Entrevista com o ator Marcelo Mansfield
May 30, 2006 by Mari Valadares
Filed under Poucas e Boas Entrevistas

01. Marcelo, você começou a carreira nos Estados Unidos fazendo performances. Já no Brasil, foi ator de publicidade, teatro, filmes, como “Festa” de Ugo Giorgetti e de novelas (Mulheres de Areia, Vila Madalena, Desejos de Mulher e Celebridade). Apresentador, diretor, produtor, jornalista (um ano como colunista da Folha de S. Paulo). No meio desse vasto currículo, há alguma preferência?
Qualquer uma dessas atividades tem que ter comédia, humor, música, gosto de atuar, e comédia é o meu negócio. São veículos tão diferentes, cada um tem sua atração. No momento, vivo uma fase de experiências, dirigindo pela primeira vez outros atores ( sempre me dirigi) e fazendo comédia stand up, que é muito novo, não só pra mim, mas para todo nosso elenco do Clube da Comédia.
02. Fundador do show “Terça Insana”, junto com Grace Gianoukas, você participou por três anos do espetáculo. Seus personagens, como Seu Lili e Seu Merda, foram um sucesso e até hoje são lembrados pelos fãs. O que esse espetáculo representa na sua carreira? Por que decidiu sair?
Eu sai por que para o público, o Terça Insana tem quatro, cinco anos, mas esse tipo de espetáculo, esse formato, eu já faço há mais de 20. Então, chegou uma hora que queria uma coisa mais dinâmica, nova. Eu não gosto de repetir fórmulas, gosto de circular por elas, indo e voltando, mas não me fixar em nada. Tanto que durante esses anos de “TI” (Terça Insana) fiz vários trabalhos, como “lê Defunt”, com direção do Jairo Mattos, e “Mondo Cane”, com Marcela Leal e o Rafinha Bastos. Fui a Portugal duas vezes fazendo outros espetáculos. Sempre gostei de estar com muita atividade. Agora a “TI” fiz por 4 anos deu pra viver muita coisa com o pessoal de lá. Seu Lili e Seu Merda foram criados durante esse período, enquanto outros personagens eu apenas “requentei”, como o Falso Modesto e o Terezo. Agora tá na hora de fazer um levantamento de tudo por no palco em forma de show-solo e depois, partir pra outra…
03. Você e mais quatro atores (Marcela Leal, Rafinha Bastos, Oscar Filho, Diogo Portugal) formam o “Clube da Comédia Stand-Up”. Comédia Stand-Up é um gênero que privilegia o “humorista de cara limpa”, um microfone e um pedestal, tendo como única finalidade fazer a platéia “cair na gargalhada”. Como surgiu a idéia de montar o Clube? O que há de diferente no espetáculo desse ano em relação à temporada passada?
Eu sempre conversei muito sobre stand up com a Marcela Leal. Ai, quando montei o Mondo Cane, em 2003. A gente chamou o Rafinha Bastos, outro entusiasta e começamos a trabalhar, meio no escuro a princípio, mas logo ficamos confiantes no formato, e assumimos o nome Clube da Comédia, nome do tipo de bar que recebe esse tipo de comédia nos EUA e Europa e já estamos há mais de um ano em cartaz, com muito sucesso ou seja, valeu ser pioneiro…
04. Você se especializou em sitcoms (comédias de situação) em Hollywood (EUA). Há alguma característica de sitcoms nos espetáculos humorísticos apresentados por você?
Não. Por enquanto, sou apenas espectador desse gênero, embora confesso ter vontade de ver isso acontecer no Brasil. Nós ainda não temos nenhum exemplo oficial de SitCom. Claro, existem as nossas boas comédias, como A Diarista, da qual já tive o prazer de participar com ator convidado, e sob Nova Direção, onde meu colega de palco – fizemos dois espetáculos juntos – Luiz Miranda brilha….mas ainda seguem o formato Grande Família, como sitcom, ainda não podemos dizer que temos nenhum exemplo, só as importadas mesmo.
05. O espetáculo “Terça Insana” já foi comparado ao stand up comedy. O “Clube…” tem alguma semelhança com a “Terça…”?
Nada a ver. A “TI” é um show de “sketches” , uma comédia mais simples, mais Cabaretiana. O Clube da Comédia privilegia o texto, não há artifícios, maquiagem, cenários, ator, microfone e texto. E esse texto tem uma fórmula, que faz a diferença, chamada “Set Up” (preparar a piada) e “Punch Line (desfecho). Nada ao acaso, mas cabe muita improvisação.
06. Você está à frente da direção da peça “Pelos Cotovelos”, com Rodrigo Framptom e Wanessa Morgado, que retrata, com humor, o cotidiano das grandes cidades. Textos do jornalista e dramaturgo Sérgio Roveri. Como surgiu o interesse de fazer uma peça baseada nos textos do dramaturgo?
Sou fã número um do Roveri. Gosto de tudo que ele escreve, até bilhete…e sempre quis trabalhar com o Frampton, conversando uma noite no Clube da Comédia com a Wanessa Morgado, surgiu a idéia de pegar três textos e montar. Eu queria experimentar a direção, os atores estavam com tempo pra isso, e o Roveri nos deu carta branca. Ai está, já é sucesso.
07. O humor que a TV proporciona para a sociedade está estagnado. Não há mais novidade. Tem como mudar essa situação?
Como falei antes, tem ótimas coisas de humor na tv, como alguns seriados, os núcleos cômicos das novelas (vide Marcelo Médici e Jussara Freire em Belíssima) , e agora temos a TV a cabo, que nos traz muita comedia, não só americana, mas inglesa, francesa, italiana. Agora temos alguns exemplos terríveis, mas se está no ar, e por que tem público e tudo tem prazo de validade. Coisas muito ultrapassadas, daqui a pouco, saem do ar.
08. Explica o que é esse “orkontro Pica-Pau”?
Simples: fanáticos, como eu, pelo desenho “Pica Pau nas Cataratas” se encontram usando capinha amarelas, pra comemorar o desenho. É muito bom! No ano passado o Rafinha Bastos levou um pica pau de brinquedo um dos únicos.
09. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas Mari”.
A vida é um banquete e tem gente que prefere passar fome
(da comedia “Mame”).
Foto: Divulgação
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