Entrevista com a cantora Luciana Mello

April 10, 2006 by Mari Valadares  
Filed under Poucas e Boas Entrevistas


Luciana Mello. Foto: Ike Levy

01. Você nasceu no meio musical. Até que ponto ser filha do Jair Rodrigues influenciou na sua escolha profissional?

Eu comecei com ele aos cinco anos de idade. Ele me deu esse “empurrão”. Não digo só meu pai, mas minha mãe também. Meus pais repararam bem nos filhos, no que a gente gostava de fazer. Desde muito cedo eu fui para aula de canto, aula de dança, que era o que mais gostava. A minha primeira gravação foi com o meu pai aos seis anos de idade. Acho que ele viu e falou: “Você quer gravar uma música comigo?”, eu: “Aí, quero, quero”, criança, né? Aí eles viram que eu tinha talento. Apesar da voz de criança, eu não desafinava. Então, foi uma influência dele também, mas não foi por causa dele, senão eu não estaria aqui hoje se não fosse por minha força de vontade.

02. Aos 15 anos, adotando o nome Luciana Rodrigues, você fez sua estréia em disco solo (1995). Em 2000, você lança seu segundo trabalho solo, “Assim Que Se Faz”, com o nome Luciana Mello. A mudança de nome para Luciana Mello foi para desvincular sua carreira da do seu pai e do seu irmão, Jair Oliveira ou o mercado a “forçou” mudar?
Na verdade, foram algumas coisas. Luciana Rodrigues era um nome muito grande eu achava. Enquanto meu irmão escrevia Jair Oliveira rápido, eu demorava uns três autógrafos para escrever o que ele escrevia em um (rs). Também tem essa coisa de não associar muito o nome com o do meu pai, sempre quis ter minha própria carreira, independente se meu pai e meu irmão eram músicos, eu queria mostrar minha musicalidade, o que eu gostava de fazer. Daí eu fiz numerologia para saber e Mello é do meu nome, é o nome da minha mãe. E aí, eu falei: “Vou usar o Mello, já junto o útil ao agradável”. (rs)

03. Esse cd de 1995 (“Luciana Rodrigues”) não é muito comentado pela grande mídia. O que faltou: divulgação? Gravadora forte?

Foi meu primeiro cd. Ele foi independente. È muito engraçado como o mundo dá voltas, porque naquela época era horrível sair independente. Caramba! Era a pior coisa. Hoje é a melhor coisa do mundo você sair, que é o disco que estou fazendo agora vindo de lá pra cá. Na época foi até engraçado, porque nós ensaiamos o show e não conseguimos fazer um show ao vivo. A gente fez todos os programas de televisão, foi até engraçado. A gravadora a gente fez independente, gravamos no Mosh, em São Paulo e depois vendemos para a MoviePlay na época. Mas foi legal, acho que isso faz parte do trabalho. Aquele disco eu adoro, acho que foi um pouco de minhas influências, eu estava meio que fazendo um laboratório. Primeiro disco solo, então você faz meio que um laboratório das coisas que você gosta de fazer. Eu curto muito samba, aquele disco tem um pouco mais de samba de roda, estilo Clara Nunes, mas tem também a soul music, tem a música do Max de Castro, do Ben Jor. Particularmente eu gosto bastante daquele disco. Claro, mudei muito, né? De 11 anos pra cá a voz mudou bastante, o estilo, a roupagem, aí vem toda uma outra tecnologia que você pode usar. Foi mais em função disso mesmo: o que naquela época não funcionava que era o independente, hoje em dia é o que mais funciona.

04. Em 1999, você, Jair Oliveira, Simoninha, Pedro Mariano, Max de Castro e Daniel Carlomagno fizeram um show no Blen Blen, em São Paulo, que ficou conhecido como “Projeto Artistas Reunidos”. Todos são filhos de cantores, menos o Carlomagno. Como se deu essa relação de vocês?

