Entrevista com o ator Rafael Ciani

Escrito em January 31, 2006 por Mariana Valadares  
Arquivado em Poucas e Boas Entrevistas

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Rafael Ciani

Rafael Ciani

01. Rafa, você tem 13 anos de idade e vários trabalhos no currículo. De quem partiu a idéia de você seguir a carreira artística?

Minha mãe conta que aos seis meses entrei para uma creche em horário integral, porque ela trabalhava o dia inteiro. Lá, eu tinha “aula” de música. O professor entrava com o violão, começava a tocar e cantar músicas infantis, e todos os bebês ficavam engatinhando ou brincando. Eu era o único que sentava de frente para o professor e ficava numa alegria só, atento. Essa minha atitude chamou a atenção e logo comunicaram isso a minha mãe, que um dia escondida assistiu. Quando me mudei para um bairro mais distante, mudei de creche e a mesma coisa aconteceu. E crescendo um pouco, comecei a brincar de mágica e fazia shows para as turminhas mais velha da creche. Eles adoravam. Quando fiz dois anos e meio entrei para “ArteMusica”, para ter aulas de musicalização e periodicamente tinha apresentações. Destacava me dos demais pela desinibição nos palcos.

02. Você acha que o trabalho atrapalhou de alguma forma sua infância e sua pré-adolescência, já que começou a trabalhar desde pequeno?

De jeito nenhum! Pois ficava muito feliz com os trabalhos que pintava e pelas apresentações (nisso já em aulas de canto e piano) que fazia! Fico muito feliz quando estou num palco ou a frente de câmeras na TV e no cinema. Sem isso, minha vida fica vazia.

03. Iniciou sua carreira no programa “Teletubbies”, em 1995, na Rede Globo. Logo depois, veio participações em programas e novelas, também na Globo, peças de teatro e este ano, estreará um longa de aventuras infanto-juvenis. Qual desses trabalhos (programas, séries, novelas, teatro e cinema) foi seu maior desafio e por quê?

Nesta época estudava numa pré-escola que era uma fazenda. Um dia a equipe do Teletubbies foi conhecer o espaço para ver se servia para as gravações e olharam pra minha cara, pois de curioso, fiquei “fuxicando” tudo na equipe. Tinha talvez uns quatro anos. Aí me chamaram na hora para fazer um teste de vídeo e falar algumas coisas, em frente à câmera. Na mesma hora, aprovaram tanto a locação, quanto um dos atores, “EU”!!! Gravei várias cenas no decorrer de alguns meses, mas as férias chegaram e como não tinha contrato fui viajar e com isso acabei saindo do programa. Daí para me chamarem para fazer alguns comerciais, participar do “Gente Inocente” foi um pulo, onde participei duas vezes do quadro que o Chico Anísio tinha no programa, além de “ Cantando no Chuveiro”. Quando fui para a 1ª serie, fui estudar numa escola que tinha aulas de teatro opcionais. Lógico que quis entrar. As aulas eram dadas por dois professores do Tablado. Fiz “Pluft, o Fantasminha” como Tio Gerúndio; no ano seguinte fiz “A Bruxinha que era Boa” como o Pedrinho. E aí entrei para o elenco do programa “Xuxa no Mundo da Imaginação”, onde tinha um quadro, que era só meu, o “TV Porque”. Eu era um repórter investigativo, que procurava respostas para perguntas, como: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Por que a água do Mar é salgada? Entre outras. No mesmo programa, participava como protagonista em vários episódios do quadro “Era uma vez…”. Neste período fiz a peça “Adolescente faz cada uma”. Nisso fui escolhido pra fazer o Kiko, de “Começar de Novo”, em que tive a oportunidade, tanto de atuar como cantar músicas líricas, sacras e tocar piano. Pena que a novela não decolou. Junto com a novela, fiz a peça “A Dama e o Vagabundo”. Com o termino da novela, fui chamado para fazer um filme “Os Porralokynhas”, que estréia no meio* do ano e talvez mude de nome e o seriado “Menino Maluquinho”, da TV E.Como o seriado foi no mesmo período do filme, não deu para fazer. Acabei fazendo umas participações no final das filmagens. O meu maior desafio foi fazer o filme, pois foi rodado no interior de MT e partes aqui no RJ. Mas o papel exigia que eu soubesse fazer vários esportes radicais, como: escalada, rapel, tirolesa, rafting e arvorismo, com isso, em agosto começamos a fazer treinamentos. Em outubro estávamos em MT rodando e executando todas as cenas sem dublê. Já em novembro voltamos para o RJ, onde ficamos filmando até inicio de dezembro. Posso dizer que foi um grande desafio, mas muito irado!

O filme “Os Porralokynhas” estreou no final de 2007

04. De todos os personagens já interpretados, qual foi o que mais gostou de fazer? Por quê?

O Kiko foi muito legal (Novela) e o Macarrão (Filme) também! Mas tenho um carinho especial pelo repórter da “TV Porque”.

05. Você tem algum ídolo, no qual se espelha?

Muitos, como a Marília Pêra, que é uma atriz completa. Ela me estimula muito! Tony Ramos, Carlos Vereza, o pessoal do humor, como: Heloisa Perisse, Lúcio Mauro Filho, Daniele Valente, Cláudia Rodrigues, entre outros. Cada um me ensina coisas, em que posso me espelhar e melhorar como ator.

06. Há vários estudos relacionados à influência exercida pela programação da TV na formação da criança e do adolescente e que não há muitas opções de programas para a faixa etária de até 15 anos. De que modo à televisão influenciou na sua formação? Você acha que essa faixa etária de até 15 anos é esquecida pelas emissoras?

Eu desde pequeno via os programas, filmes e novelas, com um olhar diferente. Assistia como tinha sido feita a cena, a atuação dos atores, o cenário, etc. Acho que esta faixa etária é esquecida mesmo. Chega o ponto de faltar trabalho para atores desta faixa etária. Se você reparar nas novelas e seriados têm atores já praticamente adultos ou mesmo adultos, que fazem papel de adolescentes. Pra você conseguir passar essa fase de adolescência trabalhando é raro, mas espero que eu seja exceção e fique trabalhando direto até os 120 anos! (Rs)

07. Se não fosse ator, seria?

Nada! Não me vejo em outra área. Vou ser ator e diretor. A música (canto e piano) será sempre uma complementação a minha atuação. Falta me aprimorar na dança.

08. Uma mensagem para os freqüentadores do site “Poucas e Boas da Mari”.

Acho que todos nós temos um talento. E temos que descobrir qual é ele. Comigo foi fácil e meus pais, apesar de médicos, tiveram a sensibilidade de me estimular! Seria muito bom que todos os pais estimulassem o talento dos seus filhos, porque com certeza eles seriam mais felizes. E falo sempre: temos que correr atrás dos nossos sonhos.

Foto: Reprodução

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