Entrevista com o ator Márcio Ribeiro do Comédia Ao Vivo
February 14, 2007 by Mari Valadares
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01. Márcio, no início de 2005, você se apresentava no “Clube da Comédia Stand-Up” (Marcela Leal, Rafinha Bastos, Oscar Filho, Marcelo Mansfield e Henrique Pantarotto). Mais tarde, você saiu do Clube e hoje com os atores Luiz França, Fábio Rabin e Dani Calabresa, faz parte do “Comédia Ao Vivo”. Qual foi o motivo de sua saída do “Clube da Comédia”? E como surgiu o “Comédia Ao Vivo”?
O motivo da saída do “Clube” não foi nada. Eu estava com probleminha de saúde, né? Você já viu o vídeo do “youtube” que eu falo dos infartos? Tudo aquilo é verdade. (rs) Pior que é verdade aquilo. (rs)
O “Clube” tem lá suas regras, era um texto novo por mês. Estava sendo uma pressão muito grande, estava deixando de ser divertido. Sou amigo de todos eles hoje…
A idéia inicial do “Comédia ao Vivo” nem foi minha, foi do Danilo Gentili e do Henrique Pantarotto (que não está mais no Clube da Comédia). A gente demorou para começar e o Danilo acabou entrando para o “Clube”. Eu sou taurino, demoro para fazer as coisas. (rs)
Quando fundamos o “Comédia”, encabeçando estava eu e o Fábio Rabin. Convidamos o Luiz França e a Dani Calabresa.
Nasceu de uma vontade de fazer uma noite de humor gostosa. Acertamos muito no bar, o Ao Vivo é um lugar muito legal e na data, a gente faz o show na segunda-feira. Segunda-feira não tem aonde ir. Tem sido muito divertido. Veio muito humorista assistir. Já tivemos a Vida Vlatt (Ofrásia), que irá fazer uma participação com a gente, o Sérgio Rabello, Robson Nunes e o pessoal da “Comida dos Astros”.
Enfim, a gente está se divertindo com o “Comédia”, que traz esse tipo de humor meio desconhecido, que nós chamamos de humor do dia-a-dia, o tal “stand-up”. “Stand-up”, se você usar esse termo, eu acho que dá uma elitizada, é o chamado humor inteligente, do dia-a-dia, da observação. A gente fala da caricatura das coisas, não tem aquelas piadas antigas, bordões, nada, é um humor que a moçada gosta.
02. Você acha que esse gênero “stand-up” é um estilo de humor que o público gosta de assistir porque foge de tudo o que as pessoas têm acesso, como por exemplo o humor que é mostrado na televisão?
Por que eles gostam desse tipo de humor? Porque gostam de ver os outros se ferrarem. (rs) É verdade! É gozado ver os outros se darem mal.
O “stand-up” tem algumas regrinhas básicas: só gordo fala de gordo, só japonês fala de japonês, só negro fala de negro. Nós, às vezes, damos uma extrapolada nisso, mas procuramos manter. Basicamente, nós falamos da gente mesmo. Tem o Luiz, que fala que sai com mulher feia, eu que falo que não saio mais com mulher, que ninguém se arruma para sair com isso e depois dos infartos ficou bem pior a coisa. (rs) Quer dizer, o público vê você se sacaneando e eles gostam muito.
A comédia stand-up daria certo na TV brasileira?
Difícil! Na TV ainda tem aquele formato do Jô Soares, Max Nunes e Chico Anísio, que é o bordão e pronto. A “Praça é Nossa”, que é produto legal, é feita de bordão. Você tem grandes atores, como o Tatá (Octávio Mendes), que faz o ex-gay na “Praça”, mas o bordão dele é “eu era um ex-viado”. Então, tudo vai girar para ele ser um ex-viado. E lógico, você tem aquela coisa de fazer rápido, vender rápido e agradar rápido.
Acho que na HBO Plus passa alguns shows de “stand-up”, na sexta-feira. Lá nos Estados Unidos têm “stand-up”, aqui tem programas de calouros. Na TV ficaria difícil e não impossível. Nós sabemos que somos os pioneiros nesse tipo de coisa, junto com o “Clube”. Só tem os dois que fazem.