Cara, é muito engraçado, começou assim: na época que eu estava gravando meu cd “Luciana Rodrigues”, o Pedro estava gravando o primeiro cd dele, no mesmo lugar e o João Marcello, que é irmão do Pedro, estava produzindo o disco do Pedro. Daí eu sai para tomar uma água, saímos (ela e o Jair) do estúdio e encontramos com eles. O João falou: “E aí Jair, o que você está fazendo aqui? Você não estava em Boston estudando?”, ele falou: “Tô, tô produzindo o disco da minha irmã”. Daí nos conhecemos assim. Meu irmão já conhecia o Simoninha, por causa dos nossos pais. Uma vez eu lembro, o Simoninha, muito tempo atrás, entrou em contato com meu pai para fazer um show beneficente para o pai dele que estava muito doente na época. O João, Simoninha, Pedro e o Max já se conheciam há muitos anos, a gente entrou naquela época ali, 90 e pouco. Eles jogavam futebol na minha casa todo sábado e o Daniel Carlomagno também fazia parte dos amigos ali. Ele era amigo de escola do João, fizeram uma banda juntos, coisas assim. Começou como num jogo de futebol, não tinha nada a ver com nada. Daí final de jogo, final de tarde…pô, tinha bateria na casa do meu pai, baixo, violão, a gente sempre mostrava alguma coisa um para o outro. Um dia o Simoninha foi fazer um show no Supremo e convidou a gente para participar e disso, a mulher falou assim: “Adorei vocês todos juntos, que tal se a gente fechasse quatro shows aqui no Supremo com todo mundo?” Eu nem fazia parte dos Artistas Reunidos, eu era convidada do dia. Tinha assim: umas cinco pessoas, umas sete da família (rs), estava super vazio. A gente chamava de “família madeira” (rs) – cadeira, mesas, todo mundo ali (rs). Na semana seguinte eu fui para assistir e as poucas pessoas que tinham ido na semana anterior, falaram: “Poxa, chama a Luciana, canta aquela música que vocês cantaram semana passada” e por um acaso foi “Simples Desejo”, uma das músicas que não vou poder nunca deixar de cantar. Daí, fui fazer parte dos Artistas Reunidos, porque fui na outra semana também. O que era para ser quatro shows virou, sei lá, milhares. A gente dobrava às vezes, porque ficava gente para fora, daí o Supremo começou a ficar pequeno. Mudamos para terça-feira no Blen Blen, que era um lugar que cabia 800 pessoas e quando a gente gravou deu 1000 e tantas pessoas na casa. Foi muito bacana, mas foi uma coisa assim, coincidência total, coisa de jogo de futebol, não tinha nada a ver com música e foi vindo a música. Então, foi tudo muito natural. Eu acho até uma injustiça, que a mídia fala que é uma panela, absolutamente nada a ver. Começou com uma outra historia que não tinha nada a ver com “vamos nos juntar para fazer isso”, foi um show que o Simoninha foi fazer e chamou a gente para ir lá.

05. Há uma relação de trabalho entre você e seu irmão super positiva. Jair Oliveira é produtor dos seus discos, você grava composições dele, vocês fazem shows juntos. Você acha que essa parceira só dá certo porque ele é seu irmão? Por que ele te conhece super bem?

