Entrevista com o Dj Claudinho, do grupo Groove Samba

August 17, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas


01. Claudinho, como surgiu o projeto Groove Samba?

Em 2004, após deixar a residência de um Club no interior de SP, fui convidado para tocar na capital numa produtora de eventos.
Na maioria dos eventos que realizava sempre havia a apresentação de alguma escola de samba e isso acabava interferindo no andamento do evento e nem sempre de forma positiva, até que em um deles a festa simplesmente acabou, porque as pessoas não paravam de ir embora.
Nesse momento surgiu à idéia de formatar uma apresentação que se adaptasse aos mais diversos segmentos musicais e formatos de eventos, sem que o Dj tivesse que parar seu set para a apresentação ao mesmo tempo que os ritmistas e os convidados interagissem como nas apresentações de escolas de samba tradicionais.
Pesquisando na periferia de SP consegui reunir alguns ritmistas e juntando o pouco dinheiro que tinha, consegui realizar alguns ensaios e comprar algumas camisetas para nos apresentarmos.
O próximo passo foi conseguir alguém que acreditasse que o projeto daria certo, porque a grande maioria dizia que eu estava perdendo meu tempo.
Fazendo a programação musical de uma festa de 15 anos ofereci ao pai da menina, que disse não ter conseguido entender muito bem qual era a idéia, porque eu não tinha som ou imagem da apresentação, mas que a filha havia gostado muito do meu trabalho e disse que confiaria na minha sugestão.
A apresentação foi um verdadeiro sucesso e começaram as solicitações para nos apresentarmos em eventos sociais e corporativos, daí não paramos mais.

02. O figurino de vocês (luz estroboscópica, óculos transparentes, macacão prata, coturnos pretos e instrumentos com luz rítmica) é uma tradução daquilo que o grupo significa?

Na verdade o figurino foi criado com a intenção de interagir com a produção dos eventos, diferenciar o grupo e ter identificação imediata.

03. Música eletrônica e samba. Quando foi que você percebeu que esses ritmos “se misturavam em uma batida perfeita”?

Na mesma época que surgiu a idéia de formar o GROOVE SAMBA, o Dj e produtor CAVE emplacava nas pistas e rádios o hit Street Carnival, o que fortaleceu ainda mais a idéia, mesmo sabendo da dificuldade de sincronismo e equilíbrio em apresentações desse formato ao vivo.

04. A escolha do repertório das apresentações é exclusivamente sua ou há participação de outras pessoas do grupo?

Tomo conta sozinho de toda a produção musical.

05. Vocês tiveram alguma dificuldade no início do projeto? Ou o fato de você ser um Dj conhecido das casas noturnas paulistanas, fez com que a notoriedade do grupo chegasse mais rápido?

As dificuldades foram enormes, pois estava há muito afastado da cena em SP, e minha condição financeira era péssima, sem dinheiro para absolutamente nada.

06. O Groove Samba “vira” Samba Groove em algumas ocasiões. Há diferença entre as apresentações do Groove Samba para as do Samba Groove?

A diferença entre os dois formatos é q o GROOVE SAMBA foi idealizado para interagir diretamente com o Dj e vários segmentos musicais, já o SAMBA GROOVE é o formato de apresentação de Samba Enredo tradicional com puxador e cavaquinho, podendo acrescentar quando solicitado mulatas e até mestre sala e porta bandeira.

07. Vocês estão envolvidos com algum projeto social? Se sim, fale um pouco do trabalho do grupo nesse tipo de projeto.
 
O GROOVE SAMBA sempre se ofereceu para realizar eventos beneficentes com a intenção de ajudar aqueles que mais precisam, desde crianças carentes a campanha do câncer de mama, mas nunca algo direcionado que fosse possível acompanhar e ver os resultados que essa contribuição estava trazendo passo a passo.
No início deste ano, fomos convidados pelas atrizes Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro para nos apresentarmos na festa de lançamento do programa Simple Life, da TV Record, com a renda revertida para a ONG FLORESCER, da favela de Paraisópolis, a qual é presidida por Nadia Bacchi, mãe da atriz.
Depois do evento, entrei em contato para conhecer melhor o trabalho da ONG e saber se havia a possibilidade de ministrarmos aulas de percussão e Dj para as crianças, a aceitação foi imediata e logo em seguida já tínhamos 4 turmas com 10 alunos cada.
Ampliando ainda mais esse trabalho social, fechamos parceria com a FUTURONG, da favela de Parelheiros, a única ONG da América do Sul certificada pela entidade Suíça SGS (no mundo, de acordo com a SGS, apenas 33 ONGs são certificadas avaliando desempenho ético, operacional e financeiro).
Com a parceria surgiu o projeto FUTURONG GROOVE SAMBA, que através da música está dando as crianças e jovens a oportunidade de inclusão social e geração de renda, tornando o projeto auto-sustentável e mostrando que muitas vezes a única coisa que crianças e jovens carentes precisam é de oportunidade.

08. Tem alguma novidade para este ano que você possa adiantar para os frequentadores do site Poucas e Boas da Mari?

Será lançado simultaneamente no Brasil e Inglaterra em outubro desse ano pela gravadora UNIVERSAL, o DVD do GROOVE SAMBA, com um documentário sobre o trabalho realizado nas favelas de SP, contando um pouco da trajetória de seu idealizador que aos 8 anos engraxava sapatos, vendia sorvetes e entregava leite para ajudar a família num dos bairros mais violentos da periferia de SP, e hoje com um grupo formado por jovens carentes toca nos eventos mais badalados do país.

PARA SABER MAIS:
Site Oficial Groove Samba
MySpace Groove Samba

Fotos: Divulgação e Mari Valadares

Quer ter a entrevista com o Dj Claudnho em seus arquivos? Clique aqui entrevista-dj-claudinho-rs-groove-samba (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

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