Nossa concepção (“Comédia ao Vivo”) é diferente. Nós temos um convidado por semana e esse convidado pode até ficar sem roupa, ou seja, não precisa fazer “stand-up”, faz o que quiser. O Robson Nunes já apresentou o Mano Braulio, que é um personagem, imitação do Mano Brown. Nós somos um pouco mais maleáveis nesse sentido, o convidado fazendo o que quiser e a gente mais livre no palco.
03. Você fez muitos filmes publicitários.
Muitos.
As campanhas publicitárias de alguma forma impulsionaram sua carreira?
Elas não impulsionam, mas mantêm. O que impulsiona nossa carreira são nossos trabalhos. O grande impulsionador da minha foi o programa “X-Tudo”.
Graças a Deus fiz grandes filmes comerciais. Já filmei com Walter Salles, Fernando Meirelles, Nando Olival, Renato Rossi, Flávia Moraes. Isso ajuda a manter certo prestígio. Com o Meirelles já perdi as contas de quantos filmes eu fiz. Por exemplo: o primeiro “Rá Tim Bum”, direção dele, “Domésticas – o filme”.
Eu vou morrer com essa peja: “o cara do X-Tudo”.
Comercial é bom, dá dinheiro. Já deu mais, tanto que hoje faço bem menos. Os cachês são muito pequenos. Eu já fiz comerciais de poder viajar para fora, comprar carro e tudo mais. Tele Sena, por exemplo, é um comercial que paga muito. Fiz 10 filmes para eles.
Quantos filmes publicitários você já fez? Tem idéia?
Fiz mais de 100, porque a gente conta não só os nacionais, como os regionais e os vídeos internos.
Tinha uma coisa que eu fazia para o Sest/Senat, que era muito gozado. Eu lia 125 páginas de texto por dia dando aula. Não tem como ensaiar isso. Como eu sou muito bom com textos, eu acabava lendo direto no TP (teleprompter). Eu lia, lia, lia… Chegou uma hora que comecei a corrigir o texto do TP. (rs)
Por exemplo: estou fazendo um trabalho ótimo para o Carrefour, que a gente viaja o Brasil inteiro. É o “Vem com a gente Carrefour”. Os caras não me dão mais roteiro. Lógico, sabem do histórico, que eu tenho improviso e tal. O último que a gente fez foi em Curitiba e eu disse: “não tem roteiro? Tem duas folhas.” Eles responderam que aquilo era só uma indicação, que era para eu inventar o resto. É gostoso! É gostoso!
04. Vamos falar do programa “X-Tudo”.
Oba!
Junto com Norival Rizzo, você fazia o quadro “Você sabia?”, do programa infantil “X-Tudo”, da TV Cultura.
Ah! Maravilhoso! Ator geralmente não gosta de se ver. É a coisa que eu vejo e acho que é outra pessoa. De vez em quando, passa na TV Rá Tim Bum e eu dou risada e falo: “ele é muito burro”. (rs) E tinha essa parceria muito boa com o Norival. A gente se provocava, inventava para eu ficar mais burro e ele mais nervoso. Essa parceria era a melhor coisa.
O programa estreou em 1992 e apresentava um bom conteúdo cultural para crianças. Como que é trabalhar para a criançada? E esse formato de programa daria certo atualmente? Ou só deu certo porque era uma época que se preocupava com qualidade de conteúdo?
Graças a Deus eu vivi a época de ouro da TV Cultura. Eu fiz o “Revistinha”, que foi antes de tudo. Aí fiz o primeiro “Rá Tim Bum”, ganhamos vários prêmios. Em termos de sucesso pedagógico foi melhor que o “Castelo Rá Tim Bum”. O “Castelo” foi um sucesso comercial. Quando o Gerson (Gerson de Abreu) saiu para fazer o Agente G, eu entrei no lugar dele no X. Esse quadro “Você Sabia?” foi criado ali.