Eu e o Jair acho que é um misto de tudo isso. Acho que se a gente fosse irmão e não se desse bem, não ia acontecer nada também: ele não ia conseguir me produzir, a gente ia brigar o dia inteiro, não ia dar certo. Eu e o Jair sempre tivemos uma relação muito boa, desde criança, até as pessoas falam: ”Que irmãos são esses? Não brigam?”. A gente nunca brigou, muito raro, acho que a última vez que a gente brigou eu tinha sete anos de idade. É uma pessoa que eu confio muito, cresceu comigo, obviamente, né? E a gente trocava, sempre, até hoje troca muita figurinha. Quando ele foi para Berkley fazer faculdade, ele me mandava um monte de coisas de lá. Ele me conhece muito bem, conhece meu gosto musical, então assim, fica mais fácil de trabalhar. É óbvio que quando você trabalha com uma pessoa que pelo olhar você já sabe o que a pessoa quer, o negócio flui muito rápido. E nesse negócio de gravadora, as coisas têm que fluir muito rápido, tudo é para “ontem”, tem que fazer tudo com muito urgência. L.M. foi feito em três meses, para um disco é muito curto o tempo. Você tem que fazer a pré – produção, que é a escolha do repertório, que demora pra caramba, tem que fazer a produção, depois a mixagem, a masterização, isso é um processo muito demorado. Acho que se não tivesse sido o Jair e o Otávio de Moraes também, que é um grande produtor que trabalha com a gente desde os Artistas Reunidos, ele era o baterista da banda, não teria saído nada, entendeu? É uma pessoa muito mais fácil de trabalhar e a gente se dá muito bem, ele sabe o que eu gosto. Quando mandam música pra ele, ele sabe que eu não vou gostar, ele me mostra, mas fala que não é a minha praia e o contrário também. A gente trabalha muito bem juntos e eu gosto. Eu falo para ele: “Só vou viver livre de você quando você falar não quero mais, nunca mais”. (rs)

06. Da Trama para gravadora Universal. Por que a mudança?

As pessoas acham que foi tudo muito fácil, mas é tudo com muito trabalho. O “Assim que se faz” só estourou quase um ano depois. Gravei em 1999 e ele estourou em 2000. Ali que as pessoas conheceram a Luciana Mello, então não sabiam, achavam que eu nasci do nada, entendeu? E antes disso tem toda uma história, tem um disco antes, que muita gente não conhece. Faço até questão de colocar isso no meu site para as pessoas saberem que não é assim “nasce do nada”. Lá na Trama em relação ao “Assim que se faz”, seis meses depois, falaram: “Pô Lú, é um disco perdido”. Aquilo me partiu o coração, é como se você tivesse um filho e falassem que você teria que dar, porque não rola. De repente uma rádio, que nem existe mais no Rio (Rio de Janeiro), que era Jovem Rio inclusive, o cara gostou, fez um remix da música e lançou na programação dele, sem jabá, sem nada disso. Ele lançou, porque ele gostou e começaram a gostar, começou tocar pra caramba na rádio e estourou em todas as rádios. Aí, depois não falaram mais que o disco foi perdido (rs). Pô, coisa chata a gente escutar isso! Mas eu não queria mudar de gravadora, na verdade eu queria ficar. Eu fui mudada, eu falo. Eles foram conversar com o pessoal da Universal e quando eu vi eu já fazia parte do casting da Universal. Eu falei: “UAU, ta bom, legal”. E eu sou muito assim, acho que tudo vai dar certo, costumo achar que todas as coisas vão dar certo, então, se eu tenho que falar com outro diretor, eu vou me virar e falar com outro diretor. Não saí brigada de jeito nenhum da Trama, só levei um susto, porque de repente você está em um lugar, que você fala que quer ficar e vem…sabe? “Foi sem querer”. Acho que até as mentiras têm perna curta inclusive. Sem querer eu estava no Rio com um amigo, a passeio e encontro o diretor da Universal: “O que os diretores da Trama tão fazendo aqui, falando de você?”, eu: “De mim?” e ele me disse que os diretores estavam negociando meu contrato. Acho que uma mudança bacana, uma major, uma maior e foi muito legal, porque com “Olha pra Mim”, que foi o primeiro pela Universal a música entrou na novela, “Prazer e Luz” e aí tocou “Olha pra Mim” pra caramba também, daí entrou “Grande Amor”, em uma novela do SBT, trabalhei bastante. Disso aí, saiu trilhas de filmes. Você vai se relacionando com outras pessoas, né? Você sai de uma pequena e vai abrindo seu nicho.

