Entrevista com o caricaturista Paffaro

October 12, 2006 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas


01. Paffaro, são 14 prêmios nacionais e internacionais em salões de humor e imprensa. O que te despertou para esse ofício?

Desde criança sempre gostei muito de desenhar, principalmente caricaturas. Fui uma criança muito observadora, que adorava gibis e revistas do gênero. Mas eu não tinha muita referência, a minha principal foi a revista Mad, não perdia uma edição. Comecei a enviar trabalhos para Salões em 1996 com 16 anos, ganhei meu primeiro prêmio no Salão de Humor de Ribeirão Preto aos 17 e, no mesmo ano, entrei pela primeira vez no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Aquilo pra mim foi uma vitória, fiquei feliz por semanas (rs) e para completar, essa caricatura foi publicada no jornal Folha de São Paulo. Nesse momento percebi que era isso que eu queria fazer.

02. Quais são suas influências?

Minhas principais influências foram Mort Drucker, ilustradores da revista Mad em geral, Paulo Branco, Dali, mestres Renascentistas e muitos outros. Sempre admirei uma boa arte.

03. Qual a diferença entre cartum, charge e caricatura?

Cartum é uma piada gráfica com temas universais e atemporais, sem data de validade. Charge é a representação gráfica de um tema jornalístico da atualidade, com data de validade. Caricatura é uma deformação gráfica reconhecível de personalidades.

04. Por que na caricatura sempre realçam características físicas das pessoas?

A essência da caricatura é justamente realçar os pontos marcantes. Antes de começar a esboçar uma caricatura, observamos muito, começamos pelo formato do rosto, tamanho de nariz, boca, olhos, orelhas, inclinações, distâncias, volume de cabelo e acessórios, se tiver. O segredo é observar bem e não se prender apenas às características físicas, mas às psicológicas também – isso torna o desenho mais engraçado e rico, incorpora muito mais o personagem. Resumindo o que for grande aumenta, o que for pequeno diminui, lembrando sempre que a idéia não é ridicularizar a “vítima”, essa não é a intenção ao se fazer uma caricatura.
A palavra “caricatura” (charge, em francês, que significa carga, avanço sobre) tem origem semântica no italiano (caricare) e corresponde a satirizar, criticar. Usa-se para fins específicos; para rir, homenagear, provocar, alertar o cidadão e exprimir o sufoco da sociedade em determinados momentos.

05. No mês de agosto foi inaugurado o 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba (SP), um dos mais tradicionais do país. No Brasil, além do salão de Piracicaba, há o de Cataratas do Iguaçu (PR), Piauí, Ribeirão Preto (SP), entre outros. Qual é a importância desses salões?

É uma grande vitrine. No meu caso, foi um grande trampolim, minha principal ferramenta de divulgação, além de ser muito divertido. Foi nos salões de humor que conheci e fiz os primeiros contatos com grandes nomes do humor gráfico brasileiro como Ziraldo, Paulo Caruso, Zélio, Gual, Jal, Camilo Riani, Cárcamo, Loredano entre outros.

06. Dois trabalhos seus foram selecionados para o 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, as caricaturas do ator Tarcísio Meira e do líder religioso Dalai Lama. Como é feita essa seleção? Quais critérios são utilizados?

Eu faço uma ampla pesquisa antes de escolher um tema. Acredito que o tema seja 50% do trabalho. Sempre procuro pensar nas pessoas que irão visitar o Salão, o que elas gostariam de ver. Geralmente procuro fazer alguém que está na mídia naquele momento ou alguma personalidade mais clássica. Já no meio editorial, normalmente o tema é pré-determinado. Se esse for o caso, o melhor é ter em mãos fotos de qualidade, que nem sempre é possível.

07. No Brasil as caricaturas, cartuns, quadrinhos e charges podem ser vistas em sites, jornais e nos Salões de Humor, o que significa que essa arte não chega a uma boa parcela da população. O que poderia ser feito e/ou o que é feito para essa arte chegar até essas pessoas?

Nesse ano de 2006 fui nomeado membro da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciências, na qual se estudam algumas possibilidades de divulgação dessa arte para o público de menos acesso, não temos nada de concreto ainda.

08. Como as pessoas podem conhecer o seu trabalho?

Por meio do meu site http://www.paffaro.com.br/, do Almanaque do Fantástico (primeira edição), da Super Interessante (edição de março), Show Bizz (abril), Sapiens 4 (de julho), entre outras.

09. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Acredite nos seus sonhos, dedique-se ao que você mais gosta de fazer, tenha humildade e respeite sempre o próximo. O resto vem com o tempo!
Quando erguemos a vista não vemos fronteiras. (Provérbio japonês)

Vejas alguns trabalhos feitos pelo caricaturista (Para ver as fotos, clique em cima da imagem abaixo)

Trabalhos Paffaro

Fotos: Divulgação

Quer ter a entrevista com o caricaturista Paffaro em seus arquivos? Clique aqui Entrevista com Paffaro (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

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