Entrevista com Vans Moraes, vocalista da banda Quasímodo
July 25, 2006 by Mari Valadares
Filed under Poucas e Boas Entrevistas
01. A banda Quasímodo “nasceu” em 1993, com um som irreverente, nada semelhante com as mesmices do mercado musical brasileiro. O nome Quasímodo vem do personagem do romance de Victor Hugo, ”Notre Dame de Paris”. Como o Quasímodo de Victor Hugo, vocês são considerados diferentes, musicalmente falando. Por isso o nome?
Quando eu entrei na banda, entrei no terceiro show. O show que foi considerado o primeiro oficial foi o segundo, que foi na São Francisco (Faculdade de Direito do Largo São Francisco – São Paulo), em 1993 e já tinha o nome. Na hora de escolher o nome, eles pensaram em um personagem que fosse bacana, mas que não fosse bonitinho, certinho. O Corcunda é torto, ele é bonzinho, porém feio. Então, eles pegaram isso e colocaram o nome da banda. E como era uma festa de Halloween, a gente foi alugar fantasias e foi uma coisa legal. Sabe aquela coisa pega uma roupa da tia, uma peruca, uns óculos grandes… O Quasímodo foi se moldando nisso e depois desenvolvemos o figurino.
O primeiro show oficial foi na Festa do VIIº Halloween da Faculdade de Direito do Largo S. Francisco, em São Paulo, onde teve um público de aproximadamente 2500 pessoas.
Como começou o grupo?
A banda começou com um grupo de amigos e naquela época ninguém fazia “disco”, então a gente começou a fazer versões e essas versões vão mudando, tem piada no meio. E a irreverência é de descer na platéia, de levar o pessoal para o palco. Era uma coisa que não existia naquela época. Agora tem um monte de banda que faz isso, mas eles assumem que se inspiraram no Quasímodo.
Qual integrante que escolheu o nome?
Foi o Júnior, que estava desde o começo. O Quasímodo é assim: durante esses 13 anos já passou muita gente. Uns ficaram, outros saíram.
02. Por falar nos integrantes que saíram, desde 1993, que a banda Quasímodo tem um rodízio de “corcundas” por conta desses integrantes que seguiram outros caminhos, como foi o caso da cantora Graça Cunha, do Gui Afif e do idealizador da banda, o Júnior. Até você já ficou um tempo afastada, pois esteve no exterior. Essas saídas desestruturam a banda de alguma forma?
Eu acho natural. Como você mesmo disse, eu mesma saí. Fiquei um ano fora, porque estava querendo fazer outras coisas e não tinha espaço, pois a agenda do Quasímodo, graças a Deus, é cheia de eventos, casamentos, show abertos, viagens para o interior. Então, eu dei um tempo. E quando o Júnior foi convidado para entrar em outra banda, que vai ser lançada, me chamou de volta e eu voltei numa boa. O Quasímodo por ser uma banda de amigos, é uma banda que é uma família. Claro que quando sai um integrante tem que começar tudo de novo, ensaios, etc. Se você tem o “espírito quasimodal”, que a gente chama assim mesmo, tudo acaba dando certo. Todo mundo que passou pela banda, continua sendo da banda. É uma família mesmo. Eu quando saí escrevi uma carta assinando “Vans Quasímodo Moraes” e o Júnior usa até hoje nos e-mails dele.
É uma renovação assim.
Não é fácil ser artista no Brasil. Hoje a gente vive disso, é nossa profissão e no começo era uma curtição, a gente trocava cachê por bala jujuba: “aluga uma fantasia aí, nos dê fanta uva e bala jujuba” e estava valendo. Hoje todos nós vivemos disso, divulga dvd, faz os shows abertos. Tinha muita gente que tinha outras profissões e não dava conta. Porque assim: “Vamos para Portugal?”, “vamos”, “Vamos fazer um show em Santos”, “vamos”…então tem que ter essa disposição.