07. Até que ponto você acha que a gravadora atrapalha a carreira do artista?

Cara, hoje em dia, estou achando que o caminho e com todas as pessoas que eu converso, com músicos, com artistas assim, eu vejo que estão indo pelo mesmo caminho. Esse negócio de independente está indo cada vez melhor. Antigamente, eu via, tinha um formato certo, sabe? Aquele negócio: para você fazer sucesso, tocar aqui, você tem que fazer assim. Então você tinha que fazer tudo daquele jeito. Você realmente fazia sucesso. Hoje em dia não tem isso, hoje tem um monte de informação, tem internet, todo mundo tem estúdio em casa. As gravadoras estão investindo em produtos, coisas que dão dinheiro rápido, entendeu? Daqui dois anos a pessoa não existe mais, as pessoas nem lembram desse artista e isso nunca foi o meu objetivo. Pelo contrário, meu objetivo sempre foi construir uma carreira. Acho que a casa você começa construindo devagar até chegar à decoração e hoje em dia eles já querem ir logo partir para o dinheiro. Então, quem topa isso são produtos. Cada vez que eu viajo para fora, eu vejo a diferença que é, porque lá fora, esse negócio de internet é muito bem alinhado, funciona muito bem. Você compra vídeo pela internet, compra tudo e os direitos vão todos para o artista e aqui no Brasil a gente não tem nem lei para isso, ainda. Ainda estão formalizando uma lei, até que saia já piratearam muito aí. Isso é uma pena. Mas eu acho que a gravadora ajuda é no lance de investimento e é claro que a pirataria atrapalha muito. Por exemplo: se eu sou artista A e vendo para caramba, o dinheiro que eles ganham comigo, eles podem investir em outros artistas B, que são os novos, só que se a pirataria vem com tudo, eles não têm nenhum retorno. Então, é complicado também o lado deles, eu entendo o lado da gravadora de querer esse negócio de lançar produto, pois eles precisam de dinheiro. Acho que é assim, é o lance do investimento que eles não estão podendo fazer. Não posso culpá-los e dizer que eles são todos… Não vou dizer isso nunca. A gente tem que entender todos os lados, mas o lado do artista também é fazer o que ele gosta. Eu quero fazer o que eu gosto, fazer com quem eu gosto. Se para isso tem que ser independente, será.

08. Você falou que houve mudanças: voz, estilo, roupagem. Musicalmente falando, qual a diferença dos seus trabalhos?

Eu acho que é igual nossa vida pessoal, que a gente vai amadurecendo, que a gente vai desenvolvendo idéias. Eu acho que em qualquer área de trabalho, você começa estudando muito, se dedica e aí você vai e fala: “eu quero isso” e você vai lapidando, testando qual caminho seguir. Acho que tudo é experiência, né? A nossa vida em si é uma grande experiência, vai testando coisas. È nítido, pelo menos pra mim e outras pessoas também falam, esse amadurecimento dentro do meu trabalho. Cada vez mais eu fico mais envolvida com o meu trabalho, sempre estive envolvida com eles, sempre gostei de estar no estúdio, mesmo quando não sabia de nada, gostava estar lá xeretando, daí fui estudar para começar a saber dessas coisas. Hoje em dia faço parte da produção do disco, faço os arranjos vocais junto com o Jair, estou lá sempre nas mixagens, gravação de músico. Você acaba se envolvendo mais, porque você sabe mais. Então, a sua conversa com os músicos é muito mais fácil, o cara te entende melhor. Continuo na mesma linha. Essa minha influência com o samba e da black music nunca vou tirar porque é uma coisa que eu gosto, foi uma grande influência para mim a soul e a black music. Por exemplo o Michael Jackson na época do Thriller, quem não tinha aquele vídeo do Thriller e não ficava imitando ele dançar? Eu acho que a maioria das pessoas daquela época fazia isso. Eu queria fazer um trabalho assim: cantar, dançar e eu também vim de teatro musical, que juntava tudo isso: atuação, canto e dança. É tudo isso que quero fazer. O artista em si vive fases. No L.M, eu estava em uma fase intimista, então o disco foi menos gravado com o computador, foi muito mais tocado.

09. Compararam você com a cantora Paula Lima.

Ah é? Olha, nem sabia que tinham me comparado.

Compararam.

E falaram o quê?

A comparação foi feita por causa de algumas interpretações do disco L.M e de uma foto no encarte do cd. Você acha que essa comparação era inevitável, já que vocês beberam das mesmas fontes?

