Entrevista com a cantora Ná Ozzetti
March 1, 2007 by Mari Valadares
Filed under Poucas e Boas Entrevistas
01. Ná, sua carreira profissional teve início em 1979, quando você entrou para o grupo Rumo. Foram 11 anos com o grupo. Em 2004, o Rumo fez um show histórico, no Sesc Pompéia (SP), depois de 10 anos separados, que resultou em CD e DVD. Como foi esse encontro? Uma volta ao passado?
Foi maravilhoso, muito acima das nossas expectativas, em todos os sentidos.
Primeiramente, foi um prazer o reencontro para ensaiarmos aquelas canções do Rumo que não tocávamos há muito tempo.
Depois que o Grupo parou de atuar, nós continuamos nos encontrando e em alguns casos trabalhando juntos em outras formações, mas retomar o Rumo foi uma experiência muito forte. De um lado uma volta ao passado e de outro uma sensação de que o trabalho continua atualíssimo, só que agora nos encontramos numa fase mais madura, com outras vivências musicais acumuladas. Para mim pessoalmente a experiência em 2004 foi ainda melhor do que nos anos 80.
02. Seu irmão, o compositor, violonista, arranjador e produtor musical Dante Ozzetti já escreveu arranjos e produziu para seus trabalhos. Trabalhar com pessoas da família facilita?
Quando trabalhamos por certo tempo com uma ou mais pessoas, acabamos criando uma relação familiar pelo fato de dividirmos um trabalho de criação, entre outras coisas. Essa relação foi criada no Rumo e com outros músicos com os quais trabalhei. Com o Dante, nosso parentesco acaba se misturando com o fato de sermos colegas de trabalho e termos outros músicos no nosso grupo, com o mesmo envolvimento.
03. Como se deu sua relação com José Miguel Wisnik e com a família Tatit (Luiz e Paulo)?
Com o Luiz e o Paulo tenho uma relação mais antiga, desde 1979, quando comecei a cantar no Rumo. O Zé Miguel eu conheci alguns anos depois, mas foi por intermédio do pessoal do Rumo. Depois ele me convidou para cantar no seu casamento, uma cerimônia muito íntima e assim eu tive acesso às suas canções maravilhosas. Daí pra frente, eu acabei cantando muitas delas em meus shows e nos dele também.
Ambos são amigos íntimos, com os quais mantenho uma relação de trabalho até hoje.
04. Pelo trabalho “Ná Ozzetti” (1988), seu primeiro disco solo, você recebeu os prêmios Sharp e Lei Sarney, como cantora revelação. Já com o cd “Ná” (1994), que marca sua estréia como compositora, você recebeu dois prêmios Sharp, na categoria Pop/Rock, “Melhor Disco” e “Melhor Arranjador” (Dante Ozzetti). O que esses prêmios representaram para você, já que os recebeu em duas estréias sua, como cantora solo e compositora?
Representaram muito. É muito importante para um artista receber um retorno tão positivo, sobretudo quando está no início da carreira.
05. Você gravou um disco em homenagem à cantora Rita Lee, chamado “Love Lee Rita” , em 1996, pela gravadora Dabliú. Qual a sua ligação com o trabalho da cantora?
Sou fã da Rita Lee desde os Mutantes. Sempre acompanhei sua carreira, ia aos primeiros shows solo. A idéia de gravar esse disco foi da Dabliú Discos, que me convidou e eu adorei.
Para escolher o repertório do CD eu já tinha tudo na cabeça e sabia cantar todas as músicas.
06. O cd “Estopim”, seu quarto trabalho solo, foi lançado pelo “Ná Records”, seu próprio selo fonográfico, criado em 1999. Você sentiu necessidade de ter seu próprio selo?
Sim, senti necessidade de ter total autonomia para fazer um trabalho e lançar quando eu quisesse. O CD Estopim estava pronto, eu mesma havia produzido e queria lança-lo logo. Então conversei com o João Lara Mesquita da gravadora Eldorado, na época, que teve interesse em fazer a distribuição. Foi muito boa a parceria.
Agora o Estopim foi relançado pela MCD, juntamente com outros títulos meus, incluindo o CD e o DVD Piano e Voz, os trabalhos mais recentes.
07. Em 2000, você recebeu o prêmio de Melhor Intérprete do Festival da Música Brasileira/ Rede Globo, com a música “Show”, de Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri. No livro “Prepare Seu Coração”, de Solano Ribeiro, ele critica o festival da Globo. Solano escreve sobre a péssima produção do evento, que alguns intérpretes não tinham a menor condição de se apresentar, da manipulação de gravadoras e a tentativa de criar uma platéia artificial. Qual a sua visão sobre aquele festival de 2000?
Foi a primeira vez que cantei ao vivo para tantos expectadores, esse fato foi muito marcante para mim. O encontro e a relação com tantos músicos e profissionais da TV Globo nos bastidores foi maravilhosa e muito respeitosa. Estava claro que a intenção era a melhor possível por parte de todos, obviamente.
Houve algum equívoco no formato do Festival, prejudicando o seu resultado, mas pessoalmente o que ficou foi a recordação das boas experiências vividas ali naqueles dias.
08. Seu mais recente trabalho, o “Piano e Voz”, foi uma parceria com o pianista, compositor e arranjador André Mehmari. Essa parceria resultou em CD e DVD. Pode se dizer que a química foi perfeita?
Ser parceira do André Mehmari neste trabalho é um grande presente. Ele é um músico extraordinário, incrível, como raros em toda a história. Quando tocamos juntos sinto uma sensação de que há terreno fértil para fazer brotar uma floresta inteira de música, de todas as artes, é extremamente estimulante trabalhar com ele e a gente se diverte bastante porque faz exatamente o que gosta.
09. Quais são as novidades para 2007?
Tenho algumas viagens e tenho planos de gravar um novo CD. Corro para conseguir fazer tudo.
10. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.
Mari, agradeço o teu interesse no meu trabalho. Parabéns pelo site, é um prazer estar aqui no “Poucas e Boas da Mari”. Aos freqüentadores, um super abraço, espero que gostem da entrevista!
Fotos: Reprodução




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