Entrevista com o ator Pedro Paulo Rangel
May 16, 2006 by Mari Valadares
Filed under Poucas e Boas Entrevistas
01. Ator, diretor, arranjador, letrista e tradutor. PP, nesses 38 anos de profissão você se considera um artista completo?
Não, de maneira nenhuma, e seria além de muita pretensão minha, uma impossibilidade. Procuro sim, me exercitar em várias áreas. Interpretação é a minha praia preferida e escrever um sonho que persigo.
02. Você iniciou a carreira no teatro. Qual dos outros produtos de entretenimento (novela, cinema, séries, minisséries, programas humorísticos) se assemelha com a linguagem teatral para você?
Nada se parece com nada. Cada manifestação artística tem seus segredos, suas dores e delícias. Prefiro o teatro, sem dúvida, pela possibilidade que ele oferece de depuração e aperfeiçoamento, na apenas aparente repetição do dia a dia.
03. Em uma entrevista ao Correio da Bahia, você disse que era um músico frustrado. Por que optou por ser ator? A arte cênica “falou mais alto”?
A opção pela carreira de ator foi a que se apresentou primeiro. E eu, que estava destinado pela família a ser um funcionário burocrata ou um militar, tratei de pular depressa no estribo daquele bonde. Mas continuo achando a música o veículo mais eficaz para expressar emoções.
04. O humor sempre esteve presente em seus personagens. Você tem preferência por personagens com tino humorístico?
Gosto de comédias, mas não as prefiro como também não tenho preferência especial por nenhum gênero. Tento fazer boas escolhas, mas não se pode acertar sempre. Quem prefere comédias é o público.
05. Você fazia parta do elenco de “TV Pirata”, programa humorístico de 1988. Qual a sua opinião sobre os programas humorísticos de hoje?
O Humor, como grande parte das manifestações artísticas e a literatura, espelha o tempo em que vivemos. É uma época violenta, sem meios tons ou sutilezas. A TV Pirata já era anárquica na época, mas o que me atraia nela era seu aspecto experimental. Tenho saudades do programa, mas não sou nostálgico.
06. Na novela “Saramandaia” (1976), de Dias Gomes, você interpretou Dirceu, seu primeiro e único papel como galã de novela. Ser galã de novela ou não, faz alguma diferença na carreira?
Não fez diferença alguma. Há muitíssimas outras coisas que um ator pode fazer. Não construí uma carreira de galã porque não tenho tipo físico para isso.
07. Sua peça mais recente foi “Soppa de Letras”. Nela, você interpreta mais de 70 músicas de tipos diferentes, de Tom Jobim a MV Bill. Como surgiu a idéia da peça? A escolha do repertório utilizado na peça foi somente sua?
Depois de ouvir um locutor de rádio traduzindo simultaneamente uma música, tive um estalo de fazer a peça “Soppa de Letras”, que consiste em interpretar canções populares, sem suas melodias. Os critérios para a escolha das letras deste roteiro foram estritamente pessoais. Muitas letras que foram escolhidas por mim na primeira hora acabaram ficando de fora. Quase todas as noites eu declamo “Triste Cuíca” do Noel, sozinho em frente ao espelho do camarim. Outras entraram às vésperas da estréia, como “Americanos” do Caetano, que eu nunca tinha escutado e que descobri lendo seu livro “Letra Só”.
08. Interpretar canções sem suas melodias é muito trabalhoso para o ator?
Absolutamente! Pra mim é muito prazeroso, e sei que para os espectadores também. É como se eu estivesse dizendo poesias muito conhecidas deles.
09. Desde “Sabor da Paixão” (2003) você não participava de novelas e agora está na novela “Belíssima”, de Silvio de Abreu, como Gigi. Sair de uma novela (produto televisivo de grande audiência) e entrar logo em seguida em outra, desgasta a imagem do ator? Ficar um tempo sem aparecer nesse veículo é uma estratégia para que esse desgaste não aconteça?
Não acredito em “desgaste”, principalmente se houver bom senso. “Sabor da Paixão” foi levada ao ar em 2003. Nesse tempo todo até “Belíssima” eu não parei de aparecer em outros produtos da Rede Globo. No entanto, neste intervalo de três anos, o público me perguntava se eu não iria mais fazer televisão! Talvez possa se concluir disso que o telespectador brasileiro consome maciçamente novelas.
10. Seu personagem Gigi é cinéfilo, como você na vida real. Você o considera um presente dado pelo Silvio de Abreu?
É extremamente gratificante estar numa novela das oito que é um sucesso.
11. O ator Lima Duarte fez duras críticas à Rede Globo. Ao merchandising que faz em “Belíssima”, ao sotaque grego de Tony Ramos, à atriz/modelo Fernanda Lima, ao programa “Fantástico” e também frisou que há 40 anos se faz a mesma novela. Qual a sua opinião sobre isso?
O meu querido colega Lima Duarte tem toda a liberdade de dizer o que pensa. E eu me guardo o direito de não comentar as declarações dele.
12. Dos personagens que fez, qual o seu preferido?
Neste momento, claro, Gigi é meu preferido. Tenho muito carinho também pelo Calixto de “O Cravo e a Rosa” e pelo Poliana de “Vale Tudo”.
13. Você participa de um site de relacionamento na internet e possuí um blog (http://www.soppadeletra.kit.net). A internet é o veículo hoje que mais aproxima você, ator, de seus fãs?
Sem dúvida. Agrada-me muito este contato com o público e somente a Internet torna isso possível.
14. Depois de Belíssima, quais são seus próximos projetos?
Pretendo continuar a viajar pelo Brasil com meu espetáculo SOPPA DE LETRA.
Foto: Reprodução
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