O Quasímodo tocou em Portugal, onde se apresentaram Lionel Ritchie e Gipsy King
03. Vans, você é a única mulher da banda.
Agora sim. No começo já tiveram outras, teve uma época que eram três cantoras: a Graça Cunha, teve a Mônica, a Lúcia. Mas aí, elas foram fazer outras coisas e eu acabei ficando. Eles falam que eu sou a “musa quasimodal” (rs). Eu sou mãe, irmã, amiga, moleque, quando estou com eles, sou menino também.
Há uma maior imposição masculina no grupo (em relação a repertório e caminhos que a banda deve tomar)?
Não, não tem isso não. É porque aconteceu isso (as saídas das outras integrantes). Agora como sou vocal principal, o show ficou um pouco mais feminino, com músicas com vocais femininos, mas eu também faço as masculinas e o Tico (sax) está cantando agora. Ele assumiu os vocais e está muito legal. Ele larga o sax um pouquinho e vai cantar junto comigo.
Esse tempo fora que fiquei do Quasímodo, eu toquei com uma banda só de meninas e achava muito estranho, estou muito acostumada com esse universo dos meninos e de repente estava tocando com as meninas, foi tão engraçado (rs), porque olhava em volta e falava: “olha que estranho”.
Acostuma com o universo deles.
Poxa! 13 anos! Eu conheço esses meninos do avesso. Conheço muito bem todos eles.
04. Além das composições próprias, músicas dos anos 70, canções bregas (Sidney Magal, Roberto Carlos…) e o pop são estilos que fazem parte do repertório da banda Quasímodo desde o início, Isso se deve as várias influências e características dos “corcundas” (como são conhecidos)?
Olha, nossas influencias vão desde Frank Zappa, que é uma música super diferente, até Roberto Carlos, The Beatles que é básico e Os Trapalhões. O Quasímodo não tem compromisso com um estilo. É para o pessoal dançar, então atualmente a gente colocou música da Beyoncé, da Britney Spears, porque se funciona, tem uma cara quasimodal, é um som que o pessoal dança, tá valendo. Nós não nos preocupamos se isso é uma tendência. O bacana do Quasímodo é que a gente tem uma atitude no palco que atinge criança de dois anos, a senhores de 80. Já fizemos festa de 80 anos, achando que não ia rolar e foi um sucesso. É mesmo a linguagem da festa. Esses dias a gente fez uma festa no interior para um pessoal de 60 anos e foi divertidíssimo. A descontração do palco contagia o pessoal. O cara não tem vergonha de subir no palco e rebolar no “Macho Man”, porque está no contexto todo, é tudo muito natural.
Vocês imaginaram que o som e a irreverência da banda atingiriam todas as faixas etárias?
Acho que a gente nem pensou nisso. No começo a gente fazia muita festa de faculdade. O negócio é fazer festa em qualquer lugar. Uma vez a gente fez um show na 25 de março, no aniversário, no dia 25 de março. Imagina o pessoal fazendo compra, assistindo uma banda tocando e os mendigos da rua dançando. Colocamos os no palco. A gente se diverte demais e essa sempre foi nossa intenção. Então, isso sempre “vaza” para a platéia e tem uma integração. Um\ surpresa pra gente é que as crianças adoram. Quando o lançamos o cd em 2000, nós tínhamos a resposta de quem comprou o cd, que falavam que as crianças tinham se divertido. E com o dvd agora a mesma coisa. Tem um menininho que fala que quer casar comigo e fica ouvindo a mesma música 500 vezes. Hoje, a gente quer também começar a direcionar para que as crianças possam ter acesso aos shows, fazer show tipo matinê e pensar nesse público infantil, quando sair o próximo cd, porque eles se identificam com a nossa alegria e não porque é um mercado. O Quasímodo até hoje é independente e estamos buscando nosso caminho desse jeito.
05. São 12 anos de estrada, quase 13, mais de 1000 shows dentro e fora do país, participações na TV, cd e DVD. Mesmo fazendo muito sucesso por onde passa, o grupo Quasímodo não tem contrato com gravadoras. Por quê? Vocês nunca foram procurados ou procuraram uma gravadora?
