Entrevista com o cantor e compositor Moska

February 21, 2007 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas


01. Moska, seu interesse por música vem desde criança, quando assistia shows em uma casa noturna, que seu pai administrava, no Rio de Janeiro. Com o grupo Inimigos do Rei, formado em 1987, a música virou uma profissão e em 1992 você saí em carreira solo. Foi um bom começo?

Foi um privilégio poder acompanhar os shows desde pequeno e entender que não era só tocar e cantar, que tinha toda uma equipe trabalhando junta para que o espetáculo desse certo. Assim pude ter uma relação mais “teatral” com a música.

02. Seu primeiro disco, “Vontade”, lançado em 1993, é um disco de rock. Já os trabalhos seguintes foram uma mistura da MPB com o pop. Essa mudança de estilo veio por você achar que o rock não “pegaria” com você no mercado musical brasileiro ou você queria experimentar “outros ares”?

O mercado nunca foi minha prioridade. Se mudei de estilo, como você diz, foi apenas para exercitar a liberdade estética que todo compositor deve ter. As canções podem ser “vestidas” de muitas maneiras e gosto de experimentar todas.

03. Em sua autobiografia, você escreve que a música “O Último Dia” (“Pensar em fazer música” – 95), que era tema de abertura da minissérie “O Fim do Mundo”, da Rede Globo, deu o primeiro impulso para uma comunicação em massa que você ainda buscava. Apesar de não ser um objetivo, ainda está na busca, Moska?

A comunicação é a base da obra de arte, não faz sentido criar para o nada. Estou sempre na busca de me comunicar com o maior numero de pessoas, contanto que eu não tenha que modificar nada na minha obra.

04. Com o disco Móbile (1999), parceria com os músicos Marcos Suzano e Sacha Amback, você muda de estilo novamente. Coloca uma sonoridade eletrônica no pop. Moska é assim: mutação sonora?

Gosto de mudar porque assim não caio na repetição, coisa que me dá a sensação de estar parado. O movimento me fascina, a busca do novo em si mesmo é o meu guia.

05. Seguindo o mesmo estilo e chamando apenas Moska, você lança em 2001, “Eu Falso da Minha Vida o Que Eu Quiser”. Li em uma entrevista que você considera esse disco denso e triste. Você via a vida desse jeito naquela época?

É claro que com o distanciamento a gente tem uma visão mais “limpa” do disco, mas eu sabia que o “Falso”era um disco noturno desde que fiz a primeira canção dele.

06. Além de cantor, é ator. Formou-se nos anos 80 em teatro e começou a fazer cinema naquela época. Os mais recentes trabalhos como ator foram: “O Homem do Ano” (cinema), “A Terra dos Meninos Pelados” (TV) e “A Leve, o próximo nome da Terra” (teatro). O que significa a arte de atuar para você?

Em primeiro lugar, atuar é “ser um outro” e isso já me seduz. Sinto-me atuando sempre que canto. Interpretar uma letra no palco é quase que falar um texto. Uma coisa potencializa a outra.

07. A fotografia fez parte do seu mais recente trabalho “Tudo Novo de Novo” (2003). Como foi esse casamento música com fotografia?

Em 2001 comprei uma câmera digital e passei a fazer retratos do meu próprio rosto em objetos espelhados nos banheiros dos hotéis em que me hospedava. Juntei mais de 4000 fotos e dei nomes para as especiais. Depois comecei a escrever poemas pra esses nomes e finalmente, as canções para os poemas. Assim surgiu o repertório do disco.

08. Você apresenta o programa Zoombido, do Canal Brasil. O programa é de entrevistas com músicos, cantores e compositores. Como surgiu a idéia de virar apresentador?

O Canal Brasil me ofereceu o horário e me convidou para criar um programa de musica. Montei a equipe e filmamos os programas. Não me sinto um apresentador, meu programa é como um encontro entre compositores que falam sobre suas relações com a canção.

09. Em 2006, foram 26 episódios no Zoombido. Sua primeira entrevista foi com o então Ministro da Cultura, o cantor Gilberto Gil. Teve alguma pergunta que gostaria de ter feito e não fez? Afinal, você cresceu ouvindo as músicas dele.

Estou muito satisfeito com o conteúdo das entrevistas do programa, me preparo muito para cada entrevista e não deixo de perguntar nada que interesse aos objetivos do programa.

10. Quais serão as novidades do programa Zoombido para este ano?

Teremos uma câmera a mais (agora serão seis) e vamos melhorar em tudo, porque o primeiro foi meio no susto e esse agora estará melhor produzido. Vamos compor uma nova canção que se chamará “A Canção é de Ninguém”.

11. Você me disse que está trabalhando no seu primeiro DVD. O DVD é composto por músicas de toda a sua carreira ou é do disco Tudo Novo de Novo? Você acha que o artista que não faz um DVD está defasado do mercado?

Meu DVD chegará nas lojas na primeira semana de Março e é quase um filme, que mistura ficção e documentário numa linguagem de cinema com videoclipe com um roteiro cheio de humor e poesia. O show tem canções do Tudo Novo de Novo e mais algumas outras que tocaram nas rádios. Acho muito importante que cada artista tenha seu DVD para mostrar aquilo que o CD não mostra: o artista atuando.

12. O que os fãs podem esperar desse mais novo trabalho?

Um Moska novo de novo.

13. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Utilizem a net para expandir seus conhecimentos. Essa ferramenta é nova e isso pode ter uma força extremamente transformadora na nossa idéia de mundo.

Fotos: Reprodução

Quer ter a entrevista com o cantor e compositor Moska em seus arquivos? Clique aqui Entrevista com Moska (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

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