Eu acho que o “X-Tudo” era um programa que funcionaria até hoje. É uma revista para criança. Falo sem o menor pudor, eu tinha a coisa de fazer como se fosse uma criança, me sentia uma criança, perguntava como se eu fosse uma. O próprio “Você Sabia?” daria certo. As crianças escreviam: “Pelo amor de Deus deixa ele acertar”, “ele tem que acertar algum dia”. A gente ria. (rs) Ele acertou três vezes, uma vez por ano ele acertava. E era ótimo, o apresentador desmaiava (rs), era uma festa. (rs) A TV Cultura tomou outros rumos, mas hoje com certeza estaria mantendo ali. A gente chegou a dar 12 de audiência. Na época, o Boris Casoy estava no SBT com uma estrutura magnífica, a gente bateu o Boris.
Mesmo a emissora se preocupando com a audiência?
A gente está falando de TV Cultura?
Isso.
A Cultura graças a Deus não se preocupa com isso, não tem essa mentalidade. Ela está mudada, tem coisas que a gente não concorda, já chegou a ceder para audiência, mas já retomou. Teve programas de auditório que não foram legais, mas hoje já voltou. Eles produzem “Cocoricó”, que é um programa maravilhoso. Eles sofrem com alguma coisa da administração, mas essa coisa de audiência não.
Você disse que as pessoas lembram de você por causa do “X-Tudo”. Isso atrapalha?
Já achei que atrapalhasse, mas não é assim. Eu não posso negar, até brinco no quadro do “Comédia”. Foi um sucesso… Tenho umas histórias… Estava em Olinda, daí eu ouvi um menininho falar: “Mainha, é o gordo do X-Tudo.” (rs) Porra, cara! Eu estava a milhares de quilômetros da minha casa, chorei. É uma coisa que você fica, né? Fui para Nova Iorque uma vez, encontrei uns brasileiros e os caras quiseram tirar foto comigo. Um dia fomos fazer uma matéria na Disney, estava eu e a diretora. Na hora de ir embora encontramos um menino que ficou: “olha o cara do X-Tudo” e a mãe dele falou para a gente: “ele ficou mais contente de ver você, que o Pateta”. (rs)
Isso é gratificante.
Pô! Uma vez estava jantando em um restaurante eu e o Cássio Scapin, que fez o Nino do “Castelo Rá Tim Bum”, tinha um menino olhando para gente com cara de “olha o Pateta e o Mickey.” (rs) Tem isso, não dá para negar. Com certeza não atrapalha, é sempre carinhoso. No “Comédia” é outra história, é humor, é baixaria.
05. Você atuou em filmes (curtas e longas) que tiveram um reconhecimento no mercado cinematográfico brasileiro.
Para você ver. Eu fiz o “Alô?”, da Mara Mourão.
Filme de estréia dela.
Primeiro filme dela, primeiro filme meu. Ela queria, porque queria que eu fizesse. Foi muito gentil da parte dela. Eu fazia a dupla com o Wellington (Nogueira), que era marido da Mara e não apareceu nenhum close, só aparece ele, porque era marido dela. (rs) Foi ótimo o trabalho. É um filme que passa muito na TV Cultura, as pessoas me conhecem muito. Um cara, crítico da revista Veja, disse que foi um filme maravilhoso, que gostava muito do trabalho. Um filme feito meio que entre amigos.
Fiz um curta que foi um máximo, chamado “Um dia e logo depois um outro”, que foi com a Cláudia Liz e com o Gustavo Engracia. O filme ganhou mais de 20 prêmios, tudo quanto era prêmio de arte. Eu ganhei todos os prêmios: no Festival de Maranhão, o “Kikito”, em Gramado, o “Kandango”, no Festival de Brasília, ganhei o Rio Cine Festival. O Gustavo ganhou alguns prêmios junto comigo.
Aquilo tudo era cenário, a borracharia parecia de verdade. A gente filmou em quatro dias, nós nos divertímos. A Cláudia não acreditava no que fazíamos…
Tem o “Domésticas o filme”. O “Domésticas” foi um barato. Eu ouvi o Fernando falar em uma entrevista que o filme foi mal lançado. Eu fazia parte de uma história que ele resolveu tirar, ele achou a cena preconceituosa. Era de uma empregada que não sabia muito, burra, surreal. Acabou ficando uma cena só, a do ônibus, faço um motorista.