Eu lancei primeiro (rs). A Paula é irmã também. Realmente a gente bebe da mesma fonte. As pessoas têm essa mania de comparar um com o outro. “Não porque, se ela fez assim, o outro também fez”. Cada um tem um gosto, se ela gostou da minha capa, ou eu gostei da capa dela, se algo foi referência para as duas sem saber, qual o problema? Ela tem o estilo dela, o som dela, eu tenho o meu e a gente se dá super bem, enfim, as pessoas adoram comparar os cantores. Eu sou negra, ela também, porque a gente usa trança e bebemos a da mesma fonte, inventam um milhão de histórias para poder comparar. Eu acho, particularmente, que não tem nada a ver meu trabalho com o da Paula, nem o som, nem a voz. O que tem a ver é que somos duas negras, de tranças que cantam, só isso.

10. Você participou das trilhas sonoras das novelas “Sabor da Paixão” e “Da Cor do Pecado”, da Rede Globo. Participar de cds de novelas, já que são produtos que atingem o grande público, impulsionam a carreira do artista. Você sentiu um reconhecimento maior depois dessas participações?

Tem mais uma agora, Cidadão Brasileiro, da Record. Pra ser bem sincera, não. Eu achei muito engraçado, porque muita gente não sabia que era eu que cantava “Da Cor do Pecado”. Aí eu fui um dia para o Faustão, me convidaram para ir ao lançamento da novela. O que eu recebi de e-mail e ligação no meu escritório dizendo “é a Luciana que canta essa música? Eu não sabia”. Eu fiquei até meio chocada, o que tem de diferente? Eu acho que as pessoas estavam acostumadas com músicas dançantes e de repente, né? E é o que tem no meu disco. Quem tem o disco e pára para ouvir, obviamente que não estranhou nada, sabia que era eu. Eu fui que fui justamente convidada pela projeção que vinha tendo. Essa coisa de participar de trilha, principalmente de filme, adoro cinema. Eu já participei assim: “Cristina Quer Casar”, com a Denise Fraga, “Sexo, Amor, Traição, “Dona da História”, “Meu Tio Matou Um Cara” e essas da novela. È muito legal participar dessas coisas, de estar dentro. Tipo, “Sexo, Amor e Traição” foi um dos filmes brasileiros mais vistos, junto com “Dois Filhos de Francisco”. Então, é bem legal participar de projetos assim, eu como ainda não fui convidada para ser atriz, participar de um projeto cantando, que é o que eu sei fazer melhor e estar em um projeto de sucesso. Mas eu não senti que seja tão diferente por causa de uma música. Antigamente uma novela dava uma projeção enorme ao artista, hoje em dia você tem outras maneiras. O que eu acho legal é de ter sido convidada, por causa da projeção que eu vinha tendo antes, reconhecimento do público. Por isso que eu digo esse lance de gravadora, eu não vou me vender, depois de tudo que eu construí e eu quero construir muito mais. O seu prestigio, seu talento, seu estudo ninguém irá tirar nunca de você.

11. Já que você citou sua participação no filme “Cristina Quer Casar”, participação nas trilhas dos filmes “Sexo, Amor e Traição”, “Meu Tio Matou um Cara” e “A Dona da História” e hoje faz um curso de atuação para cinema. Há algum projeto em vista para seguir a carreira de atriz?

Eu adoraria fazer. Tem gente que é muito radical: “Ela não é atriz, não pode ser”. Claro que pode. Se você tem uma naturalidade e o diretor gosta de você. Foi o que aconteceu com o meu irmão. Ator não é a carreira principal dele, mas ele foi convidado pelo Walter Lima Jr para fazer “Os Desafinados”, junto com Rodrigo Santoro, Cláudia Abreu, Alessandra Negrini, Selton Mello. Ele foi convidado pela naturalidade que ele lida com isso tudo. Muitas vezes você tem o talento para isso e ele gosta. Eu não sou radical ao ponto de dizer que agora eu vou ser atriz, eu adoro tudo isso, fiz teatro muitos anos. Claro que cinema a gente vê que é totalmente diferente de teatro, mas é uma coisa que eu gosto de fazer e acho que tenho jeito para isso também, se me derem tempo para trabalhar isso, como eu trabalhei com a música e com a dança. Você estando no palco, mesmo trabalhando com música, já é uma atuação, porque você coloca uma outra energia, uma outra magia, uma outra história do que do seu dia a dia e de certa forma é tudo interligado. Se rolar um teste, se rolar uma vontade, eu vou lá e batalhar para fazer.

