Entrevista com o ator Rafinha Bastos

Escrito em June 4, 2006 por Mariana Valadares  
Arquivado em Poucas e Boas Entrevistas

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Rafinha Bastos. Foto: divulgação

01. Quando criança fez teatro amador e teatro de rua. Aos 19 anos, formou-se em jornalismo e trabalhou na área em algumas emissoras (Manchete, TVE Brasil e RBS, ALLTV). Em 1999, depois que terminou o curso de jornalismo, você foi para os Estados Unidos competir na Liga Universitária Norte-Americana (NCAA) e mesmo com os treinamentos intensos, arranja tempo para integrar o núcleo de “Arts And Theather” da universidade de Nebraska e volta a investir na carreira de ator. Em algum momento você pensou em não ser ator?

Em todos os momentos descritos acima! Nunca passou pela minha cabeça ser ator. Eu queria ser jogador de basquete. Treinava 5 horas por dia pra isso! Tive experiências sensacionais com o esporte e ainda uso muitos destes ensinamentos. Depois fui fazer faculdade de jornalismo e só depois é que eu vi que meu estilo de vida não se encaixava com nenhuma das opções. Vim para SP com uma série de sonhos e estou conseguindo, aos poucos, atingir meus objetivos. Não troco a carreira de ator por nada!

Ah…preciso dizer: A descrição de minhas experiências profissionais da forma que foi colocada na pergunta, me coloca como um cara super batalhador, um árduo trabalhador…mas não…eu era muito vagabundo! Só na volta dos EUA é que eu resolvi me atirar de cabeça e ralar muito na profissão que eu quero seguir para sempre, a de ator.

02. Para você que fez curso de artes no exterior, há necessidade sair do país para fazer cursos de atuação?

Não…de maneira alguma. Temos ótimos cursos aqui. O que o mercado brasileiro exige mesmo são “contatos”. De fora do País a rede de contatos do ator fica extremamente prejudicada.

03. Você tem o site “Página do Rafinha” (http://www.paginadorafinha.com.br/), que faz o maior sucesso no mundo virtual, por causa de suas vídeo-sátiras. Como surgiu a idéia de fazer esses vídeos? Você se considera humorista a partir desse site?

Quando trabalhava em televisão no RS sempre fiz humor, mas as oportunidades não eram boas e as perspectivas não eram as melhores. Existe um pouquinho de receio das emissoras em apostar no humor no sul do país. Criei a Página do Rafinha como uma espécie de “meu canal de TV”. Deu muito certo! Ainda hoje (com o site relativamente abandonado) tenho mais de 10 mil visitantes únicos por dia. As portas que se abriram com o site me fizeram investir fundo na carreira de humorista. Hoje amadureci bastante quanto ao meu trabalho e faço algo bem diferente do que era o meu propósito com o site, mas ele foi a primeira semente que plantei no mercado do humor e tenho muito orgulho disso. Quando posso ainda tento produzir algo na http://www.paginadorafinha.com.br/ .

04. Na televisão, como ator, você é conhecido por suas atuações no mercado publicitário (propagandas da Vivo, Nova Schin, Yahoo, Fox/Volks, Clube Social). Você já pensou em fazer novelas, produto mais popular da televisão brasileira? Ou é um meio que não o interessa?

Super me interessa! Já fiz participação e foi bem interessante. Não vou dizer que é o sonho da minha vida, mas adoraria ter uma experiência mais longa. A novela dá popularidade e isso ajuda o ator que tem seus planos no palco!

05. Você foi um dos fundadores do Clube da Comédia Stand Up, junto com os atores Marcelo Mansfield, Marcela Leal. No stand up os atores não encarnam um personagem. É mais difícil “representar” nesse estilo?

Muitos dizem que é! Pra mim é mais fácil! Como disse anteriormente, a minha formação inicial é de jornalista então eu sempre quis fazer algo de “cara-limpa”. Adoro ver o trabalho de construção de personagem que dos shows de esquetes, mas não é pra mim! Eu morro de preguiça de maquiar, botar figurino, mudar a voz! O stand-up é um formato que me dá liberdade para chegar 5 minutos antes da apresentação e quando desco do palco posso ir direto para a mesa dos meus amigos.

06. No Clube da Comédia Stand Up cada comediante escreve seu próprio texto, baseado no cotidiano ou em experiências pessoais. Como você prepara a sua apresentação? Sempre com a preocupação de não cair no senso comum?

Eu sou muito exigente com o material que eu levo para o palco. Pode até ser ruim, mas não foi pro palco antes de eu ter visto, revisto e “trevisto”. Costumo separar tópicos e ir escrevendo aos poucos. Sou meio chato para escrever, eu acho que é a única atividade nesta vida na qual eu me tornei um terrível CDF. Penso e repenso cada vírgula do que vou dizer e ensaio bastante para que tudo isso saia com bastante naturalidade.

Rafinha Bastos

Rafinha Bastos

07. Hoje, você pode ser visto também na Trash 80`s, em São Paulo, como DJ, VJ e MC. Nesse trabalho, também é inserido bastante humor?

Sim! Sempre! A Trash 80´s é uma festa que se destaca pelo bom-humor. Eu faço apresentação de cada coisa na festa. Semana passada eu apresentei um baile de debutantes. Eram 600 pessoas dançando valsa no meio da balada! Muito legal!

08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Se vocês encontrarem o Lulu Santos, digam para ele se aposentar, por favor! Obrigado!

Fotos: Divulgação

Assista a uma apresentação de Rafinha Bastos

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