Trabalhar com a O2 é coisa de outro mundo, eles são maravilhosos.
Esses prêmios dão a sensação de trabalho cumprido?
Prêmio é bom ter só para mostrar para visita, só isso. (rs) Prêmio não paga conta. Eu ganhei os melhores prêmios do cinema e daí? E também, sou meio vagabundo, não vou atrás disso, teria que ter ido mais atrás para fazer uma carreira em cinema. Eu gosto de fazer humor, eu gosto.
Quando ganhei o prêmio Terça Insana de Humor (2006) foi um puta orgulho. Mas é isso, dura aquele tempo, ganhou, acabou. Prêmio não resolve.
Todos os filmes têm uma pitada de humor, até mesmo “Domésticas”, do gênero drama. Você levou a sua carreira para a comédia? Ou foi algo natural?
Foi natural. Eu sou palhaço desde pequeno. (rs) Quando eu fazia teste, falava: “O teste aqui é de gordo ou de engraçado?” Acabei fazendo muita coisa séria, mas só me viram com esse lado de comédia e eu gosto muito. A cabeça já está treinada para pensar em comédia. Vai tentar escrever um texto desses. Para mim é tão natural, a gente tem que fazer com que seja natural, que parece que é feito na hora. As pessoas diziam ao Nelson Rodrigues, não querendo me comparar a ele… As pessoas diziam: “Seus textos são muito simples” e ele: “só eu sei o trabalho que eu tenho para deixá-los assim”. (rs) Então, você tem que falar despercebido.
06. Pensa em fazer novela?
Ah não! Você tem que puxar muito o saco. Meu histórico de televisão é o “X”. O “X” é legal, é bacana, nunca precisei puxar o saco de ninguém lá na Cultura. Dei muita sorte, mas você pega um esquema de novela, seja no SBT, seja na Globo, Record, você tem que puxar muito o saco, não estou afim. Eu tenho 42 anos, sou muito metido, não posso ficar nessa onda de: “Oi diretor, eu sou legal”, não combina comigo. O cara tem que fazer um “auê” para ser chamado, depois um “auê” para se manter, depois outro para continuar. Cansa mais que interpretar.
07 – Quais as novidades para 2007?
Eu estou escrevendo o meu próximo projeto, é um show solo… Como é mesmo o nome do show? Eu sempre esqueço… (rs) Acho que é “Venha enquanto durar”, uma coisa assim. (rs). É um cara que teve infarto, parou de beber, parou de fumar, parou de sair com mulher. (rs) Lastimável. Será um show de meia hora, uma hora só de “stand-up”. Quero fazer em vários lugares. E tem o “Comédia ao Vivo”.
08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.
A mensagem é uma frase que eu ouvi, muito bacana, parece que é indiana, não sei: “Tudo aquilo que você dá atenção, cresce.” Se você não dá atenção para a sua vida, ela não cresce.
Veja as fotos do Comédia Ao Vivo, do dia 12 de fevereiro de 2007, que teve como convidados especiais Oscar Filho e Danilo Gentili, do Clube da Comédia. (Para ver as fotos, clique em cima da imagem abaixo)
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| Comédia Ao Vivo |
Fotos: Mari Valadares e Vera Ribeiro
Quer ter a entrevista com o ator Márcio Ribeiro em seus arquivos? Clique aqui entrevista-com-marcio-ribeiro (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)








Alexandre on Wed, 18th Mar 2009 7:33 pm
Eu me lembro de ter assistido o curta “Um Dia e Logo Depois um Outro” há muitos anos atrás e confesso que nunca mais esqueci dele, queria saber se alguém tem informação de como assistir ou adquirir este curta.
Grato.
pedro henrique vaz pedroso on Sun, 29th Aug 2010 8:14 pm
olla eu queria muito fazer novela com o sinhor sabe que e meu sonho
eu acho que o senhor e minha utima opurtunidade
casso o senhor me ajuda de corraçao
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deus seja louvado