A gente já procurou e já conversaram conosco, mas até hoje nada interessou. As gravadoras hoje, não quer mais investir. Nós já temos uma cara própria, ninguém vai ter que mexer na gente. Teria que mexer, talvez musicalmente, pra deixar um negócio mais comercial, sei lá, não sei como funciona, entendeu? Mas por enquanto nunca apareceu. Não que a gente não esteja aberto. Se pintar algo bacana…
Vocês mudariam o “estilo quasimodal” por imposição de gravadora?
Ah não, impossível! (rs) Porque é impossível mudar um estilo, temos uma cara própria. É engraçado, pois o que eu acho mais difícil na hora de formar uma banda e se lançar no mercado é essa coisa de formar uma cara e a gente já tem essa cara. Então, o dia que acontecer isso, será o dia que encontrarmos uma gravadora que esteja disposta a comprar nossa idéia. Como a gente faz eventos e tudo mais, não vive só de fazer show abertos, a gente tá no mercado. Tá bom assim, vamos continuar investindo assim.
Eu tenho meus outros trabalhos, como o Caravans, os meninos fazem outras coisas. Tem que trabalhar, né? (rs)
06. O que vocês querem passar com esse estilo de vocês?
È curtição, alegria, O Quasímodo é isso aí. A gente não tem uma regra: nunca fazer show pra político, de jeito nenhum, não tem nada a ver com a banda levantar a bandeira de ninguém. O negócio é fazer festa mesmo.
Estou super empolgada com esses 13 anos, porque eu acho um número cabalístico, queremos fazer uma festa, não sei ainda o que vamos fazer, mas é um marco uma banda independente ter 13 anos de estrada e querendo conquistar muito mais coisas.
07. Como as pessoas podem conhecer a banda Quasímodo?O Quasímodo tem o dvd, que a gente fez no Tom Brasil, dos 10 anos da banda. Lá tem cenas de bastidores, viagens, fizemos um dvd para os fãs mesmo. Quando fez os 10 anos a gente conseguiu gravar o show e teve esse material aí bacana, tem vídeo clipes, o site, http://www.quasimodo.com.br/ , deve estar atualizado, vai ser um portal e no orkut, onde temos nossas comunidades.
Mas assim: se você tem o DVD e quer fazer uma cópia, faça, acha nosso trabalho eMule (programa para baixar músicas, vídeos, entre outros arquivos) também. A gente acha que o legal é divulgar. Músico vive de show e não de venda de cd ou dvd, quem ganha com isso é gravadora. Nosso disco não teve lucro nenhum, a gente fez um marco mesmo. Esse ano nós estamos planejando um novo disco e dessa vez tentar fazer uma distribuição.
08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.
Hoje eu represento o Quasímodo no site.
A mensagem é que as pessoas tem que sair, curtir, viver o que o Brasil tem de bom, que é isso, festa, música e trabalhar com alegria. Minha visão do meu trabalho é muito quem tem amor e tem muita alegria. Por mais crises que a gente passe, a gente faz com alegria, com tesão.
E é muito bacana que você venha fazer um site, porque o país precisa de mais liberdade de entrar nas coisas. É dificílimo entrar na TV, dificílimo entrar em rádio, tudo é jabá, é marketing. Então a gente que é independente tem que se ajudar, tem que um olhar o site do outro, divulgar o trabalho do outro. É uma nova geração que sabe lhe dar melhor com isso, buscar o que quer ouvir, conhecer virtualmente. A gente tem que se juntar, curtir e ralar! (rs)
PARA SABER MAIS:
Site Oficial do Quasímodo
Fotos: Mari Valadares
Trabalhos de Vans Moraes:
-> Quasímodo
-> Caravans: formada por Rica Pônei (“o cara que compõe”) e “uma cantora chamada Vans”, que tocaram por 10 anos na banda Quasímodo. A dupla resolveu em 2004 explorar melhor suas afinidades: música pop e música brasileira, e formaram a Caravans.
Quer ter a entrevista com a cantora Vans Moraes em seus arquivos? Clique aqui entrevista-com-vans-moraes (para abrir o arquivo .pdf precisa ter o programa Adobe Reader – Imprima se necessário, preserve o meio ambiente)




Decorando Emoções on Thu, 13th Oct 2011 1:54 am
Parabénssssssssssssssssssssss……………….