Entrevista com a atriz e diretora Thereza Piffer

September 22, 2006 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas


01. Thereza, você está à frente do Grupo Sensus, que passou a existir oficialmente em 2006. Vocês trabalham com performances (Bestiário, Sensorial, Degustativa, Ritual dos Sete) que estimulam os sentidos das pessoas. Um exemplo disso, é a “Performance Sensorial”, onde as pessoas ficam vendadas durante o espetáculo, sentindo sensações narrativas. Qual é a sensação de vocês ao “assistir” as reações do público?

Oi Mariana… Então, sua pergunta procede “muitooooo”, porque assistir a reação da platéia chega a ser um espetáculo à parte. As reações são muito diversas. Há pessoas que chegam “travadas” e no decorrer da performance relaxam tanto que esquecem que estão ali. É muito gratificante perceber a confiança sendo conquistada.

02. Dia 5 de outubro, o Grupo Sensus estréia o espetáculo “Jardim Interior”, pelo projeto Corredor Cultural. Do que se trata o espetáculo? Segue o mesmo estilo das Performances?

Este novo trabalho do Grupo Sensus é baseado na obra de Mario Quintana, em homenagem ao centenário de sua morte. Todo o trabalho do grupo une literatura e sensação. No “Jardim Interior” o público não estará vendado, mas seus sentidos serão estimulados.

03. O que seria um incentivo a literatura, o trabalho do Grupo passou a inserir deficientes visuais no teatro e mostrar que todos os sentidos são importantes, não só a visão. Como surgiu essa idéia? Há ajuda de algum órgão governamental?

Esta idéia surgiu na nossa primeira performance, onde usamos textos de Jorge Luis Borges. Como ele foi perdendo a visão no decorrer de sua vida, achamos que esta seria uma maneira de “sentir” sua obra de uma maneira mais sensível.
Não, não temos ajuda de nenhum órgão, o que seria uma benção para que conseguíssemos levar este trabalho até as instituições para deficientes visuais.

04. Você foi a criadora e apresentadora do evento “Segundas Intenções”, que virou um grande sucesso na noite paulistana. O evento era uma espécie de karaokê misturado com teatro, onde atores convidados subiam ao palco e mostravam seus dotes como cantores. O “Segundas” acabou depois de três anos de sucesso. Você acha que o evento durou tempo suficiente? Teria a possibilidade de voltar?

Acho que o evento teve a duração exata. “Três anos” é bastante tempo pra deixar saudade e não esgotar uma idéia. Acho difícil voltar, porque a vida de seus criadores tomaram outros rumos, mas “impossível” é longe demais pra se afirmar (rs)

05. Thereza, você participou da peça Centro Nervoso (2006), formada por 13 monólogos, que tratam da dor, com direção de Fernando Bonassi. Em um dos seus monólogos, confesso que foi um dos que mais gostei (dando um toque pessoal), você faz uma mulher que mata o marido aos poucos, envenenando o feijão dele. Sei que as cenas foram criações dos atores, conjunta com o diretor. Como foi a criação dessa cena, que utilizou muito as mãos para mostrar o sentimento da personagem?

O Bonassi é uma pessoa maravilhosa, que nos deixou completamente livres para criar. Como estava dentro daquele cubo de espelhos e sentadinha com os pés dentro de uma bacia de feijão, escolhi usar bastante os braços e as mãos por serem as únicas partes do corpo que podia mexer. Os reflexos nos espelhos dobravam, triplicavam a imagem… a idéia dos braços em movimento lembrou uma Shiva. (rs)

06. Durante oito anos, você esteve no elenco da peça “A Partilha” (1990), de Miguel Falabella, texto que foi para o cinema em 2001. Você fazia a irmã caçula no teatro, papel que no cinema foi de Paloma Duarte. Qual foi a sua opinião sobre o filme (adaptação, direção e interpretação)?

Acho o filme A PARTILHA uma obra muito diferente da que foi feita no teatro. Foi feita uma adaptação tanto das estórias das personagens quanto da época que se passa a estória. É difícil e quase impossível comparar uma obra à outra.

07. Suas últimas participações na TV foram nos seriados de humor “A Diarista” e “Os Normais”. Além desses programas, você fez participações em algumas novelas da Rede Globo e do SBT (Senhora do Destino, Desejos de Mulher, Força de um Desejo, Marissol…). Qual é a sua visão sobre o mercado televisivo?

Acho que raramente a dramaturgia que assistimos na TV é de boa qualidade. Mas quando é, é uma das formas de arte mais prazerosas que há por alcançar um grande número de espectadores. Acho que deveríamos tentar melhorar o nível sempre.

08. Você é diretora, apresentadora e atriz. Tem alguma preferência?

Não. Faço tudo com muito prazer. Amo o que faço e amo sobreviver do que amo.

09. Há algum trabalho previsto, além dos do Grupo Sensus?

Sim, para o ano que vem a montagem do texto UM ZÈ de Beatriz Gonçalves e PANCADAS DE CHUVA, de José de Carvalho.

10. Uma mensagem para os freqüentadores do blog “Poucas e Boas da Mari”.

Um trecho de Mario Quintana: “O que mata um jardim é o olhar de quem passa por ele indiferente”

Foto: Reprodução

Quer ter a entrevista com a Thereza Piffer em seus arquivos? Clique aqui Entrevista com Thereza Piffer (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)

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