gente foi muito pela intuição e pelo que eu e o Paulinho, cada um na sua história, aprendeu com a vida. Eu como ator, dentro da minha formação, tentei levar isso para os meninos e para a concepção do espetáculo, mas depois que você volta a atuar, depois de ter dirigido um espetáculo, você começa a entender melhor o que é ser ator e o que é ser diretor. Dirigir é muito legal.
Como diretor as preocupações são maiores do que como ator?
É proporcional. Na verdade, quando você está como ator, você mergulha no seu personagem, quando você está como diretor, você mergulha no espetáculo. O ator, em um espetáculo, ele é uma das peças, você vê de outra maneira.
A escolha do texto foi sua ou do Paulinho?
Foi minha.
Por que você escolheu esse texto?
Eu já conhecia esse texto, ia fazê-lo há seis anos, não deu certo. Nasceu de uma brincadeira, como tudo que eu faço na vida. Meu irmão queria fazer um espetáculo, o Zé, que fez a peça, falou: “Vamos fazer, você arranja um texto para dois atores?” Eu falei: “arranjo”. O Paulinho estava morando na minha casa esta época, a gente começou a fazer a leitura, ele me chamou num canto: “Aí velho, vamos fazer juntos?” Eu falei: “Vamô, embora velho”. Eu não tinha a vaidade de querer ser o diretor, a gente queria era trabalhar juntos. Pegamos e montamos, foi isso que fizemos, nada mais. E foi bem, a gente fez São Paulo, fez Rio, valeu muito a pena.
06. Você solta sua voz como vocalista e líder da banda Trupe.
Eu engano na verdade. (rs)
Como surgiu a idéia de montar a banda?
A idéia? De brincadeira (rs). Eu estava fazendo novela, a Lua Me Disse, fui para uma fazenda de uns amigos, que são músicos, compositores e vi uma molecada, bem mais nova que eu, fazendo música. Falei: “Meu, vamos montar uma banda?”, “Vamos”. Duas semanas depois, nós tínhamos um show marcado e fizemos a banda. O show deu certo e tinha um cara que quis comprar uma temporada e eu aceitei. Acabou que surgiu a Trupe e estamos até hoje, há dois anos.
Trocaria a carreira de ator para se dedicar a música? Ou isso é mais uma descontração que um trabalho?
Não existe essa possibilidade. Eu não troco uma pela outra, porque elas são completamente compatíveis, cada vez mais eu descubro isso.
Você canta na peça “O Santo Parto”.
Engano também. (rs)
Tem a ver por que sabiam que você cantava?
Teve. Quando a Bárbara me chamou para fazer a peça, eu tinha um show marcado e ela foi ao show me assistir cantar. Daí ela viu e acho que resolveu encarar. (rs) Eu apanhei um pouco no espetáculo, porque venho há dois anos cantando com microfone, com uma estrutura de banda. Voltar a cantar no teatro é outro estilo de canto. Então, no começo você “sambeia”, mas depois você tira de letra.
07. Tem mais algum projeto ainda para esse ano?
Para esse ano? Chega! (rs)
Para o ano que vem tenho bastante. Projeto a gente sempre tem.
08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.
Que bom que vocês acessam o site, que tem uma abertura para esse tipo de profissional. É super legal que as pessoas se interessam por esse tipo de entrevista ou de matéria, acho que nem tudo está perdido, né? Continue sempre com essa iniciativa.
Fotos: Verônica Gentilin
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jessica on Fri, 23rd Jan 2009 9:21 am
a entevista foi muito boa,raoni carneiro ele esta fazendo mas um funçao ser vocalista da banda trupe,ele e muito lindo, maravilhoso e sinpatico. ele em Negocio da china e sedutor e eu qr saber se na vida real ele tambem é.Eu adoro ele e muito legal eu nao sou nada dele nem amiga nem irma nem nada se vc puderem manda um beijo para ele por mim bjs para vcs….