12. Você foi jurada no reality show da Rede Globo, o programa Fama. Qual a sua opinião sobre esse tipo de programa?

Eu gostei da experiência, conheci pessoas bacanas. No começo, eu fiquei em uma situação. Puts, eu sou artista, tenho fama, tem que ter um super cuidado. Já no início eu adotei uma postura de “eu não sou jurada”. No primeiro programa que foi ao ar, eu falei que não era jurada, que estava lá para ajudar as pessoas. Eu ouvi muito “não” na minha vida, de gente que hoje deve olhar e falar: “puts grila, por que eu falei não para ela?”, então, eu nunca vou dizer não para ninguém, o que a gente pode fazer é tentar ajudar, porque eu já estou no mercado, já escutei muita coisa. O grande problema do Fama é que chama Fama. Gente com talento, se você vai atrás da música, a fama é conseqüência, não é o objetivo final. Tanto é que você não vê ninguém que foi do Fama se projetar assim. A Vanessa Jackson, que ganhou o Fama, sofreu horrores, o Adelmo Casé ralou dois anos em São Paulo e no Rio para ter o som dele e não conseguiu e voltou para Salvador. Enfim, esses do programa de agora nem sei onde estão os caras. É um problema, porque são pessoa muito talentosas, mas eu acho que a Globo de repente faz um formato que eles deveriam repensar. Primeiro é o nome do programa, fama é conseqüência e não um objetivo. Eu conversava com os meninos lá atrás, era gente que tinha banda, que vinha fazendo coisas, que queria se projetar. Por exemplo: você está lá no interior do Sul, poucas pessoas te conhecem e você tem uma oportunidade de ir para Globo, aonde todo mundo vai te conhecer, você não vai dizer não. Eu entendo a deles também. É um lance que você faz um contrato de um ano, que você tem que ficar lá durante esse tempo, o lançamento do seu disco tem que ser na emissora, é uma coisa que você fica meio preso e quem trabalha com música não pode ficar preso a uma emissora, o músico é cigano, tem que ir cada hora em um lugar, ele tem que estar disponível a isso, porque senão o trabalho não vai pra frente mesmo, fica um início, só pessoas X que tem conhece.

13. Quando sai o próximo cd?

Estamos escolhendo as músicas. Como eu falei, aquele processo do repertório é um processo muito deliciado e mais importante de todos. Gravação, arranjos a gente vai fazendo ali, a gente já se conhece no S de Samba. A gente está nesse processo de escolhas das músicas, tirar tom, escolher os arranjos, testes, gostar ou não gostar, mas o disco sai no final desse ano, final de 2006.

Seguindo o mesmo estilo dos outros trabalhos?

Estou seguindo a mesma linha, aquele negócio que a gente falou do amadurecimento. Eu vou vir para atacar, quero vir com tudo, mostrar minhas influências, seguir uma linha mais black, uma linha mais a minha cara, o que eu gosto de fazer, eu gosto de dançar, gosto de street dance, eu gosto de tudo isso. Então é mais ou menos para esse lado.

Discografia

Foto: Ike Levy

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Comments

1 comentário no texto "Entrevista com a cantora Luciana Mello"

  1. louise on Mon, 2nd Feb 2009 3:11 pm 

    bom, todos dizem q eu me pareço muuuuuuuito com vc ai então resolvi ver algumas fotos suas e comparar. Realmente somos muito parecidas bjão adoro seu trabalho q sempre continue assim cheia de sucesso

E você, o que achou? Diga pra gente!...
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